quarta-feira, 22 de abril de 2015
quinta-feira, 9 de abril de 2015
We have no more beginnings: Trophy wife
"A ti não te está destinado, ó Menelau, vindo de Zeus,
morrer em Argos criadora de cavalos, nem encontrar o teu fim.
Mas os imortais te mandarão para a Planura Elísia,
no extremo da terra, onde está o louro Radamanto.
Aí se oferece aos homens uma vida mais fácil.
Não neva, não há grande invernia, nem chuva.
Mas as brisas do Zéfiro sopram sempre ligeiras,
vindas do Oceano, para refrescar os homens.
Isto porque possuis Helena, e para eles és genro de Zeus."
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Double bill
Ninguém acrescentará ou diminuirá a minha força ou a minha fraqueza. Um autor está entregue a si mesmo, corre os seus (e apenas os seus) riscos. O fim da aventura criadora é sempre a derrota irrevogável, secreta. Mas é forçoso criar. Para morrer nisso e disso. Os outros podem acompanhar com atenção a nossa morte. Obrigado por acompanharem a minha morte.
sábado, 7 de março de 2015
We have no more beginnings: Happy end
Este prazer não é próprio da tragédia, mas sim, essencialmente, da comédia: aqui, os que na história tradicional são ferozes inimigos, como Orestes e Egisto, saem, no fim, amigos, e ninguém mata ninguém.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Quando pensava que o meu contentamento com o presente director da Cinemateca não podia ser maior
«trata-se da já célebre "história dos preservativos" que Jack Arnold várias vezes teve o prazer de narrar. Perante a impossibilidade de conseguir por simples ampliação o efeito das monstruosas gotas de água (que caem sobre Scott Carey quanto este está, na cave, reduzido ao tamanho de insecto), Arnold lançou mão de um insólito mas perfeitíssimo recurso: nada mais nada menos do que preservativos cheios de água que, ao caírem, depois de ampliados, davam a exacta imagem de gotas gigantes que, no fim, rebentavam em redor do actor. E quando, no fim da rodagem, o gabinete de produção notou que uma das parcelas do orçamento dizia respeito à compra de 1 500 dos "ditos cujos", Arnold achou mais convincente retorquir: "É que a rodagem foi de tal modo extenuante que, uma vez terminada, resolvemos todos fazer uma festa especial..."»
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
We have no more beginnings: the eighteen hundred year itch
«exibia uma beleza perfeita num corpo nu e completamente despido, a não ser por um pequeno véu de seda que lhe sombreava a púbis admirável. Aliás, um ventito curioso bafejava-a, por vezes, com amorosa lascívia, afastando o véu para deixar à vista a flor da sua tenra idade»
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
We have no more beginnings: Trash talk
«Antes o Simeonte fluirá às arrecuas e o Ida se perfilará
sem folhagem, e a Aqueia prometerá auxílio a Tróia,
do que, caso a minha inteligência cesse de zelar por vós,
a esperteza do bronco Ájax trará proveito aos Dánaos.»
We have no more beginnings: No pun intended
«O rei Latino, já envelhecendo,
governava umas terras e cidades
que longuíssima paz adormecera.
Nascera ele de Fauno e de Maricas,
a ninfa laurentina, sendo Fauno
um dos filhos de Pico, o que dizia
que era mesmo Saturno o deus seu pai.»
domingo, 12 de outubro de 2014
We have no more beginnings: Peace out
«(...) Omi, perdida de admiração por aquele homem, austero entre todos, cochichou com a sua voz aguda, tão alto que todos podiam ouvi-la:
-É ele! É ele!
E, não se importando com o embaraço das mulheres, declamou alto e bom som:
Barca perdida no mar
À mercê das ondas
Diz-me em que porto
Pensas atracar
Para eu te ir buscar
"Barca que vai e vem e volta sempre para a mesma dama! que mau gosto!"
Intrigado, Yugiri pensou quem poderia ser aquela dama que se expressava ali de forma tão crua e, divertido, ao perceber que devia ser a jovem de quem lhe tinham falado, respondeu:
Mesmo balouçado
Ao sabor dos ventos
O bateleiro indeciso
Decerto não passará
Por costas indesejáveis
Dizem que estas palavras a calaram.»
sábado, 11 de outubro de 2014
We have no more beginnings: Masterchef Roma
«Assim aumente eu em riqueza – não de peso! – como tudo isso
o meu cozinheiro o fez de um porco. Não pode haver homem de mais valia. Basta
quereres, e ele de uma barriga de porca fará um peixe, de um toucinho um pombo,
de um pernil uma rola, de uma almôndega uma galinha. De forma que, graças à
minha carola, foi-lhe dado um nome todo janota; na verdade, chama-se Dédalo. E
como tem boa catadura, trouxe-lhe de Roma, como presente, umas facas de ferro
da Nórica.»
We have no more beginnings: Enhanced interrogation
"Agora é a melhor altura para interrogar os estrangeiros,
perguntando quem são, uma vez que já se deleitaram com comida.
Ó estrangeiros, quem sois? (...)"
We have no more beginnings: Slapstick
«Ora quando estava prestes a chegar aos prémios,
Foi então que Ajáx escorregou (pois Atena o prejudicara)
no local onde estava o esterco dos bois de fortes mugidos,
que em honra de Pátroclo matara Aquiles de pés velozes.
E com o esterco dos bois ficou cheia sua boca e narinas.
Assim sendo, o sofredor e divino Ulisses pegou na bacia,
visto que chegara primeiro; e o glorioso Ajáx ficou com o boi.
De pé a segurar com as mãos o chifre do boi campestre,
cuspiu o esterco e assim disse no meio dos Argivos:
"Ah, foi a deusa que me prejudicou os pés, ela que sempre
está ao lado de Ulisses como uma mãe a ajudá-lo."
Assim falou; e aprazivelmente todos se riram dele.»
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
sábado, 30 de agosto de 2014
I did not see this coming
, mais valia ter-me abastecido de tudo; ou fazerem edições especiais recheadas com bonus tracks de um disco 6 meses depois de ter saído, colando uma etiqueta retrospectiva de "Special otário edition" no exemplar de quem o comprou logo quando saiu -, isto só pode ser uma nova estratégia editorial constituída como uma espécie de instância auditiva do antigo passatempo do Late Night with Conan O'Brien intitulado "If they mated", exemplificação abaixo
Piadas visuais altamente sofisticadas aside, fico excitadíssimo por ver o que mais sairá desta senda editorial. A minha sugestão para o próximo acasalamento? Leonard Cohen-Yngwie Malmsteem. Selected headbangers Vol. 1. Right on.
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
sábado, 17 de maio de 2014
History repeats itself
Quando assentou a poeira da comoção Dylan goes electric Judas, esse tornou-se o caso em torno do qual se foi blindando argumentativamente a guinada bem-pensante da coisa pop no sentido da desconsideração da chamada canção de intervenção (ou outra merda qualquer), e que, como o geral das guinadas, pouco mais fez que redireccionar o derrape da imbecilidade.
Haverá argumentos sociológicos para a valia social desse "formato" enquanto mecanismo de ampliação e dinamização de qualquer coisa assimilável a uma consciência política na coisa pública: se há um desequilíbrio colossal entre as agremiações que produzem e disseminam essas formas de expressão e as agremiações a quem a sua menção causa choques anafiláticos; ou, dito de outra forma, se a canção de intervenção tem historicamente versado mais sobre a paz, o pão, habitação, saúde, educação, do que sobre os amanhãs que cantam da trickle-down economics, não é necessariamente por haver sempre um lado certo da história para se cantar, mas por o cantar ser dos poucos veículos expressivos certos para quem está do lado desapossado da história. Contudo, não seria por esses argumentos que, por exemplo, avançaria como mais-valia da arte do imenso Fausto o «Venha cá sr. burguês». Pela mesma ordem de razões, mesmo que possamos sociologicamente ponderar o vilipêndio da canção de intervenção como forma musical como uma decorrência estética de um posicionamento socio-ideológico, justifica-se atermo-nos à discussão do seu argumentário como gozando de uma autonomia crítica. Contudo, rodopiando em torno da invocação dos limites constitutivos da instrumentalidade social do formato, esse argumentário sai furado do redondel.
Argui-se a simplificação estética que essa instrumentalidade demanda - desde logo, como se isso a distinguisse da matriz genética da música pop(ular) em geral e a malta fosse toda empinados do prog - mas depois basta cotejarmos as merdas que se têm inimputavelmente nas prateleiras (eu sei) com o filão cujo iniciático proselitismo político de esgravatar a música tradicional produziu, de longe, a maioria do que de melhor, mais singular e complexo (if need be) se criou musicalmente neste território, de José Afonso (cuja sujeição a um reducionismo político na sua apreciação é das mais lamentáveis miopias culturais deste país) aos Gaiteiros de Lisboa. Mesmo que o quantitativo dos acidentes de percurso desse filão largamente excedesse as suas excelsas recompensas, um raciocínio crítico cuja lógica se cingisse à ponderação probabilística do rácio de boa música que pode emergir de um dado formato ou temática desembocaria logo na constatação - por virtude da singularidade cósmica aleatória na ordem das coisas de terem existido os Van der Graaf Generator - de que as canções sobre faroleiros (independentemente de serem a melhor ocupação do mundo (relembre-se às autoridades competentes e seus simpatizantes a minha perenemente continuada candidatura a qualquer vaga que possa surgir nesse meio)) seriam o hottest topic para escrever grande faixas aí na cena musical.
Argui-se igualmente que a sua instrumentalidade torna essas canções intrinsecamente datadas às circunstâncias sociais que as espoletam, o que leva a presumir que os proponentes de tal proposição, com o final de cada relação amorosa, tendem a carpir ao som de toda e qualquer heartbreak song, para logo as abjurar como espécie musical no momento em que descolam nova pita e assim ciclotimicamente sucessivamente. Na verdade, ao que a canção de intervenção é propícia é à dificuldade de destilar a datação derivada da incapacidade estética de algumas canções ecoar para lá da sua circunstancialidade, da datação histórica e social dos seus receptores, incapazes de se desimplicarem do enjeu daquela circunstancialidade, e facilmente revertendo para a valia estética da obra esses seus (legítimos) limites perceptivos - pode certamente compreender-se que à generalidade das almas latifundiárias uma certa porção da produção cançonetista do PREC não seja particularmente querida, independentemente do nosso afecto pela Lei Barreto. Contudo, isso revela precisamente a visão equivocada, nestas discussões, do que faz a instrumentalidade de uma canção; visão, aliás, partilhada pelos mais voluntaristas dos dois lados da barricada do que convencionam, para os respectivos bem e mal, ser canções de intervenção. Por mais que um artista de máquina de matar fascistas de seis cordas a tiracolo se invista programaticamente em fazer da cantiga uma arma (no que a figura da topical song pode ser descritivamente mais útil), a efectiva instrumentalidade do seu percussor é sempre uma figura da sua apropriação social. Isso implica que não só a datação circunstancial não é constitutiva de uma canção de intervenção, como a abstracção dos seus referentes as torna mais apropriáveis para diferentes mobilizações; que é como quem diz, canções de protesto, são as que o Homem quiser. Lição cuja manifestação mais fina foi inevitavelmente providenciada pelo Robert Wyatt, num álbum programático de canções de, pois, intervenção, emparelhando picos de circunstancialidade política como «Stalin wasn't stallin'», com o «At last I am free», das Chic (um dos factóides mais satisfatórios da História, a todos os níveis).
Mas mesmo que concedêssemos que a circunstancialidade pudesse carimbar o prazo de validade de qualquer canção investida no presente, e pô-la na prateleira dos bens estéticos mais perecíveis, a data de hoje, of all days, chega, ao final do cronómetro, como o contra-argumento mais feroz para uma visão da história que decreta uma crença na perecibilidade das circunstâncias que fazem, em dado momento, uma canção ser de protesto, alimentando a sobrevida discreta das circunstâncias, sobre a carcaça das canções. Que é como quem diz que, no reverso da rêverie desesperada de que lá não tivesse aterrado em 1977, o FMI nunca terá é descolado da Portela, e a reserva do José Mário Branco em continuar a interpretar o seu impossivelmente catártico (e (mesmo descontextualizadamente) genial) «FMI» para lá de uma certa distância temporal da sua circunstancialidade, constitui, para além de um acto pessoal da mais razoável preservação psicológica, um acto micro-histórico de uma ironia spengleriana lacerante. Que é como quem diz:
terça-feira, 21 de junho de 2011
Conversa pré-acabada
É sintomático, na minha medida, de uma ausência culturalmente anunciada, que já tivesse um rascunho disto há uns anos quando, vendo-o de passagem num veículo televisivo qualquer me lembrei como, typecast em jovem adulto em apascentada deriva (esse patético e extensivo paradoxo socio-geracional que nos deveria instar a olhar duas vezes para quem subitamente crê que as estacas de campismo foram concebidas para perfurar betão), o Timothy Hutton foi quase o Pedro Hestnes do cinema estadunidense; quase, primordialmente porque, infelizmente para certo cinema estadunidense (ainda que seja questão mais ampla), sem a insondabilidade. Espantou-me depois ver que a filmografia do Hestnes não tem tantas lacunas temporais (ou um absoluto vácuo com a entrada dos 1990's) como eu presumia. Na minha pupila, tinha havido Hestnes em basicamente Botelho, Costa, Silva Melo (com o Mozos fatalmente, e nos seus sentidos sociólogicos não desapropriadamente, adiado), e depois ter-se-ia esfumado fora do húmus de um certo coming of age, também estilístico, do cinema português. Em boa verdade, outra coisa não seria de esperar de tamanha encarnação cinematográfica do zeitgeist geracional de um país. Havia naquele rosto fechado uma translúcida história simbólica das subjectividades por fazer e, convenhamos, a toda a fixação simbolista a exposição à intempérie dos tempos só atrapalha.
Nesse sentido, não será talvez muito de estranhar que o desvanecimento do corpo de uma profecia que já se cumprira (ou fizéramos cumprir - um certa reserva de respeito pela inexpugnabilidade ontológica de outrem, e uma certa assumpção dos reducionismos perceptivos em que os encarceramos, convêm) a si mesma não cause tanta estranheza quanto a nossa boa consciência sensível possa desejar (e começam a assomar os sumiços existenciais em que o nosso silêncio é redefinível, na ficção destes dispositivos descarnados de interacção como nano-púlpitos, em perversos trejeitos culposos como "deixar passar"), mas não é bem isso. O que sucede aos seres desde sempre sequestrados no seu corpo presente por alguma ausência que nos torna a sua convivência irreparavelmente lacunar e já meio consumida - ainda ao alcance do toque - por uma névoa indissipável de perda, é que já só se aplica dizer, ao tempo da sua passagem, que vamos continuar a sentir a sua falta.
sábado, 14 de novembro de 2009
sábado, 12 de setembro de 2009
Pax
Não que com a exponenciação dos mecanismos de citação cinéfila as odds não comecem antes a reverter para conseguir encontrar dois filmes desirmanados por qualquer citação (a new Kevin Bacon test looms on the horizon...), mas, for the moment, what are the odds de ter apanhado e visto pela primeira vez o Donovan's Reef e A Cara Que Mereces no mesmo dia (por sinal, fita eminentemente mais loveable (a ponto de não conseguir senão desembaraçar-se calorosamente do formalismo da situatio narrativa, como aquelas merdas que os shuttles vão deixando para trás) do que há quem diga (que fazer?, sou por definição um nostálgico sentimental), mesmo com a primeira parte a fazer papel de pau de cabeleira. E, pelos céus, já que nas lides derrière é a malapata que se sabe, nas décadas de intervalo alguém aproveite para me ir pondo o Manuel Mozos à frente da câmara mais vezes (o que há, aliás, Tarantino confirma a regra, nessa coisa de os realizadores serem tão apetecíveis frente às câmaras? Francamente, trocava quase toda a carreira do Pollack por vê-lo a despachar mais uma pêga no Eyes Wide Shut). E como estamos nisto, devo dizer que sou absolutamente contra andarem a pôr o Airosa a explorar novos registos. Vi-o a primeira vez no Torquato Tasso pelo Silva Melo e não me calei a elogiá-lo àquela velhota que foi a única da assistência que à saída não tinha pedalada para evadir-se à minha cadência opinativa (é certo que as macacadas do Miguel Borges na época (para quem a arte da cenografia consistia em dotar qualquer adereço teatral da capacidade de trapézio), passíveis de transformar qualquer encenação de Goethe num episódio do Criss Angel (vi tanta televisão este Verão. Precisava de resolver a minha vida para poder enfim tentar ser menos desesperadamente infeliz, e quase só vi televisão. Ninguém me pode odiar mais que eu neste momento, e não imaginam as reservas insuspeitas desse sentimento que eu seria capaz de bombear de vós, gente abestalhada. Vi duas temporadas do Dexter ao mesmo tempo, com a terceira a estragar-me todas as surpresas da segunda, e eu impávido. Vi a encenação do Siegfried gravada no São Carlos (all four hours of it), com germanos vestidos de hooligans a falar com passarinhos dependurados de uma vara movida por uma badass chick (ah, sim, a desconstrução, murmurei, impávido) e valquírias com pinta de knackwurst embrulhada em lingerie a receber um extra por baixo do camarote ao fazerem em palco o teste industrial dos limites de elasticidade dos modelos da Victoria's Secret e que só saíam out of character (ah, pois, a desconstrução da desconstrução, cogitei, involuntariamente, impávido) pela ausência de um fiozinho de sauerkraut infiltrado no canto da boca; e o analista que não tenho sabe que não me submiti às all four hours of it pelo meu amor pelas intentonas cromáticas à hegemonia tonal, embora a minha enciclopédia de música contemporânea saiba o quanto gosto das intentonas cromáticas à hegemonia tonal. Ah, e o Cops, oh estupefacção degenerada, o Cops, como é que me tinha escapado e como é possível esse pináculo insidioso da exploitation de qualquer género em qualquer formato. E só não vi o seu spin-off Jail, porque andam (juro) a promovê-lo como o desenvolvimento natural do cinéma verité (coisa hilariante para designar, a tomar pelo modelo, um produto visual cujas condições de verdade são precisamente o que deliberadamente se mantém fora de campo, o que a torna mais tv aldrabée que a ficção mais artificiosa; mas que, enfim, até dá para o cinéma vérité que se intitulou cinéma vérité aprender no que é que dá intitular-se cinéma vérité) e eu não gosto que cauções intelectuais (não há nada mais abjecto do que pretender traficar elevação junto com o contrabando vaginal em dia de visitas) interfiram na minha fruição de exercícios panópticos propedêuticos sobre massa crocante de estereótipos sociais (só o genérico, com uma música, reggae, intitulada Bad Boys, e os seus disclaimers de innocent until proven guilty in a court of law, devem ocupar a totalidade da cadeira de Dimwit Semiotics na UCLA). Não, a sério, estou a um conseguir ver um Tyra Banks Show para definitivamente arietar lá o cátodo com o crânio e acabar, em idiotia poética, de vez com isto. Enfim, pronto, e um dia cruzei-me brevemente (juro, não vi até ao fim) com um tal Criss Angel Mindfreak (juro, aquelas merdas da Sick* Radical), mas não quero falar disso), eram capazes de fazer sobressair qualquer contra-intérprete (há uma palavra para isto, não há?... socorro...) como modelo de sobriedade, mas tanto?), e portanto deve continuar a ocupar-se de variações em torno desse carácter. A versatilidade é lamentavelmente sobrestimada, com a presunção da unidimensionalidade da empatia emocional dos espectadores, passível de ser capturada pela transfiguração de um bom actor em qualquer personagem. O espectador não é completamente imbecil, consegue funcionar em vários planos, e o que vê, e amiúde quer ver, são actores (um plano) a desempenhar personagens (outro plano), e é da congruência de ambas as dimensões (e não da anulação extraordinária de uma pela outra) e, reconheçamos, do seu afunilamento diacrónico, que a empatia (mesmo para a repulsa) e adopção figurativa se geram, e tal, não sendo tudo, é a big deal (John-Wayne-like, por supuesto). Portanto, não forcem o moço, até porque é uma raridade alguém ter jeito para esse paradoxo que é projectar uma figura ensimesmada. É certo que a figuração pública desse paradoxo pode ter a consequência não pretendida de fortalecer iconicamente a auto-modelação de uma geração como overunderachievers mas, não me twittem, isto ainda é a blogosfera, onde, qual Litmus Test, se assiste à cena final do Vive l'Amour e o que se articula espontaneamente após é um "I can top that", pelo que creio podermos acordar que aquele é já um problema fatalmente datado. Dito isto, e quanto ao que daí decorre, alguém vos ajude, que eu continuo ocupado)?
P.S. - Mozos, não se esqueçam. I miss Harry.

sexta-feira, 1 de maio de 2009
Estou constipado
Não é a saudade, é a ausência; não é a borbulha, é a crisálida da pústula; não é o silêncio, é a linha que cerze os lábios; não é o fígado arredio, é esfumar-se a miragem do éter; não é o horário, é o que se esqueceu sem tempo de voltar atrás; não é o que conta na privação do ar, é o olvido e a apatia nas melodias que restam; não é o adeus, é o olá ser indiferente; não é a asma, é o sufoco na erva de São Domingo; não é o mainstream, é a vacuidade; não é a vertigem, é sequestrar a horizontalidade derradeira do repouso; não é a dependência química, é a dependência do fornecedor; não é a restrição, é a maleabilidade da incerteza do jugo; não é a extra-sístole, é partir comprimidos nas tardes de domingo; não é a sentença, é o calendário em branco e sem escolha de garrote; não é a menopausa, é a terapia de substituição; não é a carência, é a insuficiência; não é o fim irredimível, é a capitulação ao espectro.















































