domingo, 30 de julho de 2017

segunda-feira, 22 de maio de 2017

We have no more beginnings: Correio da Manhã

Mas se o sofrimento ocorre entre pessoas de família como, por exemplo, se o irmão mata, tenta matar ou faz qualquer outra coisa deste género ao seu irmão, ou o filho ao pai, ou a mãe ao filho, ou o filho à mãe, esses são os casos que devem ser aproveitados.

Poética, Aristóteles (trad. Ana Maria Valente)

terça-feira, 25 de abril de 2017

quarta-feira, 15 de março de 2017

Confirmação Oficial: A Operação Marquês é o Aleph


Com esta, para os néscios, inesperada associação aos novos casos de legionella na Maia, creio já não existir qualquer margem para dúvida, nem para o mais metódico cartesiano, na identificação da Operação Marquês com um desses pontos definidos por Borges como "o lugar onde estão, sem se confundirem, todos os lugares do mundo, vistos de todos os ângulos". Não posso, portanto, senão fazer votos para que, na sua transcendência de quaisquer mundanos questionamentos, em jeito ou vai ou racha, sobre a potencial ruína emparelhada dos sistemas jurídico e político portugueses, o prazo de conclusão desta investigação seja prorrogado sine die. O prolongamento e sucessão ininterruptos de mais outras inquirições a concebíveis trafulhices socráticas é a nossa melhor oportunidade de identificar a natureza da matéria negra, localizar a Atlântida, , e descobrir onde é que a esposa devota que não tenho me esconde os chocolates.


sábado, 11 de fevereiro de 2017

We have no more beginnings: Ghost writer

Agora sim, todos vocês, prestem atenção, se vos agrada a sinceridade. Hoje o poeta quer repreender os seus espectadores. Afirma ter sido injustiçado, ele que lhes fez tanto bem.
De início não funcionava às claras, mas dava, às escondidas, o seu contributo a outros poetas, imitando a qualidade e a inteligência do adivinho Êuclides, e a estômagos alheios fornecia muitos achados cómicos. Passado esse tempo, decidiu-se a correr o risco às claras e por si próprio, segurando as rédeas de um bando de musas que eram só suas e de mais ninguém. E quando obteve benefícios e honra como nenhum outro alguma vez os conseguiu obter de vós, garante que o sucesso não lhe subiu à cabeça, que nunca se encheu de orgulho nem andou por aí a correr as palestras, no engate.

As Vespas, Aristófanes (trad. Carlos A. Martins de Jesus)

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

That's not very nice


 (e no entanto, se fosse um "equívoco" de programação programado, seria bem um exemplar perfeito do seguidismo mediático corrente (como fosse a única via para lá dos nichos de facção) procurando alinhar-se computorizadamente com a opinião pública dominante (calculada por um algoritmo com défice de atenção, aselha e encolhido, comensurando coisas como estatísticas a olho das redes sociais, gargantas fundas que não passem das amígdalas, e o ladrar da voz do dono), que incapaz de processar somente com um sorriso paspalho e um piscar de olho proxeneta a algo inesperada dissensão entre amor e ódio das reacções de diferentes grupos sociais aos prolixos legados de Mário Soares (figura que também fica na história por lá ficar desafiando a sólida correlação entre a inscrição nos anais e uma acção monolítica), tivesse matematicamente concebido como a única resolução viável do dilema fundi-las num só epíteto. Só faltaria saber onde guardam a máquina editorial...



)

sábado, 31 de dezembro de 2016

sábado, 29 de outubro de 2016

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

We have no more beginnings: No means yes

Ainda que deites mão da força, aprazível é essa força às mulheres;
aquilo que lhes apetece, muitas vezes é contrariadas que preferem dá-lo.
Toda a que foi forçada por um súbito arrebatamento de Vénus
colhe disso prazer, e o descaramento ganha o ar de um presente;
mas quando alguma pode ser forçada e se retira sem lhe terem tocado,
ainda que finja prazer no rosto, é triste que estará.

Arte de Amar, Ovídio (trad. Carlos Ascenso André)

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Swimming is easy when you're headed for the deep


(como é que vocês pessoas continuam a preferir o Rattlesnakes ao Mainstream, is beyond me)

terça-feira, 23 de agosto de 2016

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O melhor contra-argumento à consagração da série televisiva como novo benchmark do storytelling

é o quanto o seu valor de entretenimento sai incrementado por um enguiço na legendagem.



sexta-feira, 5 de agosto de 2016

We have no more beginnings: Mister Ed

Com um grito medonho se dirigiu aos cavalos de seu pai:

"Xanto e Bálio, famigerados filhos de Podarga!
De outra maneira pensai em trazer salvo o vosso cocheiro
para cá da chusma dos Dânaos, quando nos saciarmos da guerra,
e não o deixeis lá morto, como fizestes com Pátroclo!"

Respondeu-lhe debaixo do jugo o cavalo de céleres patas,
Xanto; de repente baixara a cabeça e toda a crina caía
solta da coleira junto do jugo até tocar no chão.
De fala o dotara a deusa, Hera de alvos braços:

"Pois desta vez te salvaremos, ó possante Aquiles.
Mas perto está o dia em que morrerás. Culpados não
seremos nós, mas um deus poderoso e o Fado tremendo. (...)"

Ilíada, Homero (trad. Frederico Lourenço)


quinta-feira, 14 de abril de 2016

Les beaux esprits



(se há muito tempo que o Starman não tem presença regular na minha dieta, vem-me costumeiramente à mente com o repeat salvífico de que este e outros solilóquios callahanianos foram investidos na sucessão das minhas noites, como dois lados de uma mesma narrativa separados pelo vidro de uma janela, umas quantas décadas in reverse, e uma considerável mundividência (assim artificialmente confirmando epifanias como cose mentali, avistamentos como pretextos existenciais), cuja paroxística reunião na penumbra desaustinada do meu juízo já só revela tempo demasiado passado de nariz colado a uma vidraça com vista para as traseiras, e nem uma cagarra para amostra)

sábado, 20 de fevereiro de 2016

The ÜberUte that could have been


Bom, é capaz de já ser tempo de começar a arrumar um pouco melhor a casa. Sim, "camaleão", já sabemos, tudo bem. Mas como as metamorfoses não se equivalem, nem a mudança é um valor em si mesmo, pela minha parte, acima de todas, sói estar o fogacho brechtiano deste exasperantemente breve (talvez por isso imaculado, coisa estranha até ao seu património mais historicamente "importante") EP (até na capa nunca esteve com melhor aspecto, à homenzinho), simultaneamente uma espécie de canto do cisne e de ápice de carreira (até nisso, um move irrepreensível), e obviamente peça virtualmente desaparecida da sua discografia, naquela gestão criminosa do historial de tipos estupidamente prolíficos entalados pelo apelo de massas (qualquer coisa vagamente aproximável a o melhor Dylan de certas décadas ter ficado refundido em arquivos e respectivos bootlegs, cuja reabilitação oficial, não por acaso, se tornou a partir de dada altura o seu filão discográfico por excelência). Vamos ver quanto tempo se terá de continuar a esperar para ter uma reedição (nem um cd ranhoso para amostra) do Baal nas mãos, que não o vinil com que me deparei e açambarquei sofregamente (as lojas de vinil são uma selva darwiniana) em Dezembro passado (por que olhais para mim assim, ominosos?... Que vício metafísico). 
Cantem-se, em querendo, todas as loas aos afãs proteanos, com certeza; mas eu cá, se o apanhasse a jeito nesta paragem, furava-lhe alegremente os pneus, atirava à socapa os malões com as fatiotas camaleónicas para o riacho (gender-bending sem a bilha a jogo é pra bananas), prendava-o com uma Pilsner refrescante e um monte de feno recheado de teutónic@s roliç@s (em jeito de pepitas de chocolate (branco)), e persuadia-o, emulando aquela velha nonchalance germânica, a deixar-se ficar por estas cercanias pelos tempos vindouros. 

Aproveite-se, de boleia, para esclarecer que o Heroes é das canções mais sobrevalorizadas de sempre. É um bocado lamentável indexar preguiçosamente a posteridade do moço (chamar velho a alguém com o nome Bowie soa curiosamente a oxímoro, for some reason) a coisas dessas com outras tão melhores por onde escolher. Um pouco mais de esforço, vá. Eu ajudo:

sábado, 2 de janeiro de 2016

sábado, 19 de dezembro de 2015

Nuclear si ¡Por supuesto! Nuclear si ¿Como no?

Por falar em great opening lines. Que paroxístico bálsamo para o estiolar da vida deparar com coisas destas quando nos enfiamos no cinema à toa só para não regressar a casa em hora de ponta. Quer dizer, musicalmente (que, por uma vez, é o que menos me interessa) isto soa bastante menos curioso aqui do que ouvido no "El Futuro", por alguma razão; talvez fosse outra versão; talvez um efeito de contexto (não que lá soasse excepcional ou coisa que o valha, mas sempre indiciava a bondade da ocorrência do pós-punk como molde musical no seu tempo, que, a não ter existido, teria de ser (re)inventado, o que, como sabemos, dá sempre merda). De qualquer forma, logo com aquele intróito, a letra, essa sim (que faria bem melhor figura nuns walking dead do que aquelas xaropadas indie  que ora por vez lá apanho a insuflar de pathos de pechisbeque uma série, ironicamente, tão cheia de si), apela imediatamente ao pequeno niilista que, check, continuo a albergar sob a bonomia do meu exterior bolachudo, aguardando tenazmente a sua deixa para me irromper peito afora.
As devidas gracias, pois, ao Luis López Carrasco, seja ele quem for, pela selecção, a trazer ao de cima o pior de mim, e já agora pelo objecto fílmico que a compreende. Não serei a pessoa do mundo com mais pachorra para filmes conceptuais (não que também ande com particular disposição para o comum da geringonça (peço desculpa, voltei a jantar ao som de telejornais) narrativa; não sei bem o que passa comigo), e sua tendência para servir pescadinhas auto-referenciais de rabo-na-boca em becos sem saída (cuidado, não pisem no pleonasmo metafórico), mas por isso mesmo é sempre uma surpresa muito agradável deparar com um dispositivo cinematográfico capaz de se abrir à vida, e isso na exacta medida em que exerce materialmente a consciência de que ela seja, em última análise, inapreensível; traço evanescente suspenso do fim da história, coisa para mais sem qualquer pedigree apocalíptico de pronunciamentos bíblicos; apenas a banalidade quotidiana do que incessantemente some em trânsito, como nunca tendo existido, entre cada ocaso e aurora (deprimido, eu, será? nahhh).

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Estava aqui para me suicidar, mas nem eu tenho problemas destes

«Voyage to England projected. No money; must get it. Have to be operated first: circumcision. It is of no advantage to go to foreign countries with such an evil not remedied.»

Fernando Pessoa, Escritos autobiográficos

sábado, 1 de agosto de 2015

superbocksuperquê?


Bem mais episódico que uma lua azul, e acrescido dos limites da esperança de vida humana, o excelente Michael Mantler, com as suas inconfundíveis toadas em tom menor (que conseguem a misteriosa proeza de manter o meu interesse por meio século de pessimismo harmónico em circuito fechado), is in town, a revisitar (ênfase no prefixo) uma das suas maiores obras, para quem esteja disposto a conceder que um pouco de estrutura de quando em quando não atrofia necessariamente o jazz (sem nada contra o soltar free da franga), como o hexâmetro não sendo propriamente o estrangular da poesia.
Como (e apenas porque) já tenho o meu bilhete, também podeis vir; eu deixo.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

sexta-feira, 17 de julho de 2015

We have no more beginnings: Realpolitik

Sei desde há pouco tempo que um inimigo só deve odiar-se na medida em que poderá de novo ser nosso amigo, e, quanto a quem é amigo, quero servi-lo e ajudá-lo, pensando que ele não se manterá assim para sempre.

Ájax, Sófocles (trad. Maria Helena da Rocha Pereira)

Toujours la tyrannie a d'heureuses prémices


sábado, 13 de junho de 2015

We have no more beginnings: Grexit

«Quando por vezes me escaparam algumas destas expressões e também quando, com a fúria, me vinham lágrimas aos olhos, logo apareciam os sábios senhores que entre vós, alemães, tanto gostam de se fazer ouvir, os desgraçados para quem o sofrimento de uma alma não é senão pretexto para sentenças e, fazendo-se passar por bons, diziam-me condescendentemente: não te lamentes, age!»

Hipérion ou o eremita da Grécia, Hölderlin (trad. Maria Teresa Dias Furtado)

quarta-feira, 22 de abril de 2015

quinta-feira, 9 de abril de 2015

We have no more beginnings: Trophy wife

"A ti não te está destinado, ó Menelau, vindo de Zeus,
morrer em Argos criadora de cavalos, nem encontrar o teu fim.
Mas os imortais te mandarão para a Planura Elísia,
no extremo da terra, onde está o louro Radamanto.
Aí se oferece aos homens uma vida mais fácil.
Não neva, não há grande invernia, nem chuva.
Mas as brisas do Zéfiro sopram sempre ligeiras,
vindas do Oceano, para refrescar os homens.
Isto porque possuis Helena, e para eles és genro de Zeus."

Odisseia, Homero (trad. Maria Helena da Rocha Pereira)

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Double bill



Ninguém acrescentará ou diminuirá a minha força ou a minha fraqueza. Um autor está entregue a si mesmo, corre os seus (e apenas os seus) riscos. O fim da aventura criadora é sempre a derrota irrevogável, secreta. Mas é forçoso criar. Para morrer nisso e disso. Os outros podem acompanhar com atenção a nossa morte. Obrigado por acompanharem a minha morte.

sábado, 7 de março de 2015

Copycat



We have no more beginnings: Happy end

Este prazer não é próprio da tragédia, mas sim, essencialmente, da comédia: aqui, os que na história tradicional são ferozes inimigos, como Orestes e Egisto, saem, no fim, amigos, e ninguém mata ninguém.

Poética, Aristóteles (trad. Ana Maria Valente)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

We have no more beginnings: Buster galore


 
 
 










  

 

...

Quando pensava que o meu contentamento com o presente director da Cinemateca não podia ser maior

«trata-se da já célebre "história dos preservativos" que Jack Arnold várias vezes teve o prazer de narrar. Perante a impossibilidade de conseguir por simples ampliação o efeito das monstruosas gotas de água (que caem sobre Scott Carey quanto este está, na cave, reduzido ao tamanho de insecto), Arnold lançou mão de um insólito mas perfeitíssimo recurso: nada mais nada menos do que preservativos cheios de água que, ao caírem, depois de ampliados, davam a exacta imagem de gotas gigantes que, no fim, rebentavam em redor do actor. E quando, no fim da rodagem, o gabinete de produção notou que uma das parcelas do orçamento dizia respeito à compra de 1 500 dos "ditos cujos", Arnold achou mais convincente retorquir: "É que a rodagem foi de tal modo extenuante que, uma vez terminada, resolvemos todos fazer uma festa especial..."»

Folha de sala de The Incredible Shrinking Man