domingo, 24 de abril de 2022
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022
We have no more beginnings: Zandinga
"se viesse a descobrir-se uma invenção fatal, seria rapidamente proibida pelo direito das pessoas; e o consentimento unânime das nações sepultaria esta descoberta. Os príncipes não têm nenhum interesse em fazer conquistas por semelhantes vias: precisam de súbditos, e não de terras"
segunda-feira, 31 de janeiro de 2022
We have no more beginnings: Antigamente é que era / Ó tempo volta para trás
Quando lhe apresentaram os incensos trazidos pelo Governador de Dazai, perguntou-se se os melhores não seriam os que eram fabricados com madeira mais velha e mandou abrir os depósitos da Segunda Avenida, para onde mandou transportar produtos chineses de toda a espécie, a fim de os comparar.
-Acontece o mesmo com os brocados e os damascos - disse. - Os antigos são mais finos e atraentes!
Para confeccionar panos para os seus utensílios, debruar tapetes e almofadas, escolheu damascos, brocados de vermelho e ouro, que o vice-rei de Kyushu lhe oferecera no tempo do falecido Imperador e que eram de qualidade incomparavelmente superior aos da sua época, e ofereceu às suas mulheres os damascos e as sedas leves recentemente importadas. (...)
-Neste século tudo degenera, em comparação aos tempos antigos; nos nossos dias, só os kana alcançaram a perfeição suprema.
terça-feira, 25 de janeiro de 2022
sexta-feira, 31 de dezembro de 2021
quarta-feira, 18 de agosto de 2021
sexta-feira, 16 de julho de 2021
We have no more beginnings: Hasta siempre, Comandante
Devolve a luz, bom comandante, à tua pátria.
Pois logo que teu rosto de Primavera
para o povo reluz, o dia mais alegre passa,
os raios do sol melhor brilham.
sábado, 27 de fevereiro de 2021
We have no more beginnings: dick jokes
Mas afinal, minha querida, o que se passa, Lisístrata? Porque é que nos convocaste a nós, mulheres? De que coisa se trata? De que dimensão?
LISÍSTRATA
Grande.
CALONICE
E grossa também?
LISÍSTRATA
Grossa também, sim.
CALONICE (surpreendida)
Então como é que não estamos já cá todas em peso?
sexta-feira, 15 de janeiro de 2021
sexta-feira, 23 de outubro de 2020
terça-feira, 15 de setembro de 2020
Everything, all at once forever
Que alguém, no normal decurso de uma vida criativa aplicada à escrita de canções, se tenha deparado mentalmente com um título assim, capaz de em 5 palavrinhas apenas actuar como fonógrafo de todo o círculo vicioso de vontade, pathos e catarse que é estar vivo, e decidido, como opção óptima para lhe dar consubstanciação musical, da sua repetição hipnótica, com o mínimo de meios dos quais tenha domínio expressivo, ao longo de aproximadamente 20 minutos - à falta de exequibilidade de preencher temporalmente o que quer que dure a eternidade (o locked groove da metafísica) -, é das raríssimas instâncias que me poderia persuadir a dar crédito lógico à aplicabilidade da teoria da escolha racional ao fenómeno estético (ou a qualquer outro, lá por isso).
Everything, all at once forever, portanto; ou a willful delusion de não nos contentarmos com menos, aos bochechos em tempo algum; forma de talvez alcançarmos algo, de quando em vez enquanto puder ser.
sexta-feira, 22 de novembro de 2019
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
segunda-feira, 25 de março de 2019
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
Não é Xou da Xuxa
É difícil pensar num disco mais urgente em tempos de memória recente, que de discos urgentes, é de desconfiar, se verá cada vez mais amontoada, à medida que degrau a degrau o sentimento de um ocidental se vê cada vez mais alegremente a descer uma ilusória escala de evolução civilizacional e entrando num bizarro world onde o Fukuyama tivesse antes escrito O (Re)início da História. Mas assim como assim, como não haveríamos de crer panglossianamente ser já este o melhor dos mundos possíveis, quando até as juras de ódio figadal inscritas no equilíbrio natural dos ecossistemas se vêem melosamente esquecidas a cada vídeo de adorável cafuné entre chitas e gazelas de thomson, e demais animal frenemies, no tutubas.
Há já alguns apreciáveis anos que a turma da nova vanguarda paulista, dos imparáveis Metá Metá a múltiplos outros projectos individuais e colectivos de geometria variável (aquela dinâmica social esteticamente insaciável que faz uma cena musical), anda a fazer proliferar a (tanto quanto me consta) mais vital e admirável música do Brasil contemporâneo; mas a sua junção geracional com a veterana Elza Soares, sob os auspícios de Guilherme Kastrup, foi um achado tão improvável quanto genial.
Embora lastimavelmente pareça escapar à maioria dos que exercem o métier, a condição de intérprete, implicando a dependência autorística de terceiros para exprimir uma experiência particular do mundo, também alberga, na mesma medida, uma liberdade imensa para a descoberta e expansão subjectivas a partir de ópticas alheias. A mulher do fim do mundo, precisamente nada tendo a perder, compreendeu-o perfeita e quase inauditamente, a contrário de muitos e mais (relativamente...) novos compagnons de route, e ao entregar-se plenamente à excelência da agremiação em torno dela reunida, que não deixou os seus pergaminhos arrevesados em mão alheia, transportou-a para um novo patamar, culminar ímpar (tanto quanto a memória me assiste), de tão serôdio quanto absoluto, de uma longuíssima carreira.
"Dura na queda", como já o Chico Buarque, talvez tão premonitoria quanto retropectivamente, mesmo já em tardia idade, a tinha saudado, Elza foi-se lentamente convertendo, com a prolongada biografia, numa figura particular no panorama artístico brasileiro, tão sacrificial quanto resistente, assumindo as cicatrizes de uma existência socialmente desafiada e, correspondentemente, pessoalmente conturbada. O primeiro disco que deste improvável consórcio resultou incorporava, pois, ao primeiro debitar daquela voz castigada, um carácter simultaneamente elegíaco e feroz, fazendo justiça a esta figura tanto no seu debatido passado quanto na sua ousadia presente em persistentemente confrontar, na sua carne viva, o que desse passado subsiste, na reprodução de vivências socialmente violentadas. Na exacta medida do seu absolutamente surpreendente conseguimento e justeza, seria difícil antecipar que um tal projecto, quase uma espécie de cenotáfio em vida, pudesse borrifar-se para a rigidez do monumento e ter seguimento. Mas teve-o e, com quase já não surpreendente surpresa (fool me once...), com não menos justeza e inteligência para distribuir. Se A mulher do fim do mundo estabeleceu e cronicou perfeitamente o vulto no seu centro, Deus é mulher ocupa-se de tudo o que resta, que é lançá-lo novamente sobre o mundo e a sua regressível imperfeição. Se não fosse Elza, talvez este disco (cujo título, logo com toda a honestidade, não engana ninguém) fosse uma vítima mais fácil de menorizar ideologicamente como ingressando programaticamente no domínio da política identitária (possivelmente não por acaso, a voz por excelência desta vanguarda paulista, Juçara Marçal, nunca se atirou propriamente assim, de cabeça, para estes terrenos), sendo mais difícil relativizar musicalmente a sua burilada acutilância. Contudo, cantada por Elza, cada palavra ganha um peso ontológico particular (no espectro mais lúdico, por exemplo, faz toda a diferença ter uma octogenária a cantar "eu quero dar p'ra você, mas eu não quero dizer, você precisa saber ler", e explicar o bê-a-bá da sedução a toda uma juvenilia (se não mais a uma senioridade viagrada) com as hormonas aos pulos e os neurónios em falência), na assumpção combativa do que tem para dizer a partir de uma experiência viva, não de uma abstracção teórica. É precisamente na medida em que liberta as palavras da rigidez programada de uma lição, dando-lhes a perspectiva de uma vida própria - que reclamam, sim, mas tão legitimamente quanto qualquer outra - que este disco conjuga autoridade moral com autoridade estética, sem as confundir, pela mesmíssima razão, com autoritarismo retórico. É disso que democraticamente se trata ("de falar e de ouvir também"), para lá de qualquer sufrágio, a que nenhum Estado de Direito se resume, conviria cada vez mais lembrar.
Começa a ser quase demasiado desencorajante a perspectiva de acordar e constatar que discos deste calibre ainda ou já não têm o país que merecem. A única boa notícia é que, enquanto não regredirmos todos a hominídeos adoradores de monólitos que resolvem tudo à ossada, a melhor resposta para isso será continuar a fazerem-se mais, e mais, e mais. À falta de a Mónica se começar a dedicar ao agitprop, com a turma da Elza, pelo menos, parece que podemos ainda contar. Benza-a Exú.
Ghosts of Amazónia
ou o homem do fim do mundo (Serras da Desordem, Andrea Tonacci, in tão tardia quanto actual memoriam).
Uma canção com uma pica enorme
We have no more beginnings: the douchebag
A pedra estilhaçou ambos os sobrolhos e o osso ficou lasso,
pois os olhos saltaram para fora e caíram no chão na poeira,
à frente dos pés do próprio. E semelhante a um mergulhador
tombou do carro bem trabalhado e a vida deixou-lhe os ossos.
Então falaste com palavras zombeteiras, ó Pátroclo cavaleiro:
"Mas que agilidade tem este homem! Que facilidade no mergulho!
Na verdade se isto fosse porventura o mar piscoso,
a muitos daria este homem satisfação na demanda de ostras,
mergulhando da nau, por muito encapelado que estivesse o mar!
A agilidade com que ele agora mergulhou do carro para a planície!
Parece que entre os Troianos não faltam bons mergulhadores."
terça-feira, 16 de outubro de 2018
We have no more beginnings: Torture porn
Para que hei-de eu contar agora as mortes
mais os terríveis feitos do Tirano?
E bom será que tudo ordenem deuses
para que venha o mal a ele, aos seus.
Costumava ligar vivos a mortos,
as mãos lhes ajuntando, como as bocas,
abraços de tortura que banhavam
em podridão e pus por quanto tempo.
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
We have no more beginnings: Dupond e Dupont
Como vai começar? Rápido espírito
o leva a uma ou outra decisão,
em posições opostas, lhe dá voltas
entre as escolhas várias e possíveis.
Nesta incerteza faz o que melhor
lhe parece no caso. Menesteu chama,
com ele vão Sergesto e Seresto,
lhes ordena que equipem os navios,
sem palavra a ninguém, e que reúnam
os companheiros todos pela praia,
que tenham pronto tudo o necessário,
sem explicar razão de tais medidas.
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
Back to the future
De há anos e anos que, disco após disco, mesmo que sob os auspícios das rarefeitas vozes escritas que mais me valeram que falharam na matéria, o trabalho da June Tabor me tem constantemente solicitado aquela forma de respeito tão impecável que parece precludir qualquer forma mais apegada de emoção (a minha dame da folk da velha Albion segue sendo, desde o primeiro instante em que o seu inimitável timbre percutiu o meu tímpano, a Shirley Collins, sobretudo quando dobrado pelo pouco menos inconfundível recato dolente do flute-organ digitado pela irmã Dolly).
Só agora, ao regredir a 1977, se antecipa um tempo em que, em matéria de haver uma pungência por resgatar da austeridade da entrega Taboriana, possa ter de vir a mudar de opinião:
We have no more beginnings: Dr. [not Mr.: Dr.] Spock
Ele não se atemorizará ao ver esta carnificina de há pouco, se na verdade sair ao pai. É preciso treiná-lo como um poldro nas duras regras do pai e igualar à dele a sua natureza.
segunda-feira, 21 de maio de 2018
sábado, 7 de abril de 2018
segunda-feira, 25 de dezembro de 2017
Serenity now
Certamente, já escreveria Santo Agostinho, não haverá melhor exemplo de escrever certo por linhas tortas quanto a profana vulgata cultural das celebrações natalícias, que a contrário de um conforto ritual ortodoxo, reprodutor de crenças monolíticas, que se tivesse criado e mantido ao abrigo de um mundo que nem a mais beatífica metafísica concede ser composto inteira e conjugadamente de mar e rosas, lhes estruma abundantemente terreno para testar a têmpera. Pela minha parte, consegui chegar até hoje sem incorrer em homicídio a cada montra de pastelaria de onde as únicas azevias dignas do nome (num mundo decente qualificá-las de grão seria boçalmente pleonástico) vêem o seu espaço açambarcado por abominações gastronómicas grávidas de recheios repulsivos de batata doce, gila, este ano até maçã, com notas de enxofre. Segundo o Novo Testamento, se não roubar mais nenhuma velha, acho que já ganhei o Reino dos Céus. Segundo o Velho Testamento, provavelmente deveria ter decepado uns quantos prepúcios incréus pelo caminho para aprenderem a lição, mas quero crer que nesse particular possamos tomar o Novo à laia de errata.
sábado, 28 de outubro de 2017
sábado, 7 de outubro de 2017
domingo, 27 de agosto de 2017
We have no more beginnings: "eu não sou racista/machista/homofóbico/fill-in-the-blank, mas"
Carácter bom pode existir em todos os tipos de personagem: uma mulher pode ser boa e bem assim um escravo, embora aquela seja talvez um ser inferior e este inteiramente vil.
domingo, 13 de agosto de 2017
O poder da significação
Avistar matrículas NU obsequia-me um prelúdio de ponta.
(e só agora me dou conta de que a presciência lúbrica e/ou jocosa do espírito regulador que viceja em qualquer espelunca habitada por um director-geral terá provavelmente coarctado (como gostaria de ler as actas dessa reunião) a lógica possibilidade alfabética do avistamento de matrículas CU por essas faixas de rodagem afora.
#hermenêutica
sexta-feira, 11 de agosto de 2017
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
domingo, 30 de julho de 2017
segunda-feira, 22 de maio de 2017
We have no more beginnings: Correio da Manhã
Mas se o sofrimento ocorre entre pessoas de família como, por exemplo, se o irmão mata, tenta matar ou faz qualquer outra coisa deste género ao seu irmão, ou o filho ao pai, ou a mãe ao filho, ou o filho à mãe, esses são os casos que devem ser aproveitados.
terça-feira, 25 de abril de 2017
quarta-feira, 15 de março de 2017
Confirmação Oficial: A Operação Marquês é o Aleph
Com esta, para os néscios, inesperada associação aos novos casos de legionella na Maia, creio já não existir qualquer margem para dúvida, nem para o mais metódico cartesiano, na identificação da Operação Marquês com um desses pontos definidos por Borges como "o lugar onde estão, sem se confundirem, todos os lugares do mundo, vistos de todos os ângulos". Não posso, portanto, senão fazer votos para que, na sua transcendência de quaisquer mundanos questionamentos, em jeito ou vai ou racha, sobre a potencial ruína emparelhada dos sistemas jurídico e político portugueses, o prazo de conclusão desta investigação seja prorrogado sine die. O prolongamento e sucessão ininterruptos de mais outras inquirições a concebíveis trafulhices socráticas é a nossa melhor oportunidade de identificar a natureza da matéria negra, localizar a Atlântida, , e descobrir onde é que a esposa devota que não tenho me esconde os chocolates.
sábado, 11 de fevereiro de 2017
We have no more beginnings: Ghost writer
Agora sim, todos vocês, prestem atenção, se vos agrada a sinceridade. Hoje o poeta quer repreender os seus espectadores. Afirma ter sido injustiçado, ele que lhes fez tanto bem.
De início não funcionava às claras, mas dava, às escondidas, o seu contributo a outros poetas, imitando a qualidade e a inteligência do adivinho Êuclides, e a estômagos alheios fornecia muitos achados cómicos. Passado esse tempo, decidiu-se a correr o risco às claras e por si próprio, segurando as rédeas de um bando de musas que eram só suas e de mais ninguém. E quando obteve benefícios e honra como nenhum outro alguma vez os conseguiu obter de vós, garante que o sucesso não lhe subiu à cabeça, que nunca se encheu de orgulho nem andou por aí a correr as palestras, no engate.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
That's not very nice
(e no entanto, se fosse um "equívoco" de programação programado, seria bem um exemplar perfeito do seguidismo mediático corrente (como fosse a única via para lá dos nichos de facção) procurando alinhar-se computorizadamente com a opinião pública dominante (calculada por um algoritmo com défice de atenção, aselha e encolhido, comensurando coisas como estatísticas a olho das redes sociais, gargantas fundas que não passem das amígdalas, e o ladrar da voz do dono), que incapaz de processar somente com um sorriso paspalho e um piscar de olho proxeneta a algo inesperada dissensão entre amor e ódio das reacções de diferentes grupos sociais aos prolixos legados de Mário Soares (figura que também fica na história por lá ficar desafiando a sólida correlação entre a inscrição nos anais e uma acção monolítica), tivesse matematicamente concebido como a única resolução viável do dilema fundi-las num só epíteto. Só faltaria saber onde guardam a máquina editorial...
sábado, 31 de dezembro de 2016
sábado, 29 de outubro de 2016
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
We have no more beginnings: No means yes
Ainda que deites mão da força, aprazível é essa força às mulheres;
aquilo que lhes apetece, muitas vezes é contrariadas que preferem dá-lo.
Toda a que foi forçada por um súbito arrebatamento de Vénus
colhe disso prazer, e o descaramento ganha o ar de um presente;
mas quando alguma pode ser forçada e se retira sem lhe terem tocado,
ainda que finja prazer no rosto, é triste que estará.
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
Swimming is easy when you're headed for the deep
terça-feira, 23 de agosto de 2016
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
We have no more beginnings: Mister Ed
Com um grito medonho se dirigiu aos cavalos de seu pai:
"Xanto e Bálio, famigerados filhos de Podarga!
De outra maneira pensai em trazer salvo o vosso cocheiro
para cá da chusma dos Dânaos, quando nos saciarmos da guerra,
e não o deixeis lá morto, como fizestes com Pátroclo!"
Respondeu-lhe debaixo do jugo o cavalo de céleres patas,
Xanto; de repente baixara a cabeça e toda a crina caía
solta da coleira junto do jugo até tocar no chão.
De fala o dotara a deusa, Hera de alvos braços:
"Pois desta vez te salvaremos, ó possante Aquiles.
Mas perto está o dia em que morrerás. Culpados não
seremos nós, mas um deus poderoso e o Fado tremendo. (...)"
quinta-feira, 14 de abril de 2016
Les beaux esprits
sábado, 20 de fevereiro de 2016
The ÜberUte that could have been
Bom, é capaz de já ser tempo de começar a arrumar um pouco melhor a casa. Sim, "camaleão", já sabemos, tudo bem. Mas como as metamorfoses não se equivalem, nem a mudança é um valor em si mesmo, pela minha parte, acima de todas, sói estar o fogacho brechtiano deste exasperantemente breve (talvez por isso imaculado, coisa estranha até ao seu património mais historicamente "importante") EP (até na capa nunca esteve com melhor aspecto, à homenzinho), simultaneamente uma espécie de canto do cisne e de ápice de carreira (até nisso, um move irrepreensível), e obviamente peça virtualmente desaparecida da sua discografia, naquela gestão criminosa do historial de tipos estupidamente prolíficos entalados pelo apelo de massas (qualquer coisa vagamente aproximável a o melhor Dylan de certas décadas ter ficado refundido em arquivos e respectivos bootlegs, cuja reabilitação oficial, não por acaso, se tornou a partir de dada altura o seu filão discográfico por excelência). Vamos ver quanto tempo se terá de continuar a esperar para ter uma reedição (nem um cd ranhoso para amostra) do Baal nas mãos, que não o vinil com que me deparei e açambarquei sofregamente (as lojas de vinil são uma selva darwiniana) em Dezembro passado (por que olhais para mim assim, ominosos?... Que vício metafísico).
Cantem-se, em querendo, todas as loas aos afãs proteanos, com certeza; mas eu cá, se o apanhasse a jeito nesta paragem, furava-lhe alegremente os pneus, atirava à socapa os malões com as fatiotas camaleónicas para o riacho (gender-bending sem a bilha a jogo é pra bananas), prendava-o com uma Pilsner refrescante e um monte de feno recheado de teutónic@s roliç@s (em jeito de pepitas de chocolate (branco)), e persuadia-o, emulando aquela velha nonchalance germânica, a deixar-se ficar por estas cercanias pelos tempos vindouros.
Aproveite-se, de boleia, para esclarecer que o Heroes é das canções mais sobrevalorizadas de sempre. É um bocado lamentável indexar preguiçosamente a posteridade do moço (chamar velho a alguém com o nome Bowie soa curiosamente a oxímoro, for some reason) a coisas dessas com outras tão melhores por onde escolher. Um pouco mais de esforço, vá. Eu ajudo:
sábado, 2 de janeiro de 2016
sábado, 19 de dezembro de 2015
Nuclear si ¡Por supuesto! Nuclear si ¿Como no?
Por falar em great opening lines. Que paroxístico bálsamo para o estiolar da vida deparar com coisas destas quando nos enfiamos no cinema à toa só para não regressar a casa em hora de ponta. Quer dizer, musicalmente (que, por uma vez, é o que menos me interessa) isto soa bastante menos curioso aqui do que ouvido no "El Futuro", por alguma razão; talvez fosse outra versão; talvez um efeito de contexto (não que lá soasse excepcional ou coisa que o valha, mas sempre indiciava a bondade da ocorrência do pós-punk como molde musical no seu tempo, que, a não ter existido, teria de ser (re)inventado, o que, como sabemos, dá sempre merda). De qualquer forma, logo com aquele intróito, a letra, essa sim (que faria bem melhor figura nuns walking dead do que aquelas xaropadas indie que ora por vez lá apanho a insuflar de pathos de pechisbeque uma série, ironicamente, tão cheia de si), apela imediatamente ao pequeno niilista que, check, continuo a albergar sob a bonomia do meu exterior bolachudo, aguardando tenazmente a sua deixa para me irromper peito afora.
As devidas gracias, pois, ao Luis López Carrasco, seja ele quem for, pela selecção, a trazer ao de cima o pior de mim, e já agora pelo objecto fílmico que a compreende. Não serei a pessoa do mundo com mais pachorra para filmes conceptuais (não que também ande com particular disposição para o comum da geringonça (peço desculpa, voltei a jantar ao som de telejornais) narrativa; não sei bem o que passa comigo), e sua tendência para servir pescadinhas auto-referenciais de rabo-na-boca em becos sem saída (cuidado, não pisem no pleonasmo metafórico), mas por isso mesmo é sempre uma surpresa muito agradável deparar com um dispositivo cinematográfico capaz de se abrir à vida, e isso na exacta medida em que exerce materialmente a consciência de que ela seja, em última análise, inapreensível; traço evanescente suspenso do fim da história, coisa para mais sem qualquer pedigree apocalíptico de pronunciamentos bíblicos; apenas a banalidade quotidiana do que incessantemente some em trânsito, como nunca tendo existido, entre cada ocaso e aurora (deprimido, eu, será? nahhh).
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Estava aqui para me suicidar, mas nem eu tenho problemas destes
«Voyage to England projected. No money; must get it. Have to be operated first: circumcision. It is of no advantage to go to foreign countries with such an evil not remedied.»
sábado, 1 de agosto de 2015
superbocksuperquê?
Bem mais episódico que uma lua azul, e acrescido dos limites da esperança de vida humana, o excelente Michael Mantler, com as suas inconfundíveis toadas em tom menor (que conseguem a misteriosa proeza de manter o meu interesse por meio século de pessimismo harmónico em circuito fechado), is in town, a revisitar (ênfase no prefixo) uma das suas maiores obras, para quem esteja disposto a conceder que um pouco de estrutura de quando em quando não atrofia necessariamente o jazz (sem nada contra o soltar free da franga), como o hexâmetro não sendo propriamente o estrangular da poesia.
Como (e apenas porque) já tenho o meu bilhete, também podeis vir; eu deixo.













































