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quinta-feira, 12 de julho de 2007

Liquidação

Há quem empregue o blog como caixa de ressonância. Eu gostava de pensá-lo como estação de reciclagem, sem o subproduto justificatório do processo sobre-industrial. O que tornava a bloga equiparável à acusação patologizante, favorecida pela persuasão romba dos contra-ciclos, de ambientalismo acéfalo. O que até há pouco tempo se apunha com bastante fidelidade topológica ao recorte da apreciação mediática de ambos os fenómenos. Mas o intimamente recompensador da metáfora (pseudo-reflexividade infra-pública leva-a o vento) seria finalmente tornar a bloga uma forma particularmente retorcida de desperdício virtuoso.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Assimetrias

A consciencialização dos viés de diferenciação e hierarquização social faz o que pode, e o que pode é ir-nos denunciando no mapeamento que fazemos das nossas incursões universo social afora, e o caminho porventura (mas apenas porventura) desvelará as margens terrosas. Dou assim por mim a verificar uma insidiosa e inescapável bifurcação na degustação das palavras dos blogantibus que aprecio: os presumivelmente masculinos tendem a injectar-me venenosa inveja, e os presumivelmente femininos deixam-me maior margem para refastelada admiração. Não sendo questão de diferencial de apreciação, só posso supôr encarreirar danadamente ainda na falácia de engendrar uma comparação da medida do self circunscrita aos presumíveis pares, como se de desporto de competição (é assim que se diz?) se tratasse (sendo que em xadrez também o fazem, para incredulidade minha). A única coisa que ainda me falta perceber é porque raio, nunca me tendo beneficiado antes, ainda envergo a fita métrica.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Danos colaterais

Este novo blogger associado ao google tem umas conversas mansas de que há uns privilegiados a quem "concede" especialmente o favor de os deixar mudar para a nova e melhorada versão do dito cujo, mas o que me apareceu anteontem à entrada do login foi algo mais do género, "já só voltas a entrar se mudares para o novo blogger". Pelo que me parece ter visto de experiências outras, a coisa podia ter sido bem pior. Ainda assim, mesmo sendo credor de porra nenhuma neste reino da borla, também não sou devedor de "privilégio" algum. Portanto: o novo blogger, operando a partir da obrigatoriedade de uma conta google, em geral associada à selecta palerma de um gmail, cheira-me funcionar desde logo nesse cruzamento de valências e dados como um panópticozinho de merda (fico já à espera de um acalentado shutdown). Tendo necessariamente feito a mudança, ainda que com apoio moral e experiencial a vazar a tentação da termination, constato danos. Há caracteres destrambelhados na barra de links. Dou-me também conta que as caixas de comentários anularam algumas identificações. Tento alterar o template e acabo por apagar o antigo, sendo que o novo não é tão directamente manejável, anulando possibilidades de arranjo pessoal. Retrabalho a barra de links e a coisa resolve-se minimamente. As caixas de comentários não se movem aos meus esforços. Sendo, simbolicamente e não só, constitutivo o que nelas se passou para o exercício desta empresa blogueira (a minha), o dano é um desconsolo e uma machadada pública (pá...). Aparentemente, quedaram-se os danos pelas mais recentes, mas deu para invocar uma noção periclitante do que vamos agregando em suportes contingentes à porção simbólica do nosso património pessoal. Conquanto a retenção de um sentido de presença vivida no escoar implacável do tempo se atenha a essa esquiva materialidade dos gestos e sua interpenetração, será caso para atentar, preventiva e mais genericamente, como os danos colaterais podem mesmo levar tudo.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Friends, bloggers, countrymen...

Parece que já não bastavam os balanços de fim-de-ano, em que toda a gente emproa na sua opinião como obelisco para prática onanista, atribuindo-se reputação pessoal para regurgitar listas de preferências sem uma nota que substancie em que se sustenta a validade (subjectiva e comunicacional) dessas preferências; agora anda praí uma votação ad hoc para "eleger" a melhor blogagem da praça.
Para cortar cerce a raiz do rumor que se iria espalhar célere a refogar a inquietação da nação, responsavelmente trato já de dissipar as dúvidas: não participarei no escrutínio. Creiam-me, não se trata de má-vontade, ressabiamento de mesquinho misantropo (I despise the little people - call me cretan), ou qualquer concepção autofágica da irreprimível tendência entrópica da blogosfera para a hierarquização e fechamento institucional (digamos assim) e editorial das possibilidades expressivas que lhe assistem. São mesmo dificuldades operativas.
Vejamos: primeiro, elogio em boca própria é vitupério, e tratando-se de uma votação, com os princípios lógicos que lhe assistem, só um candidato (como cada votante se torna) esquizofrénico, simultaneamente fajuto e cândido, poderia participar numa votação reconhecendo-se indigno da sua eleição e não votando em si mesmo, pelo que o facto de não se votar em si mesmo é necessariamente reflexo da natureza perversa de semelhante arremedo de plebiscito: lembrete de que há coisas que não são referendáveis. Daí, na face da minha imaculada honestidade (o meu pénis mede 26 cm), só poderia participar numa votação onde votasse em mim próprio em primeiro lugar, e com voto secreto... senão seria elogio em boca própria e seria vitupério. Na verdade, quem sucede infalivelmente em blowing is own horn é o autor da ideia, o que faz estruturalmente dos votantes algo de uns beneméritos involuntários, para lá de uma algo dissoluta ciranda de eleitorais passares da mão pelo pêlo, a risco de enrodilhar-se uma bola na garganta (hummm).
Em segundo lugar, as afinidades blogosféricas fazem-se por diversas razões, ideológicas, estéticas, ontológicas, epistémicas, bla bla bla, mas que acabam criando espectros de sociabilidade donde resultam redes que cumprem uma obrigação moral de reciprocidade, pelo que a sinceridade no voto implica uma perversa cuspidela naquilo que sustenta a teia blogosférica, o prato onde se come, o que é uma grande falta de educação e de higiene; e a insinceridade implicaria uma perversão dos supostos ditames valorativos (obviamente subjectivos e para além disso, neste formato, incomunicados, logo, criando uma mixórdia plebiscitária inescrutável nas motivações definitórias do que é o "melhor"... e ainda se queixam da pergunta do aborto...) que estarão na base na "eleição" dos "melhores" coisos e tal.
Em terceiro lugar, não posso voltar aos electrochoques antes de período de nojo de dois meses para os neurónios não se habituarem mal ao curte do body electric (o Whitman era um fofo, mas sabia lá...), o que indubitavelmente sucederia com o apelo irrestível à manifestação das minhas múltiplas personalidades para conciliar a atabalhoada hierarquia do reino (melhor blog; melhor blogger; melhor blog feminino; melhor blog masculino; melhor blog temático...: que saudades dos Óscares).
Em quarto lugar, isto faz-me lembrar perigosamente coisas como votações para "o melhor português", a animar a energúmena espinha da pátria que precisaria pelo menos de ter umas lições de estatística na escolaridade obrigatória para ter juízo. Não que a comparação pretenda sugerir que o futuro vitorioso esteja necessariamente próximo de ter uma vozinha de cana rachada e um fascínio saloio pelo que velam as saias de governantas.
Finalmente, o mais importante dealbreaker, e relembrando o imperativo de votar no próprio: para fazer o pleno e pretender ser também o melhor blogger feminino, necessariamente desvelar-se-ia que envergar vestidos (condição de elegibilidade para semelhante podium, presumo) me faz as ancas gordas. E pra isso, acima de tudo, a menos que o júri aceite como prova as minhas empertigadas man boobs, é que eu não estou...

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Tecnofilia reloaded

Portanto, e resgatando do jorro verbal o que motivou a obsessiva investida tecnofílica (finda) dos últimos dias, os posts que afinal suscitaram upgrade auditivo, e estão à vossa disposição, são os que versaram, com maior ou menor direccionalidade, as seguintes benquistas criaturas/criações: Syd Barrett, Arthur Lee, o Chico com o Milton (no raro "Primeiro de Maio"), o Buckley, Jeff, e os Pink Floyd (no remanso de "More").
O do Chico e o Shostakovich (no player na coluna do lado), aproveitem enquanto podem, já que dependem de mui escasso espaço no servidor, que apenas ocuparão provisoriamente.
Over and out (?) (I see metaphors...)

sábado, 30 de setembro de 2006

Tecnofilia (actualizado)

Mais um dia e mais uma vitória da pragmática empirista até a máquina de zeros e uns dar o berro: já descobri a pólvora de pôr a grafonola num post. Claro que não adianta de nada, porque nem sequer consigo voltar a entrar no servidor, pelo que será Shostakovich forever.
Mas as filias são o que são, pelo que compulsivamente deitei mão a outra opção que me havia sido sinalizada e daí anexei a alguns posts nos arquivos do olvido uns auxiliares auditivos, concebendo que daí o meu arrumar desgovernado de palavras resulte mais legível, ou mais risível (I'll go with the second).
Aos jovens vorazes do passado caquético a quem possa interessar o esgravatar arqueológico, os posts audivelmente recauchutados do momento são: sobre o Syd Barrett, o Arthur Lee, e mais umas associações mais ou menos a despropósito.
(e está visto que nem no meio dos bits a necrofilia podia faltar...)

Adenda em jeito de cruzar o Rubicão: mais um dia e (vá, digam comigo) mais uma vitória. Desta feita, conseguindo retornar ao servidor para uploadar(?!) música para o blog, a razão prática teve depois que batalhar com a escusa da própria razão informática (contida nos avisos do Blogger) em aceitar os ditames da minha intrépida empresa (e a Sara, com a rara gentileza, que tanto me agracia, de quem não pede dízimo e dá conselho mesmo aos tolos que se escusam ao pedido, vejo agora que confirma que o meu ímpeto rebelde contra o Blogger era mesmo a solução para pôr o ficheiro de som num post* - e só não cometo a pretensa gentileza de dizer que o descobri pelo exclusivo da sua palavra porque, 1. almas gentis não carecem de elogios fabricados, que apenas maculam por entre os claramente tão devidos, razão pela qual não poderia deixar de os mencionar 2. sou mais orgulhoso que galanteador (o orgulho pode permanecer, o galanteio fenece à vista da minha fuça), 3. o meu irmão jogava no 48 K o School Daze onde o bufo de serviço começava as frases delatoras com "Sir, I cannot tell a lie" e apanhei a mania psicótica, pelo menos hoje, 4. e em boa verdade foi a minha verve autonomista que me valeu um oh se lisonjeiro "That's my man!" - pelo que não terei que cobiçar em frustração uma maquia dos seus 15 MB. Não me escusarei contudo às mais que devidas muchas muchas gracias pelo gesto. É claro que podia ter estado simplesmente calado, mas com clamorosa visibilidade se denota que a minha compulsão verbal não deixa e o elogio da prestabilidade não tornaria razoável).
Portanto, contra toda a razoabilidade de "quem não sabe não faz", finalmente consegui pôr, justificadamente em jeito de glória, para (estou certo) o gáudio incontido de todos nós, em ficheiro de som a música Primeiro de Maio a acompanhar o post que havia (à data) uh postado sobre a notabilíssima canção do Chico e do Milton, a trespassar a formatação ideológica: escrevi na altura qualquer coisa sobre suspensão lânguida e quase ominosa. Ainda creio ser bem isso, mas faltava-me a materialização metafórica exacta daquela atmosfera quase líquida. Bastava-me ter prestado mais atenção ao delírio da última estrofe: a atmosfera da canção é de suspensão uterina, é o que é.
Oiçam, é o meu o conselho (e dou muito poucos - mentira).
Ora bardamerda, como só duas pessoas é que se deram ao trabalho de ler isto, comem mas é todos (os três, portanto) com a canção: viva o autostart (por um dia) e viva a minha pequena ditadura voluntária e consequentemente prestes a ficar exangue.

* e já agora acrescentemos à solução que, pelo menos na minha pragmática, precisei de seleccionar o código html (que saquei vendo o seu post em view html no Microsoft Frontpage)que põe o ficheiro de som no post e tirar-lhe a formatação com o botãozinho em forma de borracha na barra de funções da escrita de posts.

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Elogio da razão prática

Estava aqui a pensar se teria algum conseguimento biográfico para menorizar, mas o verbo não se aplica à minha sumamente rasteira narrativa.
Por isso recomecemos em registo de obtusa projecção (como convém): tivera eu escrito a Crítica da Razão Pura, tivera eu descoberto a pólvora, duvido que houvera ocasião para me inchar mais ufano.
Não sei nada teórico de Internet, html - parece que o empreguei, mas sigo sem imaginar o que seja - e, não obstante, na esplendorosa ignorância que torna cada sucesso um golpe de asa (e por esse vento segue bolinando a minha auto-estima), consegui pôr música aqui no pedaço (como devem ter notado, porque vo-la trompeteei sem aviso, e já justifico).
É verdade que a auto-congratulação não colhe em substanciar-se por si só, e não o teria conseguido sem o trilho divisado (para ligações netcabo) por Sara (que me perdoe a familiaridade, e "é generosa", certamente, mas como sou mocito campónio tímido e cabeçudo, se ela tinha explicado, caramba, não ia fazer-me desistente assinino(?) às 114 primeiras dificuldades, mesmo implicando ter que se seguir uma directa para realizar o trabalho que devia ter realizado nas horas que perdi com esta merda), a quem estou grato pela peculiar sageza de explanar um mapa mas obrigando(-me) a solucionar pragmaticamente os engulhos imprevistos ou não mapeados. Não será bem ensinar a pescar, mas talvez incentivar a intrujar o pescador para me entregar mais uma truta (descartando a leitura pérfida que a metáfora congrega) .
Contudo (parte de angariação indevida para outrém), internautas inocentes que queiram enveredar pelo mesmo caminho, cuidem que, afora os problemas que primeiro tive que resolver com a ligação de internet, a simplicidade das operações enunciadas requer assinalável espírito de desenrasca para resolver (e, no trilho enunciado, uma ligação de internet que tenha um servidor para criação de uma página pessoal, embora haja outras hipóteses). O melhor é mesmo prestarem devida (ó yes) vassalagem a Sara, otherwise, se forem nabos como eu, muito penarão (e sem certeza dos resultados a que chegarão: por exemplo, eu tão garboso no meu espelho mental do momento, por alguma razão que me escapa - I had, and have, to remain a dumbass somehow: keeping lowered expectations, you know the drill - só consegui pôr a grafonola no template e não num post).
Como pela primeira vez em muito tempo (desde que resolvi o bicudo problema da prateleira da máquina de lavar louça que não fechava porque estava um centímetro deslocada do encaixe) não caibo em mim de vaidade (not that there isn't room), comei com o ficheiro de som nos ouvidos logo a abrir, e se não gostam carregam no stop e já vão com muita sorte. Afinal, até sou internauta para saber que já há trampa demais nos arrabaldes para que a nossa indolência se dê ao trabalho de querer saber o que é bom para a saúde, pelo que a disponibilidade para o mundo pode muitas vezes já só residir na surpresa de um in your face; e, mais importante, já há muito que se faz questão de não facilitar o acesso a este pardieiro de feeble-minded weaklings (e assim se irá cumprindo o projecto que poderá voltar a pôr a minha razão prática inebriada com o éter do seu engenho: alienar todos os meus leitores - já estive mais longe... E pensando que tal implica que logicamente não haja medida de insucesso que não seja legível como sucesso, pelo menos neste reduto de subjectivização mais controlada fico a ganhar-me em todas as frentes, e, logicamente, o elogio da razão pura devém o conseguimento que se segue).
Acho que já chega de me passar a mão pelo pêlo. Pelo menos metaforicamente.
Self-deprecation and laments of myself will return shortly (até também já não me poder ler à frente - já estive mais longe...)

sábado, 1 de julho de 2006

Tempo de bola, tempo de bloga

É curioso como empestar a blogosfera com posts poderia configurar uma forma simbolicamente perfeita de protesto quanto ao forçado empestamento colectivo que a bola empresta a estes dias, não fôra o caso de ser um protesto absolutamente estéril nos seus efeitos controlados pelos receptores.
É bem triste verdade que as ditaduras são em grande medida uma questão de dispositivo.

sexta-feira, 2 de junho de 2006

A(s) prova(s) do(s) silêncio(s)

Buscava o mais possível a sobreposição transparente dos movimentos vitais a tabelar nas esquinas gramaticais no papel. Mas cedo se lia, na consciência mais presumivelmente próxima dos sentidos que procurara decalcar na linguagem, na incompletude do seu narrar aposta ao resíduo visceral e mnemótico. Rebuscou técnicas e páginas, penas e estratégias. Da seca recolecção do facto epidérmico, à depuração sensitiva ou cognitiva, declinou a saciedade de verdade à memória de quem quer remanescer presente. E ao atardar e retornar às presenças esconsas que grafava dos passados que transmutados vogavam tormentosos à fixidez de um registo, ressentia que era nos silêncios alvos entre os signos e as regras de os significar, que os confessionalismos possíveis sempre se acolitavam, ao abrigo de quem os presumira desnudar, dos dois lados da fronteira. Equívoco e líquido esquivo, reencontrou inverso conforto, assim permanecendo ao abrigo da invía visceral verdade da pequena liberdade de da sua língua não ser cativo.

quarta-feira, 10 de maio de 2006

In The Black Room

Cavalheiro a quem me apraz exercer dedicação, encarecida e justificadamente me preita que mude a negra cor de fundo deste tugúrio calcinado em tributo à sua legibilidade (bem a carece de raiz, quanto mais de forma). E diligente me abeiro do template e contemplo as cores, os formatos, as fonts, imbuído de não cristã mas dedicação não obstante. Mas no assomo do click, a cisão do clickador refulge, e ainda que com todo o corpo voluntarioso a investir o seu não menosprezável peso em pirueta acrobática em cima do botão do rato, vejo-me incapaz de servir com a justa acção quem me demanda.
Parece-me que o problema é simples (apelando à compreensão da visceral incapacidade do escrevente de vergar o gesto à vontade de mudança): tal como com o meu corpo, creio que seria incapaz de olhar para sequer a suspeita da minha alma às claras.

quinta-feira, 30 de março de 2006

Straight to the point

Hoje, dentre as várias apetências que já trouxeram indivíduos de motores de busca até estas páginas, calhou-me a mais admirável de todas: «videos gratuitos de coroas fazendo sexo». Nem mais. Há que admirar quem sabe definir com tanto rigor aquilo que quer (principalmente quando quer algo tão admiravelmente exquisite), e esta frase de busca, para o meu entendimento, é um tratado de precisão.
Claro que, infelizmente, não tinha para dar aquilo que a criatura cá vasculhava (podia filmar-me a mim mesmo, mas isso só teria um efeito equivalente para quem não aprecia o género e lhe associaria a mesma proporção de desagrado, pelo que, até dado o meu desabrido apreço por "coroas fazendo sexo", nunca poderia macaquear a singularidade da sua iconografia).
O facto de este viandante ter vindo cá parar é pois ilustrativo da bizarra produtividade do Google ao agregar palavras para corresponder às frases de busca, acabando por compor uma self-image destes espaços bem mais atractiva que os seus reais méritos. A frase composta pelo Google, a partir de fragmentos dos meus posts, que justificava a minha inserção nos resultados para tal busca era: «... pena tentarem assistir aos vídeos de performances guitarrísticas que ... outros descendentes de primatas vão fazendo os seus barulhos ... homossexuais (do mesmo sexo, já agora), mas acha ... ».
É verdade que a montagem da frase podia ser um pouco mais limada (qualquer coisa como «tentem assistir aos vídeos de performances guitarrísticas que outros descendentes de primatas vão fazendo com os seus barulhos homossexuais (do mesmo sexo, já agora)»), mas mesmo assim resulta desanimador verificar que um motor de busca podia ocupar-se da redacção destas páginas com maior proveito para todos.

domingo, 26 de fevereiro de 2006

Contraponto

Ao invés das litanias virtuais, a blogosfera também pode ser uma amplificação refractada da solidão.

Séries blogueiras (3)

Estiolaste cedo, companheiro.

Séries blogueiras (2)

(get it?)

Séries blogueiras

Ando com a pulsão de acrescentar números de série a quase todas as postadas, que o mais fatal será quedarem-se em série de um, mas que não resisto a enunciar, como que prometendo ou desejando a sua sequência.
Descobri que o problema não é tanto eles darem uma bela série. O problema é a circunscrição da imaginação, cativa do ser estagnante que a retém. Sempre soube que, qualidade fora, nunca teria muitos posts (e títulos) para dar. Recauchutar em vias formatadas conforma-se a única senda do possível futuro.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Por Vós - 100 Posts

É fatal: de cada vez que passa um dia sem uma postada, chusmas e chusmas de mensagens enxameiam e obstroem (?) a morada de correio electrónico, entre suplicantes "não deixe assim desamparado o embevecido leitorado" (se fosse o do King's College, com certeza) e o inflamado "que raio de maneira é esta de falhar ao cumprimento da legislação metafísica do serviço público ao leitorado?!".
Ora, sucede que chego a este ponto após um desvario editorial que me levou a desperdiçar 4 posts num só dia 1 de Fevereiro, quando nas boas semanas só me surge um (tamanha imprudência deve deixar a minha economia de postagem à míngua por um mês, mas para ter economia de postagem é preciso mais vida que a que carrego, por isso, what the hell). Tendo em conta que na intentada imputação de uma ditadura moral à leitura deste espaço, é imperativo moral a precedência de cada post relativamente ao seguinte, e se deve vergar à ignomínia quem não depositou o olhar dedicado ao que precede esta elegia, convenhamos que tínheis fartura com que vos entreter. Que isto, atenção, não é para polinizadores levianos - só devotos recolectores daqui podem acartar frutos, as causas psiquiátricas do que, nos são absolutamente estranhas, e as consequências psiquiátricas do que, igualmente (e viva a pseudonímia).

Mas vamos ao que interessa, a espelhar como a minha exigência quasi-keiseriana impotente absolutamente contrária às regras do bom blogar brota da minha infinita dedicação por vós. Sim, vós.

Minhas queridas e queridos devotos leitores (sim, here's looking at you kids, este é especial de corrida para cada um de vós 5).

É verdade, este é o centésimo post.
Pensarais vós, como eu, que não se esperaria lá chegar.(?)
Pensarais vós (remanescentes e magnânimes estóicos) ainda melhor, como eu, que não se deveria lá ter chegado.(?)
Pois, chegou-se. Facto lamentável, mas irreversível, que deveremos encarar com a placidez das ruínas irrecuperáveis e a fatalidade do empreendimento humano na chafurdice inútil.
Mas outorguemos-lhe dignidade. Aqui a medida da dedicação neste percurso improvável: quando publico um post, invariavelmente me surgem no sitemeter (fazendo explodir as visitas diárias até dois dígitos) hordas e hordas de cibernautas de países de anglo-saxónica persuasion (ou que a ela se dedicam na blogagem), certamente apanhando o nome do blog nas actualizações que vão aparecendo no Blogger. Chegados a um panorama de esquartejamento da língua portuguesa (ainda assim, em língua portuguesa), claro, dão de frosques. Mas tal sugere que, estivera eu na disposição (assaz aparente) de em anglo-saxónica linguagem decantar todo este lodaçal proto-retórico, e o meu universo de leitores multiplicar-se-ia (indubitavelmente) exponencialmente (fazei vós as contas, que deixei a calculadora mental na noutra garrafa de grogue).
Por isso, espero que tenhais isto em conta na leitura do obrar (sem(?)) que ora e ora vos dispenso: é de uma dedicação sem limites, no sacrífico da quantitativa audiência que poderia decair sobre este espaço, qual dilúvio bíblico.
Só por vós, me quedo nesta leda quietude.
Nunca o esqueçais, camaradas.
You see, - proferiu solene, no pesar valoroso do destino transmutado vontade por voluntarioso abraço- I could have been huuuuge.

Acrescento - esta postada é uma reconstituição da postada primeira do mesmo título e temática que publiquei há uma hora atrás e que por conspiração cibernauta ou cibernética insondável foi apagada.
Duas coisas: (1) acautela-te pulha, que quando acabar o curso gratuito via net do MIT vou-te caçar. (2) não confiem (somente) em dispositivos cibernáuticos para guardar postadas.
É tudo. Carry on.

A blogosfera as some presumed to know it (2)

Numa altura em que do cochicho ao boato à onda de choque se anuncia com secreção de sucos intelectuais o advento (personalisticamente bizarríssimo para o meu pobre entendimento, confesso) do Vasco Pulido Valente à blogosfera (que começou ainda antes de o cavalheiro ter texto escrito), alguém finalmente sinaliza esse movimento com um bocadinho de distanciado bom-senso: here here, no elogio (certamente) e na inquietação (a pedra de toque).
Se eu recuperar alguma massa cinzenta, algo mais haverá a dizer sobre o assunto. Entre as possibilidades e a efectividade de funcionamento das redes blogosféricas, vejo muitos sinais de fechamento social, de que a receptividade pavloviana antecipada ao high-profile de escribas já instalados no espaço público formal é indicador significativo.

(falamos de efeitos sociais, claro: nada a objectar, obviamente, à decisão individual de cada escriba se espraiar também por este meio de ressonância - indicador de algo também, possivelmente no fechamento discursivo do espaço público, mas a pedir mais inquirição)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

Forward, march!

No meu perfil misantropo auto-infligido já confessei ter pouco interesse (por variegadas sensibilidades e justificações) e, já agora, conhecimento (confessemos), pela generalidade do que se passa por essa coisa blogosférica afora (como se denota pela esquálida - e, e, - barra de links). Agora, quando a vejo como espacialidade nova para aprofundamento dúplice de arregimentações de rabo mal escondido ("Dia de reflexão", "sem motivo aparente"??... Certo!...), de repente, pseudónimos mansos, inconsequência e meia dúzia de leitores parecem-me um bom lado para se estar.
A blogosfera as some presumed to know it (já?) não é o que pareceu.

(esclareça-se que nada me move, pessoal ou intelectualmente, contra o cavalheiro aparentemente meio visado nestes dois posts mais recentes, facto singelamente explicado pelo meu consumo frugal de blogadas: foi o que calhou. E cavalheiro apenas aparentemente visado porque, de facto, me interessa como indicador de certas características sociais da configuração blogosférica, não como alvo per se: no caso desta arregimentação podia aliás escolher links de uma diversidade de outros blogs que postaram a memória do mesmo encontro; embora, pelo hexis corporal na representação iconográfica, não haja muita incerteza quanto à nomeação do patriarca dessa família (re)composta)

My name is...

Muito se discute sobre pseudónimos e insultos gratuitos e abusos de liberdade discursiva (e caixas de comentários) nestes espaços virtuais. Mas é (em moto pseudónimo o digo) discussão não muito pertinente: a credibilidade de quem gere personas ou não-personas para a impunidade obviamente não se sustém, é insulto ao próprio, e constitui até indicador de certa rasteirice e estatística de lobotomias nacionais às quais a sua manifestação nos permite estar alerta.
Parece-me bem mais interessante a gestão dúplice da condição personalista de quem se instala simultaneamente no mais formalizado espaço público e no mais informal e recolhido da blogosfera. Repare-se como ela permite desdobramentos discursivos, tais como alguém que se leva a sério na vida pública (e se faz levar a sério na vida pública) se sentir confortável para exibir de forma algo lamentável , em discurso "sério" (precisamente porque personalista), certos revolvimentos do instinto político.
Reparei que o autor apagou alguns dos comentários ao seu post (nenhum meu, esclareça-se). Estou certo que teve bons e sensatos motivos para o fazer. Parece-me que também devíamos estar disponíveis para repensar mais vezes os posts que nos fabricam neste planisfério. Nunca é tarde para o arrependimento (sem cangas ideológicas ou teológicas aqui ao meio, atenção). É também a diferença entre a inconsequência chocarreira e a vera seriedade (para mimetizar dicotomias), principalmente quando esta é evocada para justificar o insulto.

(como os exercícios de seriedade - salvo seja - de pseudónimo exigem muitas cautelas, acho que também devo esclarecer que não sou o sapo com óculos, e na verdade apenas posso adivinhar quem ele fosse/seja, dada a sua não nomeação pelo autor - o que também pode ser indicador de algo que não abona em favor do dito. A menos que fosse a subtileza retórica para "proteger" - do próprio autor - o próprio "sapo" no seu nome próprio, ou para deflectir reprovações como a que ora se propõe. O que também...)

sábado, 19 de novembro de 2005

Contagem Borgesiana

Iniciou-se ontem, ao seguimento desta senda, o doravante contínuo e inexorável afogamento dos escritos que começaram a configurar um espaço, este, uma persona, a que aqui debita um falar.
Ontem, mais uma parte da sua existência começou a ser arquivada.
Doravante, o seu remanescente respirar é por nova via relembrado da pertença de seus frutos aos registos do olvido.
Ahh, arquivos... se fosseis tão somente metáfora, que não metonímia.