domingo, 11 de junho de 2006

Os nomes do elitismo (cerrado temático, ainda na bola...)

Já não o é, de longe, com virtualmente todas as elites sociais a apregoarem a sua devoção futebolística, de selecção ou clube, mas mesmo quando o futebol era desdenhado pelas elites sociais, isso não equivale logicamente a uma associação liminar da repulsa pelo desporto organizado a uma manifestação de elitismo (real ou representado).
Considerando que não são só as elites a poder produzir enunciados teoricamente elitistas, a minha propalada desconsideração por desportos organizados, tais como futebol, não é de forma elitista nos seus intentos. O problema do apodo elitista é que assume um realismo presente no qual a demarcação de uma devoção de massas só cumpre um efeito presente possível, que é a própria distinção social. Mas há que ver nessa demarcação a possibilidade de um desejo de transformação social, que pode tornar um enunciado realisticamente elitista num enunciado utopicamente populista.
Pela minha, parte, não tenho dúvida quanto aos meus intentos: não suporto futebol, anuncio-o, e muito gostaria que as massas concordassem comigo (as buzinas que insuportavelmente acompanham o meu teclar e desejaria silenciadas constituindo prova cabal).

4 comentários:

Eduardo disse...

Eu estou contigo. E devo ser o único português a escrever em caixas de comentários à hora do jogo...

julinho disse...

Well, let us be two (e a utopia fica um pouco mais perto).
E o Mallick era logo às 21:15. Nem para isso a merda do Mundial me serviu...

laranja disse...

caras, que se passa com vocês? o jogo são só duas horinhas... qual é? não dá para liberar geral não?

julinho disse...

Ô mermão, fala sério, vai. Ainda tem algo mais para liberalizar? Nem um pagagaio resmungando quase sozinho no fundo de um blog de 6 leitores pode interferir com a histeria inescapável no território? Ah, vamo cara, dá uma liberada você, que eu careço bem mais...