quinta-feira, 8 de março de 2007

Dá-me biscoitinhos, Ivan Petrovich

É muito esclarecedor da necessidade de incitar metodologicamente a produção de conhecimento, só apercebermos pelos automatismos deslocados dos gestos (fora do contexto de hábito) a correlativa deslocação desapercebida das preponderâncias estruturais em que se vai inscrevendo o nosso quotidiano. Hoje ficou reflexamente comprovado que, ao contrário do meu hábito ancestral, devo andar muito saído do habitáculo: estando nessa penthouse heffneriana a que chamo lar, depois de lavar as mãos na casa-de-banho (mas para que é que agora estão a pensar nisso?, eh pá, com um intróito logo assim tão pseudo-algo para vos elevar o espírito inquiridor, para que é que tinham que encarreirar nessa cogitação profana?, como que, assim, tipo arremetendo-vos salivarmente - ahhhh, por isso... pois, já percebi, perdão, não voltarei a duvidar de vós... ou antes... tinham mesmo que me antecipar o argumento, não?... chiça, mesquinhos...), dizia eu, depois de lavar as mãos na casa de banho em casa, tive um segundo de hesitação em que fiquei à espera que a torneira se fechasse sozinha.

9 comentários:

Eduardo disse...

tinha piada era se te tivesses babado... sem ofensa, claro.

Anónimo disse...

Gostava de ser mosca era no dia em que, num impulso igualmente estruturado, mais mais freudiano, alucinasses sobre um par de chinelos aos pés da cama, que não os teus.

julinho disse...

Eduardo?, pequerrucho!, vem cá!, és mesmo tu?! Eu sabia que não andavas perdido! Ainda bem que encontraste o caminho e não foste apanhado por ninguém senão tinha que pagar a recompensa de 25 cêntimos que anunciei nos cartazes de "Procura-se". Na verdade até me babei, quando vi o teu comentário. Depois li-o, e passou-me. Voltei ao síndrome de bloguista abandonado, assim, sem uma desculpa, sem um «vou ali ao quiosque comprar uma integral de Shostakovich». Cachorro.

Eduardo disse...

Yesterzinho, filho, eu nunca andei perdido, eu sempre estiver aqui. Estava era caladinho.

(Noutro sentido, perdido é o meu estado permanente, mas isso são outros 500)

julinho disse...

Eduardão, (pai, já seria um bocadinho demais, can't get kinky all the way), não estava a articular sobre a tua possível presença/ausência, apenas sobre a tua não-manifestação. Por um lado, ainda não estou assim tão eficazmente benthamiano. Por outro, a pressupôr algo do silência, o mais plausível seria deduzir-te oculto atrás das colunatas e nunca ausente, pelo dogma da ubiquidade do Agrafo. E, para além disso, muito menos te pressuporia assim tão exteriorizante e amante do banzé que tivesses que fazer a tua presença sentida a toda a hora.
Quanto a "seres" perdido, noutro sentido, diria que o silêncio pode ser indicador de alguma instância de encontramento. Eu pelo menos fico mais perdido (concebendo que a gradação ainda se aplica) quando me abeiro deste buraco negro. Mas isso são outros blowing my own horn, e a questão era só saudar a tua corneta. (credo)

Eduardo disse...

"oculto atrás das colunatas" é fixe.

julinho disse...

É para combinar com o teu classicismo heterodoxo. (cof cof). E é pavloviano, eu sei, mas "fixe"? Exactly quão "perdido" andas tu?...

Eduardo disse...

Classicismo heterodoxo? Classicismo? Mas qual classicismo, filho?

"Oculto atrás das colunatas" quase consegue superar "acossado pelos faróis que iluminam o arvoredo". Estou fascinado.

Perdido como em "perdido de casa", Yestervitch, "perdido no mar", "perdidos e (não-)achados". Ai, espera, a pergunta era quão e não como. Bom, olha, agora já está, não vou apagar aquela merda toda. Muito, portanto. Imenso. Completamente. Não, completamente não. Não estar nada é bom, estar completamente é óptimo. E depois há isto.

julinho disse...

Pimba na gorduchinha.