quinta-feira, 30 de março de 2006

Straight to the point

Hoje, dentre as várias apetências que já trouxeram indivíduos de motores de busca até estas páginas, calhou-me a mais admirável de todas: «videos gratuitos de coroas fazendo sexo». Nem mais. Há que admirar quem sabe definir com tanto rigor aquilo que quer (principalmente quando quer algo tão admiravelmente exquisite), e esta frase de busca, para o meu entendimento, é um tratado de precisão.
Claro que, infelizmente, não tinha para dar aquilo que a criatura cá vasculhava (podia filmar-me a mim mesmo, mas isso só teria um efeito equivalente para quem não aprecia o género e lhe associaria a mesma proporção de desagrado, pelo que, até dado o meu desabrido apreço por "coroas fazendo sexo", nunca poderia macaquear a singularidade da sua iconografia).
O facto de este viandante ter vindo cá parar é pois ilustrativo da bizarra produtividade do Google ao agregar palavras para corresponder às frases de busca, acabando por compor uma self-image destes espaços bem mais atractiva que os seus reais méritos. A frase composta pelo Google, a partir de fragmentos dos meus posts, que justificava a minha inserção nos resultados para tal busca era: «... pena tentarem assistir aos vídeos de performances guitarrísticas que ... outros descendentes de primatas vão fazendo os seus barulhos ... homossexuais (do mesmo sexo, já agora), mas acha ... ».
É verdade que a montagem da frase podia ser um pouco mais limada (qualquer coisa como «tentem assistir aos vídeos de performances guitarrísticas que outros descendentes de primatas vão fazendo com os seus barulhos homossexuais (do mesmo sexo, já agora)»), mas mesmo assim resulta desanimador verificar que um motor de busca podia ocupar-se da redacção destas páginas com maior proveito para todos.

7 comentários:

Eduardo disse...

Escreve meia dúzia de palavrões nun curto espaço de tempo (por forma a que todos eles fiquem na página de entrada do blog, por exemplo, ou todas no arquivo do mesmo mês) e vais ver o que te aparece. Observar — deleitar-me! — com as manifestações repudiadas de intimidade que as pessoas despejam, de forma felizmente anónima, na web, pode ser um divertimento tão delicioso quanto perverso, passe o pleonasmo. Eu, graças a um relativo, embora ocasional, destravamento verbal, tenho uma colecção de frases de busca capazes de, digamos, fazer corar um carroceiro.

julinho disse...

Chiça, pá, tens que ser melhor em tudo, até na atracção luminescente de traças depravadas (sim, eu sei, isto é um subtexto e reconfirmação da minha condição) (e atenção que videos de coroas fazendo sexo é apenas good wholesome fun). Infelizmente sou moço publicamente recatado, que só faz desaguar as intimidades no anonimato e que, olha, precisamente foi ter à Terra Habitada com a frase de busca «fotos gratuitas de tesãozinho unicelular em fornicação com sua duplicação ectoplásmica». Por uma vez o resultado da busca não me desiludiu (talvez porque não soubesse o que buscava).

Eduardo disse...

A tua conversão da minha auto-depreciação em encómios foi surpreendente. Deixastte-me sem palavras. Congratfuclinglations.

Eduardo disse...

Congratfuckinglations era o que eu queria escrever.

E Deixaste-me.

O resto está bem.

julinho disse...

Considerando que deixar-te sem palavras seria provavelmente do pior que podia acontecer, espero que seja estado mui passageiro.
E nunca me tinham congratufuckinlated. Estranho. Mas acho que gostei.

Eduardo disse...

A culpa é, claro, toda tua!

julinho da adelaide disse...

Oh my... What can I do to make it better?...
(antes que tenha que me chatear?...)