sábado, 10 de dezembro de 2005

Prazeres rarefeitos

Diospiros maduros no ponto, colhidos do diospireiro na horta, derramando-se, descaindo as defesas do sarro, ofertando-se na doce e dissoluta textura, entrecortada na surpresa de firmes gomos gelatinosos.

(não há diospiros, Diospiros, de mercado. Cada diospireiro que morre na paisagem anormalizada é um mundo puro de sabor desaparecido. Não sei se procurarei reencontrá-los entre essas obscenas reproduções, quando me estiverem interditos. Sei que na raridade desse pleno e fugaz encanto perdido me apetecia viajar os 180 quilómetros que me separam da árvore para ver se haveria um para partilhar com quem padece do mesmo sortilégio).

(o diospiro, Diospiro, bendito seja, continua a ser delicioso para lá do ponto, mesmo demasiado passado, mesmo desfeito: às vezes é a única forma de ultrapassar o sarro)

(diospiro, tem no Brasil, chama-se caqui. Alguém tem obrigação de comê-los por mim)

3 comentários:

Ana de Amsterdam disse...

Querido Julinho,se eu la estivesse, com certeza o faria em sua homenagem (ainda bem que voce traduziu para brasileiro no fim da posta porque eu estava boiando nesta de diospiro)

Walrus disse...

Diria que mesmo sem ter entendido até o final do texto o que significava a dita iguaria já estava louco para "diospirar". Viciados em diospiros (caquis) do mundo, uni-vos!!!!

julinho disse...

'magina Ana, deixar você fora do sentido... tinha que "traduzir". Se os tiver ainda na árvore por essa época, comerei eu por ti (entre os frutos, só mesmo esse para tentar colmatar a tua ausência, minha fugidia...).
Caro, walrus, falou e disse. Entre as causas espúrias e mal-consequentes do mundo, não sei se não se justifica tal frase de ordem para fim tão nobre e necessário e ameaçado. Viciado nº1 se apresenta...