segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

aaaarrrrrgggggghhhhhhhhhhhh

Eloquência para quê?
Tudo foi dito (as abstracções de esquerda fazem controlo de danos e rezam a uma qualquer nossa-senhora pela azelhice da física dos estilhaços; as abstracções de direita exibem mais ressabiamento que contentamento de moto próprio - a excelência retórica do "toma lá que já comeste" - em delicioso paradoxo de agregação mal-resolvida com a história e o seu estatuto ideológico).
Tudo está feito (o PS comido pelas suas estratégias trapalhonas de quem nunca viu um episódio da West Wing - Sócrates não me cheira a mais que aprendiz de feiticeiro, apenas geriu a incúria duvidosa em que deixou o assentamento partidário nas presidenciais instalar-se, a menos que, conjectura a não tardar confirmação, de facto Cavaco seja para Sócrates the man; a direita continua francamente onde estava, o PSD de mãos atrás das costas, sem saber que fazer de uma vitória que, ou é meramente simbólica, ou habilita o país a uma crise institucional, palavrão pelo qual ninguém se quer responsabilizar; o CDS reduzido a sigla da vacuidade e subserviência política - mui eficaz para o caso, sem dúvida, mas o longo prazo logo dirá de si) .
Eu estou feito.
Um certo país está feito.

Terramoto institucional? Dificilmente. Mas o conservadorismo e por vezes reaccionarismo (?) ou pior (como o nacionalismo de direito de sangue que lhe escapou, oops, da pretensa vacuidade ideológica, bela estratégia, parabéns) do novo senhor das pequenas coisas pode tornar improfícuos pequenos grandes gestos para contribuir para "minima civilizacionalia" deste pedaço de território. O país contente chama-lhes questões fracturantes ou minudências do povo calão, concebe a política como exercício tecnocrático que precisasse de talas no focinho para nele se centrar, e descarta direitos sociais (direitos, senhores) como excrescências particularistas. Bravo.
Eloquência? Extraordinariamente, ainda a há, com suma elegância. Eh pá, mas neste panorama retórico, por incapacidade e debilidade, I'll just rotten up with the rest (no mau sentido). Olhem: bardamerda...

12 comentários:

Eduardo disse...

Obrigado, obrigado... Acho.

PK? disse...

Alguma esquerda se endireitou...pode ser um bom serviço ao PS. Foda-se! Avante, camaradas !

julinho disse...

Achas bem (da minha parte). Ainda que acompanhe sensata essa dúvida metódica. Ou não metódica, particularista (eu não sou de fiar).
Mas a Agrafo o que é de Agrafo. E como não há caixa de comentário, e tenho mais que fazer que mandar-te mails de elogios (que pepineira), saiu esta terceira via (got ya). E mais não digo, que, claro, seria elogio em poiso impróprio. E ainda tenho muitos rotten ups to endure.

julinho disse...

pk?, esse aaarrrggghhh saiu ainda mais visceral. Isso é tudo para levar à letra?

Eduardo disse...

Pode ser insultos, também, eu não me importo.

julinho disse...

Certamente. Nada como um bom insulto (sublinhe-se o "bom" - os devidos cultores dessa mal-tratada arte são uma via em extinção). Mas tudo o que é bom também corre o risco de cansar, pelo que um elogio que por aqui perpasse sempre cumpre um propósito purificador para os insultos futuros encontrarem campo de esplendor renovado para arrasar. Mas ainda não estou capacitado para voltar a essa labuta: essas calças são muita giras, pá. Compraste na Zara, foi?

Eduardo disse...

Não, por acaso foi na Springfield. E eu não estava a instar-te a insultares-me, creio que já estamos perfeitamente à vontade um com o outro para partir para o insulto sem sem grandes cerimónias. Estava só a lembrar que é uma possibilidade que também não me desagrada. Estava só a fazer conversa. Prontch.

julinho da adelaide disse...

Poich. But of crosse. No entanto, acho que também já estamos suficientemente à vontade para requisitar um insulto quando a gula dá a guinada masoquista. Claro que se a outra parte se encontra em parte sádica, fatalmente se desenha a non-compliance. Mas isso já tem barbas. Sim, a imprevisibilidade da imprecação será certamente melhor.
Ah, bem me parecia, as costuras na Zara são uma desgraça: estropia-se-me a camisola todinha num ano. Ai queridas sandálias do Guimarães. (já isto, como é óbvio para o keen eye, não é fazer conversa)

Eduardo disse...

O problema nem é bem com as costuras, é com a durabilidade das cores. Aquilo são calças que vão duas vezes à máquina e acabou-se. E desbotam em três tempos no sítio do bolso onde estão as chaves. É horrível. São baratinhas, mas não valem a pena.

julinho disse...

Ahhh. É que eu nem chego aí: é logo as costuras. Um pouco mais de meneio nas ancas e lá se vão os fundilhos. Sempre me podiam dizer que tenho proporções aberrantes de maneira mais simpática. Sacanas eugenistas.

Eduardo disse...

Olha... eu sinceramente acho que vou passar. Não me parece que comentar este teu último comentário desse bons resultados. A sério que não.

julinho da adelaide disse...

Não percebi essa dos "bons resultados". De qualquer forma, compreendo-te. O efeito de mencionar as minhas ancas segue fatal e infalível.