sábado, 30 de setembro de 2006

Tecnofilia (actualizado)

Mais um dia e mais uma vitória da pragmática empirista até a máquina de zeros e uns dar o berro: já descobri a pólvora de pôr a grafonola num post. Claro que não adianta de nada, porque nem sequer consigo voltar a entrar no servidor, pelo que será Shostakovich forever.
Mas as filias são o que são, pelo que compulsivamente deitei mão a outra opção que me havia sido sinalizada e daí anexei a alguns posts nos arquivos do olvido uns auxiliares auditivos, concebendo que daí o meu arrumar desgovernado de palavras resulte mais legível, ou mais risível (I'll go with the second).
Aos jovens vorazes do passado caquético a quem possa interessar o esgravatar arqueológico, os posts audivelmente recauchutados do momento são: sobre o Syd Barrett, o Arthur Lee, e mais umas associações mais ou menos a despropósito.
(e está visto que nem no meio dos bits a necrofilia podia faltar...)

Adenda em jeito de cruzar o Rubicão: mais um dia e (vá, digam comigo) mais uma vitória. Desta feita, conseguindo retornar ao servidor para uploadar(?!) música para o blog, a razão prática teve depois que batalhar com a escusa da própria razão informática (contida nos avisos do Blogger) em aceitar os ditames da minha intrépida empresa (e a Sara, com a rara gentileza, que tanto me agracia, de quem não pede dízimo e dá conselho mesmo aos tolos que se escusam ao pedido, vejo agora que confirma que o meu ímpeto rebelde contra o Blogger era mesmo a solução para pôr o ficheiro de som num post* - e só não cometo a pretensa gentileza de dizer que o descobri pelo exclusivo da sua palavra porque, 1. almas gentis não carecem de elogios fabricados, que apenas maculam por entre os claramente tão devidos, razão pela qual não poderia deixar de os mencionar 2. sou mais orgulhoso que galanteador (o orgulho pode permanecer, o galanteio fenece à vista da minha fuça), 3. o meu irmão jogava no 48 K o School Daze onde o bufo de serviço começava as frases delatoras com "Sir, I cannot tell a lie" e apanhei a mania psicótica, pelo menos hoje, 4. e em boa verdade foi a minha verve autonomista que me valeu um oh se lisonjeiro "That's my man!" - pelo que não terei que cobiçar em frustração uma maquia dos seus 15 MB. Não me escusarei contudo às mais que devidas muchas muchas gracias pelo gesto. É claro que podia ter estado simplesmente calado, mas com clamorosa visibilidade se denota que a minha compulsão verbal não deixa e o elogio da prestabilidade não tornaria razoável).
Portanto, contra toda a razoabilidade de "quem não sabe não faz", finalmente consegui pôr, justificadamente em jeito de glória, para (estou certo) o gáudio incontido de todos nós, em ficheiro de som a música Primeiro de Maio a acompanhar o post que havia (à data) uh postado sobre a notabilíssima canção do Chico e do Milton, a trespassar a formatação ideológica: escrevi na altura qualquer coisa sobre suspensão lânguida e quase ominosa. Ainda creio ser bem isso, mas faltava-me a materialização metafórica exacta daquela atmosfera quase líquida. Bastava-me ter prestado mais atenção ao delírio da última estrofe: a atmosfera da canção é de suspensão uterina, é o que é.
Oiçam, é o meu o conselho (e dou muito poucos - mentira).
Ora bardamerda, como só duas pessoas é que se deram ao trabalho de ler isto, comem mas é todos (os três, portanto) com a canção: viva o autostart (por um dia) e viva a minha pequena ditadura voluntária e consequentemente prestes a ficar exangue.

* e já agora acrescentemos à solução que, pelo menos na minha pragmática, precisei de seleccionar o código html (que saquei vendo o seu post em view html no Microsoft Frontpage)que põe o ficheiro de som no post e tirar-lhe a formatação com o botãozinho em forma de borracha na barra de funções da escrita de posts.

13 comentários:

Eduardo disse...

Ando a ouvir o Shostakovitch à bruta (comprei as sinfonias e os quartetos de cordas todos) e estou maravilhado. Já agora: aquele que tens a tocar ali na barra lateral toca-se a ele próprio ou a interpretação é da autoria de alguém? Não será pelo Brodsky Quartet nem nada? Hein?

julinho da adelaide disse...

Bem apontado (mea culpa). Por acaso está indicado no nome do ficheiro, mas não no frontispício. E também por acaso (indecente) é pelo Rubio Quartet, porque era o que tinha a integral aos preços escandalosamente baratos da Brillaint Classics. Mas, também por acaso, claro, comecei por ouvir este quarteto (a "minha" primeira obra shostakovichiano completa - o primeiro teaser foram 5 minutos estonteantes da Sinfonia Leningrado extraídos num CD de amostras de uma revista há muito extinta sobre música clássica) na edição da Naxos - também ao preço da uva mijona, obviamente - que acho, porque não a tenho comigo, que é pelo Éder Quartet, e é uma interpretação mais incisiva e dramática (if possible). O Brodsky Quartet, estou certo que seria óptimo, mas cheira-me que isso deve ser way out of my league. Só posso pagar para os ouvir a dar musiquinha ao Elvis Costello... Não me digas que tens uma integral dos quartetos por esses caramelos? Hein?

Eduardo disse...

Acabei de comprar, há dias, e chegou na sexta-feira pelo correio, a integral de quartetos de cordas do senhor pelo Brodsky. Ao preço da uva mijona na amazon. Ainda quase não lhe peguei e, embora tenha ouvido o 3º, ainda não o conheço com o pormenor para que a minha dureza de ouvido detecte, assim sem mais, as diferenças de interpretação com este que aqui tens no teu estaminé.

Também mandei vir a integral das sinfonias, pela London Philarmonic dirigida por um tal de Bernard Haitink. Pelas críticas que li, estão entre o bom e o de referência e a qualidade do som não denuncia o preço miserável que paguei pelos 11 CD (que ainda incluem mais 2 ou 3 obras mais pequenas).

Eu do Shostakovitch só conhecia os concertos para piano, de que gosto tanto que enjoei, há uns tempos atrás. Agora, com a efeméride, deu-me para ir à procura e, ao deparar-me com as pechinchas, não resisti. Pela amostra, parece-me que fiz boas compras.

Eduardo disse...

Então e puseste aquela merda outra vez em autostar, carago?

julinho da adelaide disse...

Eu também ando a passear agora pelos quartetos de cordas completos, mas do que já conhecia, o 5 também é fabuloso, nesta linha mais agónica.
As sinfonias ando a namorá-las também na Brilliant Classics, acho que até pelo Barshai, mas sinto-me um bocado embarretado com a integral do Brukner, que também tinha boas críticas, pela qualidade pífia da orquestra, pelo que estou receoso de me atirar a mais uma integral. Até porque o registo mais pomposo de encomenda socialista de algumas não me cativa particularmente. Dúvidas, dúvidas... Os concertos para piano não conheço: terei que os espreitar, embora não tenha visto nenhuma edição baratucha nos escaparates...

julinho da adelaide disse...

I was teasing you! (cf. cx. comentários "elogio da razão prática")!
(estava a coisa a encadear-se tão bem...)

Eduardo disse...

Riqueza, então os concertos para piano tens-nos aos 2 no mesmo CD pela EMI Classics, naquela colecção ("encore") que tem o cão à frente do gramofone na capa. Costumam vender-se ao pontapé nos Continentes et al. por este país fora. Quanto à minha integral, é muito sobriazinha e nada soviética. Vai lá vê-la à Amazon.co.uk.

Pois, eu não tinha ido novamente aos comentários da outra posta lá mais para baixo, razão pela qual me passou completamente ao lado a imensa piada da tua provocação. E ainda bem, não me fosse dar uma coisa.

julinho da adelaide disse...

Ora, dizes isso só para me alegrar...

Eduardo disse...

:-D

sara disse...

(May I intrude?)

Os galanteadores são normalmente uns chatos de galochas, e aposto que nunca conseguirão pôr música no seus blogues. De semblante sério, deliciada com a compulsão verbal, e com um salamaleque coreografado, enrolando-me até chão, até uma próxima oportunidade.

sara disse...

(E se isto soar a galanteio, que me apareça inadvertidamente um Shostakovitch em auto-start ou coisa ainda melhor.)

julinho da adelaide disse...

(please do...)

Pois eu, imbuído de pasmada incredulidade, leio mais estas palavras de exquisite enleio e suma gentileza (you ARE too kind, please stop - don't stop) com a vaga consciência remanescente que me permite o estado catatónico em que me deixaram, esparramado de olhos esbugalhados no contraplacado foleiro que me serve de solo e cesto de roupa suja. Felizmente que a minha absoluta ausência de funcionalidade social torna viável um I'll be reading you, com estes efeitos paralisantes.

(e se isto soar a galanteio, que eu desligue os autostarts para me ouvir melhor recitar estes comentários a mim próprio para desfrutar do facto de terem derivado da senda do meu desenrascanço tecnológico não ser a menor das ironias que os perpassam... ou talvez só para desfrutar de uma compulsão obsessivo-narcísica aliada a um ostensivo complexo de inferioridade... je ne suis pas bien sûr...) :)

Samuel Jerónimo disse...

Meu caro,

à conta da música no seu blog, apenas consigo visualizar o dito cujo em computador alheio.
Use o GoEar ; )