terça-feira, 18 de outubro de 2005

The Invasion of the Body Snatchers

Sei que é recorrente e injusta generalização tomar "os políticos" (a expressão é todo um programa) como massa informe de volúvel constituição humana, máscaras ressequidas da prossecução constante de fins que se equilibram no seu reflexo entre a auto-promoção e certo ideário político fixado na estreiteza táctica partidária. Mas, creio que principalmente nas Jotinhas, e talvez mais naquelas atreitas a vontades de poder ou a um evangélico conservadorismo, sinais exteriores de uma condição interna misteriosa despontam de forma preocupante.
Vi no meu crescer etário algumas pessoas serem em fresca idade atraídas para as socializações de juventudes partidárias (principalmente aquelas atrás apontadas, donde o meu viés – se bem que tendo conhecido uns poucos esquerdistas juvenis me incomodasse menos, ainda que não pouco, a sua cassete que a plasticina dos outros), sendo que os nossos diferentes caminhos deixaram rasto parco de reencontros. Quando estes sucedem, é gritante, a cada avistamento e troca de palavras, a sedimentação dos gestos de plástico, das frases tiradas de um cartão de instruções. Eu não sei o que se passa naquelas catacumbas de doutrinação juvenil (as Jotas aliás deviam ser proibidas por excesso psicológico de doutrinação, operação perniciosa às criancinhas impressionáveis). Os humanos Jotas que me perdoem, e me tomem por alerta, mas o que eu queria saber, para exorcizar popular e eventual injusta generalização, é se alguém já tocou alguma desta gente por dentro da pele, e se lá por baixo não havia uns revolventes tentáculos a mecanizar sua acção e pensamento.

3 comentários:

PK? :) disse...

Não ias dizer «revoloventes testículos»?

PK? :) disse...

desculpa... «revolventes testículos». Estou a ficar bem revolvido...

julinho da adelaide disse...

Uuhh... não, confesso que revolventes testículos não me vieram à mente (pelo menos nesse dia).
Mas vejamos: «se alguém já tocou alguma desta gente por dentro da pele, e se lá por baixo não havia uns revolventes testículos a mecanizar sua acção e pensamento».
Bom, se alguém fizer a quarta versão da velhinha película do Don Siegel em que os corpos são snatched por uma entidade patriarcal extraterrestre que os comanda a partir dos "revolventes testículos", é capaz de ter potencial.
Já vi metáforas hollywoodescas mais ruins para a história de quase toda a humanidade.