terça-feira, 25 de outubro de 2005

Leitmotif

Sempre achei que o uso socialmente sancionado de substâncias com efeitos desinibidores funciona muito mais como porta social de legitimação para comportamentos excepcionais face a padrões socialmente esperados de interacção em certos contextos, do que como potenciador meramente químico desses comportamentos. A borracheira (ler o “ch” à espanhola, como bom raiano), pareceu-me pois sempre socialmente formatada, não só na construção óbvia das circunstâncias em que tal processo adquire sentido, mas na sua própria conformação etílica, ou seja, na configuração dos gestos e das palavras de quem no éter se instala.
Isto porque a generalidade das bebedeiras (lúdicas, atenção) a que assisti na minha vida me surgiam sempre com uma dimensão performática relativamente evidente, conquanto certamente lubrificada, em que o indivíduo não deixava de, na sua alteração química, se posicionar estrategicamente face à prévia classificação da sua conduta como bêbedo. Confissões, exposições corporais, gestualidades exercidas sob capa da facécia alcoolizada (homoerotismo, anyone?), paixões finalmente em movimento porque por tal capa seus gestos eram sancionados (e o que se faz da paixão passado o prazo de impunidade é outra matéria), tudo isto sempre presenciei com o sobrolho mental levantado, ainda que com a disponibilidade humana aberta, afinal, o carecer de tal desculpabilização para libertar certos revolvimentos íntimos não merecia menos o beneplácito de humano reconhecimento. Mas a natureza de tal procedimento tanto mais se tornava evidente, quanto eu próprio nunca me vira, por mais entornado que estivesse, em disposição corpórea ou psicológica de descontrolo e desinibição que me levasse a exercer equivalentes daqueles comportamentos excepcionais (é certo que o facto de ser desviante na minha condição não etílica pode infirmar esta tese toda, mas tal ainda está a precisar de evidência empírica sistemática).
Tal não implica advogar o retirar o estatuto de borrachón a quem se apresente, mesmo que suspeitosamente, sob tal categoria, pois ameaçaria sancionar abusos de estados físicos e psicológicos que, mesmo não estando plenamente diminuídos, obviamente e em circunstância alguma legitimam formas de acção que se espoletam pela presunção dessa diminuição. Nem sequer se pretende propriamente contribuir para restringir o soltar a franga que essa condição socialmente legitimada permite (considerando apenas os casos não-profissionais de alcoolismo, obviamente - aí as categorias são outras). Isto serve apenas uma atenção pessoal ao olhar não censório desses gestos libertos: nunca me fiei em pensar que as falas recônditas que se desvelavam nesse momentos instituídos de excepção social fossem inocentes como as (supostamente) das crianças. O seu peso aparecia-me sempre como requerendo cuidadosa ponderação.
Não será pois pelo hálito que diminuirei a ressonância dos actos e das palavras. Pelo hálito só velarei da reciprocidade das minhas respostas.

171 comentários:

Eduardo disse...

Hmmm... Mas "hmmm..." mesmo.

julinho da adelaide disse...

Hmmm...?
Hmmm... mesmo?
De certeza?
...
Pois...

(agora fiquei apreensivo)

Eduardo disse...

Completamente "hmmm..." Um "hmmm..." daqueles graves e vagamente bovinos. Mas discreto. Um rico "hmmm...", de qualquer forma.

Ou seja, um "hmmm..." de quem diria, em jeito de complemento ao post, boys don't cry unless they're drunk. Isto só para ser também bastante yesterday, por assim dizer. Não sei se... Pronto, acho que deu para perceber a ideia.

Hmmm...

julinho disse...

Na verdade já me tinha atingido fundo o hmmm. É recurso que muito emprego e valorizo. A extensão discursiva do hmmm é perfeitamente esclarecedora, mas ao contrário do que o meu «hmmm pois» possa ter sugerido, o hmmm original já tinha tido o seu efeito.
Me gustan esses hmmms. Particularmente bovinos. Hmmms cheios e ressonantes, plenos de sentido. Túmidos.
Não poderia viver sem hmmms.
Convenhamos aliás, suscitar um belo hmmm é do melhor que um post pode ambicionar. Que ele se materialize tão directamente num "comentário hmmm" é um verdadeiro prazer.

Hmmm right back at you.

Eduardo disse...

Túmidos! Túmidos! Mas isto é fantástico, ninguém se refere a um "hmmm..." como sendo túmido, e no entanto... Sim, creio entender agora, os meus "hmmm..." são túmidos, sim, claro, como é que... Meu Deus... Túmidos.

Lindo. Imaginar os meus "Hmmm..." como vocalizos túmidos é uma sensação verdadeiramente... húmida. Autoérotica, portanto.

Eduardo disse...

Autoerótica, contudo.

julinho da adelaide disse...

Bommmm (bovino), eu não diria que SÃO necessariamente, sempre, túmidos... Diria que PODEM ser túmidos. É uma das suas possiveis sinalizações. Claro que, verdade seja dita, a sensibilidade social para os hmmms tem um patamar baixíssimo (isto começa a pedir um post – I take hmmms very seriously). Por isso não sei se de facto o seu efeito não fica potencialmente pelo autoerótico, portanto.
Eeeee (equestre), também não diria para já que seja autoerótica, contudo. Para tal será preciso experimentalmente verificar se futuramente, ao repetir para si mesmo hmmms túmidos, eles continuem a provocar tal húmida disposição. Caso eureka, acho que a coisa merece patente: poupa-se pipas de energia braçal ou contas de jantares ou elogios raspados da parede conjugal, consoante a modalidade preferida/possível.
Verdade seja dita, eu estava para confessar que essa auto-revelação em directo do poder túmido do hmmm me estava a deixar aroused. Mas por entre o riso esganado, não me pareceu que o pudesse fazer sinceramente. E os hmms são matéria demasiado grave para ser tomada levianamente, mentindo sobre as disposições que nos suscitam.

Eduardo disse...

Tu (se me permites) és uma pessoa doente. E é claro que os meus "hmmm..." são túmidos. Então haviam de ser o quê?

julinho disse...

Tu (se me permites, que eu permito, mas pergunto de volta porque não faço exigências de reciprocidade), primeiro, disseste uma grande redundância. Doente é um understatement em todos os sentidos. Só o meu médico de família é que insiste em não acreditar e instalar-me descansadinho num quartinho com vista para os velhinhos a mijar nas paredes do Júlio de Matos, drogado com analgésicos genéricos.
Segundo, eu não disse que os teus hmmms não são túmidos! Disse que os hmmms genéricos podem ser muitas coisas! Por exemplo, esse «é claro que os meus "hmmms..." são túmidos», soou mais bisonho que túmido. E isto com os limites da verbalização escrita. Porque se TODOS os teus hmmms são túmidos, então não podes bovinar livremente sem estar a emitir feromonas vocais a torto e a direito. Eu sei que não aguentava tamanha pressão! Eu preciso dos meus hmmms para várias sinalizações. Por exemplo, se eu não fosse doente, e esta conversa me estivesse a chatear, empregaria um "hmmm = boring". Não é o caso. Pelo que, não podendo eu avaliar tal tumidez (now I'm getting scared), para prova cabal da tumidez ABSOLUTA dos teus hmmms (eu continuo a preferir a polissemia dos meus), eu aconselharia a, estrategicamente, hmmmar um objecto humano de interesse que se encontre na caixa de uma loja (para garantir mínima estabilidade de exposição espacial) enquanto se lhe passa em movimento de sugestiva aproximação corporal a nota dos euros, e verificar se o objecto visado hmmma de volta, oferecendo-se para pôr preço em algum item da tua pessoa (é verdade senhores, a metáfora mais mal engendradada do ano!, obrigado!, obrigado!). Nada como a prova dos hmmms...
(terceiro, de certo ponto de vista tinhas razão, acabei de me descobrir mais doente que pensava. Hmmm(não túmido,reflexivo))
Hmmm (tinha-me esquecido), quarto, claro que se põe o problema de ONDE está o túmido. No emissor ou no receptor? Se esta conversa era sobre o emissor (os teus hmmms serem INTRINSECAMENTE túmidos, independentemente de o mundo não detectar e agir em conformidade com tal húmida tumidez), o que faz sentido dado que a auto-descoberta da tumidez foi num sentido autoerótico, então perdi mais vinte minutos da minha vida. Hmmm(bonomia resignada), típico.

Eduardo disse...

Pois claro que a tumidez está no emissor e pois claro que é essa a razão de todos os meus "hmmm..." (nota bem a minha insitência na grafia que indica citação -- eu estou sempre a falar dos meus, e nunca dos teus ou de qualquer outra pessoa) serem túmidos. O ponto (ui) não está numa eventual falta de variedade dos meus "hmmm..." -- não é esse o caso! O ponto (au) está em que eles são sempre túmidos porque são sempre meus. A tumidez do receptor é um problema dele, digo eu, ou nem isso, mas eu geralmente não gosto de ser importunado com esses pormenores de vidas alheias.

E para terminar, que quero beber o meu chá em paz e ir para a cama, digo que a posta da reciprocidade é um excesso inqualificável: qualquer reciprocidade seria esbanjamento, porque o Agrafo também não é local de grandes corrupios. E ainda bem.

E para terminar, que quero beber o chá e etc., é inédita esta minha entrada em diálogo com desconhecidos nas caixas de comentários deles. O processo de degenerescência está a tornar-se evidente e, por isso, perigoso.

E para terminar.

Eduardo disse...

Mas a verdade é que estou a achar uma certa graça.

julinho da adelaide disse...

Eu sei, é verdadeiramente patológico, tanto que, mesmo com tamanha espada de Dâmocles sobre a cabeça (chá? bolas, também não era preciso abyronizar tanto a coisa), não podia deixar de esclarecer alguns items:
1.Lamento não ter terminado, eu até queria, mas sou um pavloviano abaixo de canino, pelo que estou sempre a funcionar em modo de psicologia da negação, ou lá como é que lhe chamam, e também sou provavelmente uma espécie de control freak subserviente (do I contradict myself?…).
2.Claro que os hmmms respeitavam aos efeitos sobre o emissor. Mas quedar o seu potencial no cercado autoerótico não fazia nada pelo MEU autoerotismo, pelo que expandir a problemática se requeria, que eu estou doente e consequentemente tenho que me rebaixar, qual besta inumana, a empregar recursos intelectuais para tal efeito, como escrever comentários redundantes a escavar circunvalações.
3.Quanto à posta da reciprocidade que o não era: porque até a minha bestialidade tem limites, só posso entregar a palavra ao meu caro Clint: nag, nag, nag.
E não falemos de excesso: ainda posso pôr esta desviante sucessão de comentários em posta. Gniah ah ah (curiosamente, a propósito do meu gargalhar vilanesco, depois de ler a imagética da lycra, estava a dar o Unbreakable do evangélico Shyamalan na TV. Coincidências, coincidências)
4.Finalmente, francamente, relativamente(,) à degenerescência assinalada, só te posso desejar as pioras. Se daí derivar um papel patogénico, envergo-o com perverso prazer e distorcido sentido de missão (desde que não encubra a lycra).
5.E, agora, sim, para(,) terminar, com propriedade (os fins são coisas sérias, vi no Steinbeck, pobre desprezado):
(reticências)

Eduardo disse...

Nos meus velhos tempos se IRC (ó, juventude), utilizava "gn gn gn" para grafar o meu riso malévolo. Descubro agora, num diálogo em caixa de comentários em que sou ameaçado de passar a meia posta, que "gniah ah ah" teria sido uma opção mais facilmente apreensível pelos receptores e, portanto, melhor. Odeio-te.

Eduardo disse...

Pronto, pronto, não odeio nada...

julinho disse...

Ora porra. Após uma vida desperdiçada a tentar despertar amores, viro-me para o tentar despertar ódios. O que é que sucede? Outro glorioso falhanço. Acho que posso perder a espeança de despertar sentimentos fortes...
Welll, at least I had a jolly good laugh (ena, os livros de auto-ajuda estão mesmo a fazer efeito).
Adenda: não posso, em boa verdade (é por estas que eu não consigo despertar ódios), ficar com os louros do Gniah ah ah. Devo-o ao passado filão juvenil da banda desenhada, quando não era validada artisticamente a la Hugo Pratt, nem motivava clubes e lojas de nerds encafuados a jogar Magic e a confessar as primeiras masturbações aos 18 anos à conta do novo corte de cabelo da Mulher Maravilha (referências desactualizada, EU SEI!).
Ahhhh, o que foi feito da saudosa inconsequência, pobres criaturas.
Adenda 2: eu teria cuidado. Essas emendas às fatais sentenças do Agrafo («pronto, pronto... não te odeio») podem levar a que, se se der o caso improvável de algum demente andar a acompanhar estas trocas, o dito ainda venha a concluir e difundir (horror!) que, no fundo, no fundo...fundo, fundo, fundo...fundo, o Agrafo tem mas é na terra habitada um fofo.
Não se brinca com reputações cuidadosamente laminadas...(quem avisa)

Eduardo disse...

Um fofo?

julinho disse...

Shocking. I know. But possible.
Went too far?
(gniah ah ah)
Sorry...

Eduardo disse...

Way too far. Além de que eu não sou o Agrafo. O Agrafo é uma entidade electrónica que se exprime através de mim, mas não sou eu.

Um fofo?

julinho da adelaide disse...

I knew it (curva penitente da espinha dorsal).
Mas:
«o Agrafo (entidade electrónica) tem mas é na terra habitada (espaço bloguístico(?) do Agrafo) um fofo (autor)». Acho que fui rigoroso.
Nunca te confundiria com uma entidade electrónica.
Com um fofo, ainda que muito inverosimilmente, talvez.
Com uma entidade electrónica nunca.

Eduardo disse...

Mas... com um fofo? Mesmo inverosimilmente?

julinho disse...

Pronto, vá, consideremo-lo um freudian slip (lapso, não cueca, embora, considerando o tio Sigmund, não sei se não se estaria a referir mesmo à dita cuja), eventualmente de parte a parte.
De qualquer forma, considerando outros leitores, outras leituras, eu acautelaria doravante tal possibilidade, apesar da inverosimilhança...
Beware:

Um fofo.

Eduardo disse...

Tília, filho, tília. Isto já só a chá de tília para te conseguir responder contornando esse paleio redondo com que insistes em insultar-me. Fofo, o caralho! Mas qual fofo! Tu voltas a vir-me (ai o reflexo) com essa do fofo e eu mandarei os meus esbirros virar do avesso os céus e a puta da terra até te encontrar por detrás desse duplo psedónimo e faço-te das trombas uma vichyssoise (é assim que se escreve?). É certo que precisarei de alguns ingredientes extra não incluídos nas tuas trombas para fazer uma vichyssoise (é assim que se escreve?), mas eu sou um moço cheio de recursos, desde que não financeiros. Tu vê lá a tua vidinha, pá, tu vê lá.

(O bem que isto agora soube é algo difícil de explicar. A vida não é fácil e as coisas estão todas ligadas: isto de ser um instrumento nas mãos de uma entidade electrónica não é fácil. Nas maõs de Deus ou de um cartel colombiano seria certamente muito mais fácil e/ou compensador. Espero que isto me justifique.)

julinho da adelaide (mais trackable...) disse...

Oh não, NÃO!! Quer dizer, anda um gajo cheio de cautelas epistémicas, pézinhos de lã retóricos, pruridos ontológicos, a salvaguardar a reputação do senhor, e de repente o cavalheiro esperneia e desconjunta todo este mimoso rendilhado descambando num caso dramático e diáfano (adjectivo subtil para admoestar o acto mas não o denunciar demasiado evidentemente nas suas consequências) de orvercompensating! Lindo! Sim, senhor. Mais valia adornares-te de veludo e ir para a rua anunciar: I'm Winnie The POOh! Won't you touch my furry cOAt?... It's very fofooo...
Senhores...
Só nos resta espera que os «paleio redondo», «te encontrar por detrás desse duplo pseudónimo» (good show old chap, jolly good show), «faço-te das trombas uma vichyssoise» (desde o marcelismo dos pequenitos, ameaça de augúrios bíblicos, muito bem), «tu vê lá a tua vidinha», ainda dêem para impressionar os mais... uh... impressionáveis (como eu, aliás).
Quanto a efectivamente transformar as minhas trombas num caldinho-insípido-e-a-temperatura-inconstitucional-de-alho-francês (é assim que se escreve?), pá, é logo que possas, porque a corporacion dermostetica já disse que estou para lá das categorias de crédito, não acha piada ao meu sotaque castelhano (gozão, dizem eles, gozão. Paella my ass), e nem me dá primeira consulta de graça, o que não tem graça, pelo que já só pela graça de violência insensata despenhada sobre o meu focinho tenho esperanças de remodelação plástica. I can only improve. O duplo pseudónimo não é óbice. É mais devoção afectiva que ocultação identitária. Sou muito trackable. Já posso começar a dizer «what's up doc?»?

Eduardo disse...

Por falar nisso, achei uma piada inexplicável à tua posta sobre os delírios nacionalistas às cavalitas dos 250 anos do terramoto de 1755. É que, poucos minutos depois de ler a posta, vi na SICK um senhor cujo o nome me escapou mas que tinha todo o ar de historiador a dizer que a influência do terramoto na mentalidade europeia só era comparável, e isto é absolutamente verídico, à queda do Império Romano e ao genocídio dos judeus da IIGG. Por que estou eu a dizer isto aqui e não na posta correspondente? Porque não me quis imiscuir na conversa que por lá decorreu, embora entretanto... interrupta. E porquê isto agora? Porque sim.

Esclarecimentos adicionais:

a) eu queria, afinal, dizer bavaroise e não vichyssoise, daí a coisa estar-me sempre a parecer mal escrita. Enfim, a cabeça já não é o que era, sendo de qualquer forma certo que, no meu caso, a cabeça nunca foi o que costumava ser;
b) the tracks marks on the spine they say machines are human we're programmed that way in god we trust in god we trust. very trackable, portanto?

julinho da adelaide disse...

Por favor, imiscui-te, imiscui-te. Aliás, acho que pela legislação actual já tens direito posseiro desta caixa de comentários, e pouco deve faltar do blog. Donde, também se percebe essa fidelidade ao espaço, ainda que para comentários outros, principalmente, compreende-se, em espaços onde falos sejam a discussão do dia.
Tem graça o que dizes, e não é, de facto, de espantar. O absurdo jornalístico (na bela grafia da SICK e outras) distrai-nos de ver outros sensacionalismos que perpassam por outras esferas supostamente mais insuspeitas como a academia, mesmo sem o pedal das solicitações jornalísticas.

Esclarecimentos adicionais:
a) pois, a bavaroise conheço menos, não porque já me tenha deliciado com vichyssoise, mas porque ao menos já a vi ser feita num programa culinário. De qualquer forma, creio que consiste numa tal substância gelatinosa com qualquer merda dentro ou a adornar: não faz o meu género. Sou muito fussy quanto a texturas. Preferia ter a tromba transformada noutra coisa, ainda que texturalmente essa faça sentido.
b) Com essa é que me fodeste (como dizia a minha tia Hermínia). What in the world...? Mas deve ser «the track marks on the spine», não? Mas não sei se são as mesmas tracks. De qualquer forma, da minha trackability, há o que pertença à minha condição, e o que pertença à minha vontade. Se no admirável mundo novo a segunda subsiste, é dela que a minha trackability pode adquirir redenção, e a ela me refiro na minha trackable abertura. Se não, mesmo dizer in god we do not trust seria outra versão do mesmo mecânico in god we trust, donde, não haveria na verdade mais palavras, nas suas margens estéreis de vazio programado.

c)parece-me que a doutrina da trindade do Agrafo está meio confusa. Nos mais recentes versículos, o Agrafo (entidade electrónica) aparece ele próprio como entidade autorística no espaço bloguístico. Ou seja, de repente parece subsumir toda a diferenciação ontológica que tinhas vincado. Estares a escrever o teu velho e novo testamento ao mesmo tempo torna a doutrinação muito mais complicada.
d) Ainda a propósito da tília, não gosto muito. Suponho que a velha lei de o néctar de um apreciador ser o grau zero para os leigos se mantém. Dizem que agora há um tal de chá branco, muito yummy, mas deve custar um balúrdio, por isso não me vou permitir converter, até porque o chá me lembra de como me sinto agora mesmo quando não me sinto como agora. Not a pleasant memory to be recalled.
e) A propósito, parece-me que agora o numero uno dos cafés, são uns grãos que são comidos, digeridos e cagados por uma espécie de mini-urso-macaco, para aí na Indonésia ou assim, que depois são apanhados, presumivelmente (fiem-se) lavados e torrados. O pasquim do engenheiro Saraiva é que esclarecia isso. As mentes que se lembram destas coisas davam um belo case-study.

Isto a que propósito? Só o de ratificar o título (e não o conteúdo) da posta como o verdadeiro e estranhamente profético programa da caixa de comentários. Não nos equivoquemos quanto à nossa consequência.

julinho disse...

Eh pá, ia dizer que a tília is not my cup of tea, e esqueci-me! Porra, é que estas coisas deixam-me mesmo lixado.
Compreenderás, por patético que seja, que não podia deixar de referir a punch line, mesmo hors contexte (agora vou passar à francofilia - hum, começa a soar estranho, acho que vou parar nessa filia)

Eduardo disse...

1 - Eu detesto bavaroise, et pour cause... Vychissoise nunca provei.

2.1 - A trindade do Agrafo nunca foi sequer sugerida.
2.2 - A existir, nunca conseguiria ser tão "confusa" como a outra, a santíssima.
2.3 - Existe uma coisa chamada "aspas", entre as quais estão as falas do Arafo nesse texto e que tornam os teus comentários um pouco absurdos.

Ao resto não me apetece agora responder.

Eduardo disse...

3 - a parte das tracks on the spine não é bem explicável, simplesmente apeteceu-me misturar aquilo com chico buarque. É que tem tudo a ver, só isso.

4 - Há o frequentar a blogosfera. Há o frequentar um blog. Há o frequentar os comentários de um blog. E há, agora, o frequentar uma caixa de comentários de um blog. Há algo de seminal nisto e temo que tu não estejas a abarcar o que aqui se está a passar. É pena, Yester, é pena.

5 - Detecto em ti mais uma pessoa que, vítima da linguagem "corrente", confunde o chá de tília com o verdadeiro chá, i.e., aquele que é feito com a planta do chá? Sim, efectivamente, anda por aí um chá branco da Lipton. Excessivamente aromatizado, na minha opinião. Imagino que a bateria de testes e estudos de marketing devem ter mandado quem manda na Lipton carregar na coisa até a estragar completamente. E sim, custa um balúrdio. Para além de que é uma merda. Ah, essa parte já tinha dito.

6 - Nota que não fez a coisa por menos que o Império Romano e o Holocausto. E note-se que não era um jornalista, era um convidado qualquer, provavelmente historiador. A queda do Império Romano. Houve um ser que, em pleno horário nobre, num noticiário e um canal generalista, que disse que o papel do terramoto de 1755 só tinha par, ao nível do seu papel na mudança das mentalidades europeias, com a queda do Império Romano. A queda do Império Romano. E disse isto sem se desmanchar a rir, que ainda é mais extraordinário. Mais um talento perdido, é o que é.

6.1 - E a do Holocausto também foi gira. Aliás, só ainda não andam aí associações judaicas a mandar-se ao ar porque:
6.1.1 - Não há semelhante coisa em Portugal (ou quase).
6.1.2 - As associações judaicas não se ocupam de deficientes mentais.

7 - E agora, as we speak, está ali na mesmíssima SICK o Paulo Camacho a fazer um minete à Shakira em directo! Eu não acredito nesta merda! Depois disto...

julinho disse...

Espera. Vou só desligar a sopa e já volto. É que é um tacho do caraças, e sei bem o cozinhado em que estou.

julinho da adelaide disse...

Em ordem livre e selectiva:

2. «Além de que eu não sou o Agrafo. O Agrafo é uma entidade electrónica que se exprime através de mim, mas não sou eu.»
De facto o que mencionaste foi a dualidade, à qual acrescentei o espaço da manifestação «terra habitada» como o terceiro vértice.
De facto, tens razão, o meu comentário resultou absurdo, expressei mal a perplexidade. O que sucede é que os mais recentes versículos expressam o Agrafo como persona autónoma (precisamente porque é citada por aspas), apesar de narrada por ti, o que é diferente de se exprimir por ti (hence, velho e novo T), em momento de sincronia manifesta, o que lhe dá uma concretitude ontológica diversa da que referias: «Agrafo é uma entidade electrónica que se exprime através de mim». A menos que aquilo que tu exprimas na terra habitada não seja tudo a expressão do agrafo através de ti, o que seria equívoco quanto à superintendência do Agrafo no abarcar de toda a empresa electrónica. Ou condizente com uma certa noção de livre-arbítrio pactual com a entidade superior. Não sei pois se essa eventual trindade não é mais complexa que a outra. Pelo menos, a ser justificada, parece carecer de doutrina. O que não interessa nada(?), mas repetindo-me, dizer que o meu comentário é absurdo seria uma enorme redundância. A minha inconsequência é consequente.

5. Não, não detectas em mim mais uma pessoa que confunde na linguagem corrente chá chá, com "infusões" (e é interessante, como para os diferenciar, foi a vulgar infusão que ficou com o nome mais pedante), tal como eu não o detecto em ti, apesar do teu «Tília, filho, tília. Isto já só a chá de tília». Detectas, de forma agora minimamente partilhada, alguém que acha que o exasperante rigor discursivo tem mais que fazer do que diferenciar para lá da linguagem comum frivolidades situadas, como o meu desgosto por chás E infusões. Tanto mais a indiferenciação nominal é optativa, quanto a distinção efectiva é operativa: chá chá, é coisa que não perpassa os meus lábios. Tília, carqueja, lúcia-lima (ou lá na terra, lucilima, bem mais bonito), cidreira, vindas da terra, secas guardadas em velhas caixas de Whiskey de origem duvidosa, é tudo o que relutantemente degusto. Quanto ao chá branco, fico contente pela tua desaprovação, porque a esperava. Não dá para diploma de Nostradamus, mas ainda não cheguei ao grau zero hermenêutico. Ainda que só use o grau um para estas merdas.

6. As minhas desculpas na incúria em desenvolver o teu apontamento ao terramoto (onde sublinhava apenas a condição académica do senhor como outro espaço de produção destas inanidades, para lá do jornalístico - ou seja, ao contrário do vulgo, a academia não é largamente locus de sensatez nenhum). Dado o resultado dessa incúria, contudo, foi um desleixo feliz, para apreciar a tua maior elaboração sobre o assunto (gostei particularmente do 6.2 - fez-me lembrar a história que ouvi ontem de umas das cenas de aparição do Hitchcock, neste caso no Sabouteur, em que apareceria na rua a trocar sinais gestuais com uma mulher que depois lhe dava um estalo. Foi censurada. O idiotamente correcto já tem barbas).

7. Se ao menos fizessem de facto minetes à Shakira , pelo menos talvez todos se calassem. O Jorge de Sena é que sabia, a recomendar pornografia para o povo.

4. Mais uma vez, com o Yester me fodeste. Mas o teu pressuroso sublinhar de seminais sendas muito bem coreografadas, tem algo de desajustado. Para lá da presunção do que me escapa, presume-se eventualmente que aquilo que me escapa teria que ser elaborado discursivamente para tomar vida digna. Ora, gravitas (não o verbo, o latim ou coisa que o valha). Eu identifico tais sendas no silêncio do húmus, em cujo breu não designado elas cumprem o seu potencial genésico. Elabora quanto queiras, são palavras benvindas, mas não presumas o mutismo alheio como néscio, como o nunca faço da discursividade que eventualmente me pareça desajustada. Desse ponto de vista, o teu apontar da minha pressuposta falha, no meu entendimento da dita cuja, pode ser entendido como uma deselegância desapropriada, só não gravosa (na minha leitura), porque num escassíssimo número de coisas, possuo um resquício sageza (passe a presunção). O que não implica, claro, qualquer infalibilidade seminal. Os melhores frutos de ser resultam de trial and error. Na minha falibilidade me assento à vista desarmada. Não é descoberta avistá-la. A descoberta nunca está à vista.

Eduardo disse...

"Com essa é que me fodeste", "rapaziada", winks and stuff. keeping in touch. um certo barroco divertido pelo excesso que talvez reproduza, ou pelo menos invoca, uma certa oralidade que reproduz e certamente invoca uma certa escrita que eu conheço noutros. Conhemos noutros, aliás.

Volto ao princípio: hmmmm. Agora com 4 "m" e sem reticências. Pega lá na batata, sff.

Eduardo disse...

Fui longe demais?

julinho disse...

Francamente estava a pensar meio perdido e febril (o que não ajuda) no que te responder, mas não queria deixar-te pendurado mais tempo. Recolocando o foco na questão da tua adenda: uhh, em certo sentido sim, em certo sentido não. Sim, porque aparentemente instituíste um desafio discursivo ou mais que isso, que parece ter o seu quê de agonístico. Não, porque francamente (e não estou a fingir-me mais obtuso do que sou, porque o sou q.b., honestly), não percebo o conteúdo do desafio. Ou seja, percebe-se que atiraste uma batata quente, mas não se percebe em que consiste a batata. Soa a uma estranha identificazione di un uomo, mas cujo cerne me escapa: o que é que é para identificar e com que propósito? Que indicadores são aqueles e de quê? Que oralidade, que escrita, que outros? Estou a falhar em retraçar o caminho à minha suposta fonte que me denuncia em categoria maior que a estrita subjectividade do escrevente. Já que encarreiraste numa lógica mais interpelativa, permite-me retribuir bluntly: what's the point you're making? Pelo que, meu caro Eduardo, pelo muito que prezo desta história, se o tubérculo era mesmo questão, eu pego nele, mas então vais ter mesmo dizer o nome da batata, because now I'm lost. Honestamente.

Eduardo disse...

Hmmmmmmmmmm

Já há uns dias que ando convencido de que és uma pessoa que eu conheço. Há várias pistas (discursivas et al.) que apontam nessa direcção, há pistas que despistam mas que, pensei eu, poderiam ter sido colocadas só para despistar.

Se calhar enganei-me.

Se calhar.

Hmmmmmmmm.

Hmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm.

julinho disse...

Ahhhhhh, literalmente identificazione di un uomo (não antonionamente, fosse lá o que isso fosse). Estes registos crípticos dão cabo de mim.
Hmmmmm.
Pois ser-te-ei franco, meu caro Eduardo. Se te trato por esse nome, é por o ter visto na terra habitada. Donde, eu pessoalmente não estou em crer que te conheça de cara. E dado que as pistas que deixaste para identificazione pareciam bastante específicas, creio que estarias a pensar em alguém que conheças mesmo (e vice-versa).
Agora se não for esse o caso, se for um conhecimento distante e incerto, devo conceber, pensando nisso, a possibilidade, dado certas referências sociais e espaciais, de haver uma probabilidade, ainda que ínfima e negligenciável, de nos termos cruzado, ainda que teria que ter sido de forma tão anónima e fugaz e colectivamente diluída, que não sei como é que poderia dar lastro na memória, ainda por cima a ser resgatado por sinais linguísticos tão esparsos. Tanto que essa possibilidade teria que ter ocorrido numa moldura de tempo muito estreita. Tanto mais que, para quem eventualmente me conheça, as condições de identificação são claras. E, eu, claramente não te reconhecendo, não fui, necessariamente, agente de qualquer estratégica disposição de pistas e despistas para essa identificação. A menos que o Alzheimer me tenha atacado em força, mesmo na ínfima possibilidade de nos termos cruzado, nunca teremos engajado em interacção pessoalizada.
Pelo que, temo desiludir-te (ou não), mas não me parece que a minha língua tenha cara ou nome que reconheças para lá das configurações do código binário em que cometeu (incauta) a sua aparição.
Espero, aliás, que não seja desilusão, logo para tão inquieto e acometido hmmmmmmmmmmmmmmmmm. Seria um desconsolo pensar que esta história de comentários pudesse ter começado a ter como motivação um caso de identificação (para o inspector Rousseau?). A menos, claro, que tal se declinasse como apenas um (inevitável) leitmotif. Aí, a ordem natural estaria restabelecida.

Eduardo disse...

Não não não não não, de forma alguma. O meu primeiro comentário foi motivado pela tua posta e só um teu re-re-re-comentário (o que começa com "Por favor, imiscui-te, imiscui-te") fez os sininhos tocar. Coincidiu esse teu comentário com a minha dedicação à leitura da quase totalidade das tuas postas (até essa época só tinha lido com atenção o Leitmotif e mais 3 ou 4), o que fez com que se juntassem algumas peças na minha pobre e gasta cabeça. Há no estilo, na escolha dos blogues e em alguma temática elementos que me fizeram despertar a suspeita de que poderias ser uma pessoa que eu conheço. De cara. Muito bem, aliás. Uma pessoa que poderia perfeitamente fazer a brincadeira de ter um blog e não dizer nada. E entrar em diálogo comigo só para se divertir um bocadinho. É certo que havia uma ou duas coisas que não encaixavam, mas que poderiam ter sido colocadas só para despistar. Então, ao fim de 2 ou 3 dias de dúvida, resolvi passar ao ataque. E foi o que se viu.

Baixo agora a minha cabeça sob o peso do opróbrio. Penitencio-me. Mortifico-me. Talvez me suicide. As minhas mais sinceras e rastejantes desculpas.

julinho disse...

Oh senhores, deixa-me sacudir o torpor letárgico que atarda a minhas mãos a alcançar o teclado, para impedir essa insensata ameaça de auto-destruição (ainda que se perceba o impulso irreflectido para tal na presunção da hipótese de a minha delicada sensibilidade de camélia ter ficado amolgada com a sua mistaken identity). Tanto mais quanto, se a suspeita do «quem é este gajo?» só surgiu após o «imiscui-te, imiscui-te», já havia um belo património acumulado a dignificar a interacção nos seus próprios termos.
Já essa de só após já se ter encetado diálogo teres revistado a restante escrita do pedaço é interessante. Realmente a digestão retórica dos blogs é matéria complexa. A economia retórica é questão. E como é que ainda há meia-dúzia de pessoas aqui a viandar, não percebo. E como é que aqui se ergueu uma empresa que tem como característica secundária o teste da capacidade de uma caixa de comentários é algo que me deixa positively bewildered.
Por isso, tira esse acto da cabeça (e principalmente não me obrigues a cantar o «Rock and Roll Suicide», que já ultrapassei o Bowie em caquético). Já bem basta a minha dissolvente condição. E, se não se pode negar que este diálogo tenha como certa característica consequente, ainda que não no sentido em que o pressupunhas, o ser "divertido", o uso dessa palavra, e o reducionismo do diálogo ao seu conteúdo, seria um inaceitável equívoco. Por isso, em contraponto hiperbólico na esteira do equilíbrio, respondo à tua finalização, com os mais sinceros e rastejantes agradecimentos.

Eduardo disse...

Calha bem a reconciliação, que as minhas costas já começavam a assemelhar-se às de um filipino e aproveito para voltar à vaca fria (isto anda sempre em torno de mugidos, de uma forma ou de outra) da identidade do Agrafo. A tua lógica, se é que lhe posso chamar tanto, levaria não à existência de 3 entidades(o Agrafo-pai, eu-filho e Terra Habitada-espírito santo), mas de 6, se contarmos com as outras 3 secções do sítio. Ou, na melhor/pior das hipóteses, a uma profusão de espíritos santos pouco amiga da eficácia. O que se passa com o Agrafo é muito simples: o Agrafo é uno e indivisível e eu sou um reles instrumento nas suas mãos. É só.

E agora que esta vaca já não corre tantos riscos de aquecer, a questão da "digestão retórica" do blog, que será, quanto a mim, mais uma questão de digestão diferida do blog. Ou então fui eu que não percebi bem o problema. É que este blog, com o qual eu mantenho esta relação que se está a ver, não é um blog de leitura fácil. É um bocado como o Avatares: às vezes tenho que ler duas vezes para perceber e às vezes não estou para aí virado. O cultivo da frase longa e do estilo barroco, da lógica francófona (à qual a profusão de anglicismos e inglesismos confere um ar um tanto ou quanto nonsensical), presta-se aos equívocos, à incompreensão e às ultrapassagens pela direita. Que é como quem diz: não te queixes.

julinho disse...

Estou de momento demasiado mortal para conceber a transcendência do Agrafo. Talvez lá volte. Essencialmente parece-me que existe uma dissonância nas diferentes formas de manifestção ou não-manifestação do Agrafo, enquanto entidade persnificada ou não, o que coloca o estatuto ontológico da dualidade (esqueçamos pois a trindade) em certa não clara circunscrição.
Essa da linguagem está bem apanhada. De facto é uma incongruência muito sociológica uma discursividade francófona, tipo Bourdieu de Freixo-de-Espada-à-Cinta (é assim?) com o salpicar anglófilo. Sou uma meretriz linguística (e só não do corpo porque nunca me deram um tostão por ele). E não, não me queixo. Só me vou dando conta que, realmente, estilos discursivos, preferências temáticas, chamarizes simbólicos e imagéticos, são pequenas-grandes formas de, fora recursos interaccionais de expansão das redes de "validação" de um blog, condicionar/constituir a apetência de leitura de um blog. Como disse e não era blague, foi ao aparecer-me aquele naco de prosa que se me fazia chafurdar na merda que a terra habitada se me definiu como porto. Nesse sentido, e pelo seu, em parte, fôlego de realismo ficcionado (porque marcador inventivo de dinâmicas reconhecíveis) que dá solo frutuoso para certa forma de desenvoltura discursiva, é largamente pelo requinte (estilo, if you will) da escrita que o teu cativar se proporciona.

Eduardo disse...

Meu Deus, mas como nós estamos. Só falta andarmos à pancada para decidir qual dois dois gosta mais do outro. Eu, muito embora não tenha percebido completamente o teu galhardete ("marcador inventivo de dinâmicas discursivas"?), estou babado.

Mas isto já começar a meter Bourdieu é algo que me preocupa, já que mantenho com ele, ou com o que dele sobrou e é muito, uma relação difícil. O que é dizer nada, mas apetece-me.

Nota:estou em crer que Freixo de Espada à Cinta não leva hífens.

julinho disse...

Não sei se com a tua prazenteira expansão territorial pelas caixas de comentários já desbandaste deste particular tugúrio, mas se por ainda te encontrares, eu já cá volto para acabar de te passar a mão pelo pêlo. Salvo seja.

Eduardo disse...

Ocorreu-me ir al lost by translation largar mais umas pérolas. Ir lá e dizer como acho que uma traduçaão de título que toda agente acha muito boa -- silêncio dos inocentes para silence of the lambs -- é um verdadeiro tratado da atasadisse mental. Ou falar daquela vez em que "L.A." apareceu legendado como "Ellay". Mas depois comecei a sentir-me um pouco infestante e resolvi continuar por aqui.

Eduardo disse...

Mas tinha a sua piada, uma espécie de hostile take-over (e eu vou para a locução inglesa mesmo, e não para o anglicismo), ocupar completamente as caixas de comentários com a minha douta opinião acerca de tudo. Quando tentasses fazer alguma coisa acerca do assunto (como apagar os comentários), seria tarde: a razão principal de visita ao blog seriam os meus comentários e não os teus textos e qualquer atitude tua levaria à morte inglória deste simpático espaço virtual.

Bem, agora vou voltar ao SPSS.

julinho da adelaide disse...

Ohhh, como diria um blogger sem renome, «imiscui-te, imiscui-te». Na verdade estava a antecipar, salivante, essa hostile/friendly take-over. Mas na verdade os resultados podiam ser dois: ou começavam a acudir hordas de público a apreciar a tua arte comentarista, que me parece ter um certo sabor próprio nesse formato. Ou então começavas a afugentar as poucas almas que por aqui flutuam com as tuas hipérbólicas e delightfull formulações de irritação visceral, sentindo-se pessoalmente ofendidas por espamos de terrorismo interaccionista (sim, porque os cheese-and-bread-fundamentalists podem andar por aí). O "metem-me nojo as pessoas que olham com desprezo o comer queijo como stand alone application" (para perverter e constituir uma citação, como bom jornalista que não sou mas está visto podia ser) é de antologia para o livro dos pequenos ódios de estimação (ainda que no momento consciencializados).
Agora, é verdade que a tradução dos títulos de filmes para português é ainda outro mundo à parte, e que Ellay é brilhante. E lembro-me agora de ver na maratona do 24 que deu na 2 há uns tempos que tratavam, frasicamente a sede da CIA (Quantico) como se fosse o nome de uma pessoa. A toda a hora, episódio após episódio em confrangedora sucessão: «Já falaste com o Quantico?». Mas nada, mesmo nada, acho já ter visto que superasse o Moby Pila. Se eu tivesse visto o nome do tradutor fazia uma citizen's arrest: isto é um atentado cultural mais grave que a bodega do filme em si.
Por isso, relativamente ao teu take-over, as portas estáo abertas. Qualquer resultado será meritório e fascinante (do qual me eximirei, claro, bom pacífico), qual experiencia de psicolgia social (ugh). Quando muito, se o teu comentarismo começar a render royalties, prometo que I'll cut you a share.

SPSS? You poor man...

julinho disse...

Claro que, not withstanding the hostile take-over, sempre tens este recôndito poiso garantido, pelo menos enquanto o Blogger não rebentar.

Eduardo disse...

Yester, Yester, se te fosse a contar da minha vida... Tenho este e outros cantinhos enquanto EU não rebentar. Mas eu tenho lá tempo e cabeça para hostile take-overs, filho. Isso queria eu.

A vida é sofrimento, é o que eu te digo. Óuó.

Eduardo disse...

Fui aqui deixado sozinho. A aridez de uma caixa de comentários abandonada numa posta que caminha para o fundo de um blog.

Também aqui. Mais uma vez. Uma busca terminada.

julinho disse...

Não, pobre sofredor auto-convicto. Estava só a procurar o Séneca para me confortar da revelação que me fizeste sobre a natureza da vida (aliás, todas as frases que comecem com «a vida é...» são sempre uma revelação). Investigação aplicada, portanto.
Considerando que desses augúrios sobre a tessitura do nosso respirar se tendem a erigir profecias que se cumprem a si mesmas, só posso esperar que essa tua vontade de abandono (uma espécie de Nietszche inverso), caso não seja uma declinação existencial para o melodrama, caso it wants to bail, e principalmente with a bang, tenha a coragem de olhar para si, se pretender fazer-se pedra, e ver-se a si própria armando o tijolo dos seus fins.
Pela minha parte, por entre os ciclos intermináveis de fármacos, lençóis, repousos de ocasião e força produtiva exaurindo-se aos poucos, vou prosseguindo as minhas buscas ao passo que o sofrimento da vida dá. Só esse passo, meu caro, tive pena de me dar conta, já é um privilégio. E este um dos pousos para exercer esse triste privilégio quando o expirar ainda não tudo consumiu. Ainda hoje. Mas como a vida é sofrimento, não me quedarei na esperança do amanhã. A esperança de cada minuto já é demasiada. Só deixo o meu passo impresso neste chão, para marcar em que vias se vive ainda, ainda, o meu remanescente percurso, e que almas por lá se encontrarão.

Eduardo disse...

Não, Yester. Não. Acabou. Já não faz sentido. É o fim.

julinho disse...

Se no meio de tantos fins de hoje e anunciados, consegues instaurar mais um, numa oscilação frívola de cálculo do que é manifestação válida do vivido, estás em posição que invejo. Já a miopia, dispenso, a miopia é fascinante, a miopia é triste e perigosa. I wasn't asking, I was saying. E as minhas palavras mantêm-se no último reduto do que são. De ti (não rezam as crónicas) sabes tu.
De volta aos fins, o tio Morrison que se escapou de ser tio, já os pronunciou. Não me atrevo a pôr a palavra na boca. Tenho-a demasiado na carne. Dispende-a tu como queiras. Os fins que se dizem são os outros. E é vê-los, tão profícuos, múltiplos, tão ligeiros. Sim, de facto, agora, já não faz mais sentido. Parabéns. E obrigado. Ao contrário de ti (equívoco que supunha já teres ultrapassado) já não busco. Encontro, quando encontro e perco sem perder nada. Por certo serás mais feliz...

Eduardo disse...

Acabou, acabou. Resta-nos agira com alguma dignidade.

Acabou. Acabou. Pronto. É mesmo assim. Não vale a pena. Um dia, mais tarde, infectarei uma caixa de comentários novinha em folha. Mas agora acabou.

Eduardo disse...

Mas é que acabou mesmo. Não há nada a fazer.

julinho disse...

Sim, sim. Got ya. The end beautiful friend. Written in stone. RIP. (hmm, que mais falta?)

Eduardo disse...

Nada. Absolutamente nada. Ou melhor, falta a coisa em si, propriamente dita.

Noto uma certa aspereza nas tuas palavras, Yester. Isso magoa-me.

julinho disse...

Sabes que tive várias vezes que gingar a mente um bocado para te interpretar em certos passos mais intrépidos do discurso (tipo, o que é que este gajo estará a querer dizer, e que tom é esse?). Falhei na interpretação algumas vezes, e acertei nalgumas arriscadas. Desta feita a hermenêutica falhou-te, ainda que, como sempre, não seja grave. Aspereza nenhuma. Bien au contraire, na verdade. Apenas o sublinhar sorridente de que nem no decreto dos fins as palavras do seguimento se exilam (o «que mais falta?» não era, portanto, imprecação de desafio a ti lançada, mas (auto)sinalização dessa estruturalmente renitente terminação). Não pode haver pedras nas mãos que tal sinalizam. Acho que devias poder aperceber-te facilmente disso (again, abordagem preventiva, nenhuma aspereza nisto, bien au contraire, if you think about it).

Eduardo disse...

Até numa caixa de comentários eu tenho de ser abordado preventivamente.

Aspereza talvez não, mas... Houve algo que me escapou, isso é certo. Se calhar avaliei mal... A leveza... Uma leveza... Não sei... Não sei. Se calhar fui eu que... Não sei. Não sei o que diga. Não sei. Não sei.

Não sei. Desculpa. Desculpa não saber.

Eduardo disse...

Desculpa.

Ana de Amsterdam disse...

Porra, gente. Eduardo, vá infectar outra caixa mais para cima porque a conversa de vocês é divertida e já estou cansada de ter que vir ao fim do blog para não perder o fio da meada. Julinho, bota ordem nesta coisa! :-)

Eduardo disse...

Ai porra estávamos a ser observados.

De Amsterdam... Hmmm...

Lá volta o Hmmm...

julinho disse...

Não, tens razão, desculpa-me, uma leveza, sim, pode ser dito que sim. Mas uma leveza que pretendia precisamente reflectir num discurso não carregado (ao contrário dos dois prévios, conquanto consequentes nas suas proposições)a renovada frescura que a tua reafirmação do acabado («Mas é que acabou mesmo. Não há nada a fazer») parecia trazer no bojo, coisa que aliás já tinha tido precedentes praí a meio da conversa que agora nem me atrevo a tentar localizar. Ou seja, a minha displicência era um retorquir with a wink que me parecia estar potenciado já na tua reasserção. Ou seja, era para ser lido em consonância contigo. Pelo que, se calhar fui eu que, mais uma vez interpretei mal.
De qualquer forma, fins incluídos, não peço, nem espero que peças, desculpas pelo não perceber. É no não perceber, na incompletude que abre as margens do discurso, que esta possibilidade que nos agregou (a coisa que não falta, porque é o que é, mais sagaz na sua estrutura, regardless das nossas intenções) encontra em larga medida a sua matriz. É essa incompletude que mesmo na face dos fins considero dever ser a disposição aberta de receber o que não se entende, não se percebe e como tal é só ganho no que se faz de novo real. Independentemente do peso de ascribed expectations. Como dizia, com a sinceridade e a bonomia que ainda consigo exprimir (não por que vá rareando interna, mas porque a sua expressão exige condições existenciais, que estão algo, essas sim, rarefeitas, o que me parece ter estado na base no anúncio, quanto a mim equivocado nos seus termos ainda que não na sua fatalidade, do terminus), nada perco, nada busco, o que encontrei e surpreende reencontro quando reencontro no que não espero, foi só ganho. Regardless, estou, nesse cápítulo, hoje mais rico. O que é ao mesmo tempo tanto forma digna de acabar, como porta aberta para outras incompletudes se espraiar. Parece-me que já tinhas isso, no entanto, bem intuído. Obtuso eu, contudo, tive que o sublinhar.

julinho disse...

Ana, acho que é redundante mandar-me pôr ordem na casa, que só um comentário teu já pôs mais gente em sentido que toda a verborreia que por aqui se deleitou. Delicioso. No entanto, devo relembrar-te, que é no esforço que se sublinha o valor pessoal de aceder a certas iguarias. Nem que as iguarias sejam estes diálogos, nem que o esforço seja vir procurá-los em recônditos arquivos e posições. As coisas valiosas da minha vida, as prazenteiras, o que me acalenta nestas calendas, dou-me conta, custaram-me pele sangue e suor. Até se podem dar pérolas a porcos, mas não se dêem de mão beijada. Há que vê-las brilhar com o sal da nossa testa. Como cê viu. Claro.
Eduardo, porra, dizes bem. Só me lembra perverter um poema da Sophia (a senhora merecia muito melhor, mas...) para a nossa incauta odisseia: não se comenta impunemente numa caixa de comentários refundida num blog de Portugal. (eu não tenho vergonha na cara...). Fomos caçados. How about that!... Dizias, Amsterdam, hmmm?...

julinho disse...

Ah, e para que se perceba o nível de inimputabilidade a que cheguei, e se tenha condescendência devida com as minhas faltas, só agora o Yester captei.
É obra, convenhamos. (uma coisa)
É candidamente warm, in its very own close way. (outra coisa)

julinho disse...

Abordagem preventiva: acho que é bastante claro que não estou a chamar porco a ninguém, certo? (bom, quando muito estaria a chamar-me a mim, mas isso não era novidade, racional e odoriferamente).

(e exausto, mas reconfortado, se retirou para os aposentos. Amanhã esperava-o a provação rotineira mas a dobrar. Raios partam as criancinhas. Raios me partam)

Eduardo disse...

Agora quem está apreensivo sou eu. Até porque não percebi a proverbial patavina destes teus últimos textos -- isto de estares cada vez mais críptico também há-de querer dizer alguma coisa que de momento eu quero que me escape. Mas agora responde-me curto e grosso: como raio foi interpretada a minha so-called finalização?

Eu tenho de saber que recursos devo mobilizar para continuar isto. É um ponto de que não prescindo.

Eduardo disse...

Se eu ainda percebo alguma coisa, parece-me que aquele breve mas infeliz incidente da minha incorrecta identificação da tua pessoa com outra te inquinou o cérebro. Eu, se fosse a ti, ultrapassava isso. Get over it, como diria o outro. Ou seja, tu. A minha explicação do evento é totalmente verdadeira e daqui parto para a violência física.

Ana de Amsterdam disse...

Ora, ora, Julinho, concordo que a dificuldade do processo torna a recompensa ainda mais saborosa (em alguns casos, pelo menos), mas ando precisando de prazeres imediatos e pouco trabalhosos porque a coisa mais transgressora da minha vida presentemente anda sendo o meu nickname neste blog. Te dou um exemplo: ando passando boa parte das minhas tardes em frente ao computador, no spss (se cê teve pena do Eduardo, vai ter que ter pena de mim também) analisando o Labour Force Survey UK e as noites lendo toneladas de papers sobre business management. Sentiu o drama? Por isso, senhores, please, usem as caixas no compartimento superior do blog...

julinho disse...

Francamente Eduardo, não percebo como é que tu és capaz da falta de decoro de me pedir contar do que escrevi. Não está na cara que se é críptico é porque eu próprio não percebi? Obrigares-me a chafurdar nas minhas próprias palavras para ressalvar uma auto-justificação não se faz. Principalmente se do que lá está vais inquirir o menos interessante. Vejamos, quanto à so-called-finalização, a únic coisa que me lebro de referir é que quando a reiteras («Mas é que acabou mesmo»), o interpretei como uma não-finalização, já que o acto de continuar a acabar nega em si próprio aquilo que diz. Acho que é claro. Por isso interpretei-o como um I know it's over com os dedos cruzados atrás das costas. E dei-lhe seguimento. O precedente que tinha referido para essa interpretação foi um coment+ario ainda bastante iniciático que termina com um «E para terminar», o qual fizeste imediatamente seguir outro comentário «Mas a verdade é que estou a achar certa graça».
A questão da mistaken identity, nao, não tens nada com que te preocupar, vivo perfeitamente descansado com a inquirição de ter sido outrém. Não há rancor (que palavra desajustada...) ou desencanto possível, até porque, como te disse, essa tentação identificatória é algo com que me identifiquei. Dissipado o equívoco, I moved on. Still moving.
Agora, se eu sou críptico, olha que tu és complicado. «Eu tenho de saber que recursos devo mobilizar para continuar isto»? What the hell is that??

julinho disse...

Ana, meu bem, os comentários têm razões (descobri há pouco) que a razão desconhece. E não se prestam a racionalismos e a ser postos na ordem. Dissipar-se-iam na fatalidade da arregimentação. Tens toda a minha pena e simpatia, mas os comentários é que sabem de si... a gente tem que seguir a sua pena...

Ana de Amsterdam disse...

verdade, verdade. o jeito é me resignar...

Eduardo disse...

Bem! Estamos portanto a ser agressivos! "Por quem me toma?" Sim, que isto não é assim. Se sua excelência se anda a passar por levar tudo demasiado a sério, o mais que eu posso fazer é pedir desculpa pela minha insensibilidade acidental. Agora faltas de educação é que não. Ora porra, como dizia o outro.

julinho disse...

Má educação?? Mau. Ai. Queres ver que temos baile? Assim a gente não se entende. Qual falta de educação? Acho melhor partirmos mesmo para a violência, ora porra, que os discursos andam demasiado embrenhados e a precisar de um comic relief (nomeadamente, a visão de mim a andar à porrada a esgatar o adversário). Se te faltei ao respeito, as minhas sinceras desculpas, pela minha insensibilidade, que te garanto também acidental. Mas devo dizer que não vejo onde. Não sei se não terás sido antes tu a ficar com aquela da presumível aspereza atravessada («sua excelência»?!), tal como julgavas ter eu ficado com a mistaken identity. Se é esse o caso, acho melhor os recalcamentos serem desvelados, que isto já está com demasiadas cabeçadas injustificadas na parede (própria ou outra). And I mean it IN THE NICEST WAY POSSIBLE!! Just kidding. See?

Eduardo disse...

A petulância, a agressividade, a confirmada e confessada falta de chá. Eu, a bem da sã convivência na blogosfera e pelo respeito que penso que devo a quem mantém a caixa de comentários onde eu presentemente quase mantenho um blog paralelo, vou esquecer-me que os teus últimos 3 ou 4 textos existiram. Escusas de me agradecer esse favor ciclópico. Ficamos assim, estamos quites. Eu fui insensível, tu foste agressivo, eu fui prima dona, tu mantens esta merda a funcionar e assim ficamos todos muito bem. Certo, ou há objecções?

Nota bem que esta minha atitude é de uma excepcionalidade extrema: a diplomacia nunca foi a minha área de eleição. Mas, mais uma vez, não precisas de me agradecer.

Eduardo disse...

Íamos onde, mesmo?

julinho disse...

Rasurando os posts, aliás, perdão, os comentários, que propunhas olvidar na tua generosa peace-offering, diria que ficámos em: De Amsterdam...Hmmmmm (again).
(note-se o laconismo - hmm, não me soa - manifesta o espírito de boa-vontade com que me integro nesse aparentemente necessário armistício, procurando não sobrecarregar de sentidos polissemicamente - tb não me soa - interpretáveis como hostis esta assinatura do acordo).
(hmm, já fiz merda outra vez, lá se foi o laconismo - ná, ainda não soa-, ignore-se o parêntesis pretérito por redundante, ainda que, veja-se, bem-intencionado)
De Amsterdam, dizias... hmmm... como assim?

Eduardo disse...

De facto, esse meu Hmmm... adstrito ao de Amsterdam não era túmido como o outro, o primordial, o fundador, muito embora essa diferença não fosse claramente enunciada a partir da sua grafia. Felizmente, já há muito que a tua lendária perspicácia deixou de me surpreender, caso contrário poderia ter tido um chilique. Era este último um Hmmm... de quem, estando na época de comer os frutos da Castanea sativa, se lembrou, a propósito de Amsterdam, de outra sativa que há já muito tempo não consome. A ver se trato disso.

julinho da adelaide disse...

Ó Eduardo!, olha as crianças, pá!
A minha «lendária perspicácia»?
Armistício?
Pelo menos aprendemos uma palavra nova...: "época".
Não te esqueças de quando remendares essa falha de consumo, escreveres um post, aliás, perdão, comentário, a ver que efeitos sensíveis daí possam emergir. Nas minhas condições já só posso sonhar com uma trip subsidiária...
Isto de passar uma hora de sábado a brincar com templates diz bem da minha imparável degenerescência.

Eduardo disse...

A lendária perspicácia não era uma ironia, ora essa, era um elogio. Tu é que ainda estás um bocado dorido da bulha recente.

Não percebi a da época. Explica.

Não percebi " Nas minhas condições já só posso sonhar com uma trip subsidiária..." Explica.

Se me permites a franqueza, fizeste um bocadito de merda com o templeite. Aquilo ficou um bocado lixado, aquele tipo de lixado que não se nota bem porquê, que é o pior, é o lixado insidioso. Além do mais, aquelas pessoas que aparecem nas estatísticas do blog como acedendo-lhe a uma resolução de 800x600 não vão achar piadinha nenhuma... Ninguém me perguntou nada, mas se tivesse perguntado eu diria que uma boa ideia era pôr tudo como estava antes e tentar outra vez. Ou não tentar outra vez.

Já remendei a falha de consumo, mas não foi digno de postas ou grandes comentários. Tenho algumas limitações no que respeita ao intake daquele género de produtos e o mais que tenho a reportar é uma daqueles sonos fabulosos que só a cannabis sabe e pode dar. Melhores dias virão. Digo eu.

julinho da adelaide disse...

Qual bulha... Parece-me é que se o meu discurso aqui impresso tivesse algum papel instrumental apenas poderia ser o de demonstrar à exaustão que faculdade de que sou desprovido é perspicácia. Nem a mim me capto.

«Explica»? How straightforward estamos...Tá bem.
A da época era uma forma subtil e vagamente humorística de sublinhar o teu refinado vocabulário representado, obviamente, pela "sativa", e não pela "época". Em linguagem hitchcockiana, a "época" era o Mcguffin (hmm, agora não sei se leva "a"). E como se verifica pela amostra, as esperanças de me tornar mestre cinemático foram ao ar.

A trip subsidiária refere-se ao facto de, por várias razões (umas lamentáveis, outras só porque sim), não consumindo eventuais substâncias psicotrópicas (excepto o sumo de laranja), a única possibilidade de aspirar a uma amostra de trip é absorver os relatos e produções dos outros enquanto estão na trip. Como por exemplo, ver o efeito que a trip teria nos teus comentários. Ou ouvir qualquer produção sonora dos sixties e seventies emanada. É isso o subsidiário. O mais próximo que posso estar da trip, é da trip dos outros, e suas expressões tripadas.

Quanto ao template, ainda bem que te referes a ele. Não percebi essa da resolução, mas para esse entendimento rigoroso, suponho que seja o teu caso. Eh pá, a intenção era aumentar um bocado a largura do texto, que nos posts maiorzitos fica mirradito e extensíssimo em altura. Dar mais corpo à percepção das frases, portanto. Com a vantagem de, pelo menos nestes dias, ter o prazer de ver a bonomia do tio Henry a acolher-me logo ao abrir o blog.
Mas como dizes que isso afecta a coisa, procurei encolher outra vez mais um pouquinho. Se quiseres fazer a gentileza de reincidir na produção de opinião e expertise quanto ao insucesso do remendo, agradecia. Embora não seja o seu mote ou realização, não creio que no nosso contrato não escrito de interacção esteja necessariamente excluída a possibilidade de também produzir pura utilidade discursiva.

Eduardo disse...

Ó pá, eu reitero que desiquilibraste o templeite de forma perfeitamente escusada. Essa de dar corpo à percepção e tal pode ser muito bonita, mas:
1- Não, eu vejo tudo a 1152x864, mas tenho um programinha chamado autosizer que me permite visualizar as páginas com a resolução que me apetecer. E, ao ver como aquilo estava, não resisti à tentação de verificar e, lá está, fizeste merda. Quem aceder a 800x600 terá de utilizar a scroll bar horizontal, que é uma coisa muito chata. E uma grande falta de educação. Tenta fazer com que a largura total da zona com conteúdos (postas mais barra lateral) não ultrapasse os 750 píxels.
2- Letrinhas daquele tamanho, espaçamento deixado na mesma e aumento da largura da mancha de texto, dão corpo a uma diminuição sensível da legibilidade. Ainda não é dramática, longe disso, mas não foi propriamente coisa que melhorasse.
3- Eu sugeria que, se queres persistir neste caminho insano da alteração do templeite, estreitasses ligeiramente a mancha de texto para algo entre o que estava e o que está e que ou alargasses a moldura que enquadra o título do blog para a largura do texto ou a retirasses pura e simplesmente.
Podes recuperar algum do espaço perdido comendo ao hiato que deixaste entre as postas e a barra lateral, mais um pormenor que não ficou lá grande coisa.

É que aquilo, assim, não está bem. Também é certo que não está muito mal, mas... Está pior do que estava. É aquela merda dos pormenores, de estar tudo bem menos uma coisinha aqui e outra ali e outra acolá e outra... Estraga tudo, Yester, estraga tudo.

No nosso contrato está muito claro que esta interacção pode produzir pura utilidade discursiva. O "também" fica reservado para tudo mais que aqui se produza.

julinho da adelaide disse...

Eloquente e proficuamente ilustrada está a minha ignorância informática.
Após muito esforço, consegui descobrir como ver a 800x600 e, claro, tinhas razão, era uma grande falta de educação. Mas experimentei com outros blogues com o corpo de texto maior, e aquilo ajusta-se automaticamente ou coisa assim à resolução. Que porra é que eles sabem que eu não (fora tudo o mais que eles sabem e eu não)? Acho que já minorei esse atentado. Os outros terão que ficar para amanhã. Até porque agora já não sei a resolução que tinha no computador, e parecem-me todas ou muito grandes ou muito pequenas. Fiz merda comigo próprio.
De qualquer forma a única coisa em que descobri como mexer era na largura do texto ou da barra lateral. Nos espaços entre ambos não mexi, nem no tamanho da letra nem nada. Mas acho que a merda está mas ou menos irremediavelmente feita. Enfim, sempre combina melhor com o conteúdo.
Excepção feita ao pobre Henry, que agora me ficou cortado. Não é justo. Puta da resolução. Não poderei repousar nesse post por uns dias.
Muchas gracias. Se mantiveres a verve de consultoria sobre a matéria, é mui benvinda.

Eduardo disse...

O que os outros têm que tu não tens é um valor relativo para a área de conteúdos para largura da área de conteúdos: em vez de terem x píxels, têm x % (da largura do ecrã). É uma opção co alguns riscos. Eu, pessoalmente, não gosto muito, a não ser em situações muito específicas.

A mim agora parece-me bem. E o Henry aparece-me inteiro. Se fosse a ti, limitava-me a por as linhas horizontais a tracejado na barra lateral em condições (só a primeira é que etá bem) e não mexia mais. Mas tu é que sabes.

julinho da adelaide disse...

Tens razão, acho que, pelo menos até tirar um curso de informática, I'll leave it alone. O Henry ficou meio truncado, bem como o post, mas é tempo de partir, não poderia pendurar-me à sua sombra benfajeza forever. Consta.
As linhas dos links ainda tenho que descobrir porque é que ficam assim. Ou antes, já descobri, mas não faz sentido. Tenho que fazer outra alteração qualquer, mas já só na barra lateral. As larguras estão findas.
Obrigado, outra vez. Ainda bem que produzes utilidade discursiva, e principalmente a aplicas com tanto rigor. O SPSS deve estar orgulhoso. Se não estiver é porque é só um burro programa informático nas mãos do operador. O que eu sempre desconfiei. Aquela merda nunca fez nada sem a minha intervenção. Lazy bastard.

Eduardo disse...

Escusavas de ter retrazido para aqui o SPSS. E logo hoje. Foi de uma crueldade inimaginável, que só o caracter acidental exime de responsabilidades maiores.

Sofro. Muito. Snif.

julinho da adelaide disse...

Tens razão. Fui uma besta insensível. Afastado desse tipo de operariado intelectual para outro tipo de operariado intelectual, esqueci-me do stress presente-traumático que comporta a visão daquelas grelhas daninhas.
Cabe-me, mais uma vez, a penitência (na recorrência dos meus pecados).

Eduardo disse...

Mas qual penitência, qual carapuça, se a mim é que me cabe ser sovado durante o dia todo com isto e, depois, 3 noites por semana, ser objecto de um curso, agora avançado, de domínio da besta.

Mas não falemos mais nisso e, especialmente, não nos penitenciemos por pecados menores e inconsequentes, que são, afinal, o que levamos da vida.

Estou feito um fatalista. Snif.

julinho disse...

Estou a ver que sim. Qual Jacques, o Diderot deve-se ter enganado no nome do dito cujo. Mas se ainda estás capacitado para esnifar (não confundir com snifar, embora essa parte não seja da minha conta, só o discurso presente o é), o fatalismo ainda não corroeu o edifício. Há possibilidades no horizonte (espantoso como o fatalismo alheio traz ao de cima o pior optimista que não há em mim...)

Eduardo disse...

A minha tentação para a happiness trhu chemistry ainda não chegou a tanto - é só esnifar mesmo. Isso e a quantidade de fármacos com que me fui abastecer hoje. Mas foi comovente ver esse tal optimista pouco convincente a despertar (ou a nascer, que sei eu?!) para atacar o meu fatalismo. Não é que eu até não ache que tens jeito para isso do optimismo: pelo que vou vendo da ironia, há sempre uma pequena (e às vezes grande) luz de esperança a brilhar lá ao fundo, como se fosse uma luz de presença no corredor de um bordel.

Ou seja, vieram-me as lágrimas aos olhos. Snif.

Eduardo disse...

Questões práticas: este blog está pugramado para quantas postas na primeira página? É que não estou a ver isto a caminhar para o fundo em termos absolutos e isso não me preocupa: assusta-me. É um problema meu, não te preocupes, mas ainda assim coiso e não sei quê. Obrigado.

P.S. - Nada de conclusões precipitadas que possam dar direito a nova troca de galhardetes, sff.

Eduardo disse...

Espero que a anterior não tenha sido uma pergunta demasiado indiscreta. Se foi, as minhas desculpas, mas continuo à espera da resposta.

julinho disse...

Uhh, vejamos. Essa do optimismo (palavra claramente demasiado forte, mas let's stick with it) tem o seu quê de razoabilidade. Ainda que não saiba perfeitamente a que título essa amostra de optimismo se coloca. Não é propriamente disposição ou convicção pessoal. Em parte talvez forma de coping (not to fall in bleak despair, it's pointless, embora não costume adiantar dizê-lo a quem está em bleak despair), ou apenas emanação de um incerto estoicismo ou foolish bonomia. Ou apenas derivação de uma inclinação convicta para o não fechamento do real, para a concepção do possível, ainda que sem crença nenhuma na sua concretização (são duas coisas ABSOLUTAMENTE diferentes, infelizmente). Humildade perante as coisas que não controlamos (including ourselves). Não bem optimismo mas a inscrição da possibilidade do optimismo (mesmo que o não envergue como disposição pessoal). Creio que pois, no fundo, no fundo, nada mais senão um princípio activo de cautela. O que implica então sempre a possibilidade estrutural, que deve ser contemplada a todo o custo, de
haver a luz de presença no corredor do bordel. PRINCIPALMENTE se fôr a luz de presença no corredor do bordel. Será sempre o melhor sítio para se conceber o despertar de alguma esperança.

Quanto à programação do afundanço dos posts, perguntas erradamente à pessoa certa: eu sou o gajo que tiveste que auxiliar a não lixar o templeiti do blog. Na estranha altura em que o fiz, acho que estava programada para 30 dias, e não para posts. Só que fui ver e já passaram 30 dias, por isso acho que o sistema entrou em auto-regulação. Ou o blogger, lui-même, está a querer preocupar-te.
Quanto a essa preocupação, temo que não possa dar início a nova troca de galhardetes porque, com a minha lendária perspicácia (na minha leitura da cuja, entenda-se), não percebi bem a tua preocupação, mas seguindo o teu conselho não me preocuparei com ela; e porque também não percebi se a troca de galhardetes era no sentido positivo ou negativo da coisa. Por isso, fico como estou. Quietinho na cozinha do bordel, a comer a sandes de paio que me fez a dona Alzira. A não esperar que a luz se acenda para não trincar o dedo, mas concebendo que a lâmpada possa lá estar para ser acesa.

Eduardo disse...

Para começar com as questões mais práticas, o sistema não se passou: os 30 dias do blogger são 30 dias com postas e não 30 dias corridos. É um bocado silly, but it's a new world, baby, so get used to it.

Quanto ao teu optimismo por necessidade, acho-o perfeitamente inaceitável: o mínimo que se exige a um optimista (e é disso que se trata) é que o seja por idiotia. Que horror.

julinho da adelaide disse...

Quanto aos dias, estamos esclarecidos. Não pertenço realmente a este mundo novo. Pelo que para tua despreocupação(?), não deve tardar muito o processo de imersão.
Quanto ao optimismo, se eu FOSSE optimista, sê-lo-ia por idiotia (as pré-condições estão cá todas). Mas NÃO É, de facto, de optimismo que se trata. Quando muito é de cepticismo, que no seu melhor corrói as possibilidades até do pessimismo. Optimismo seria CRER no advento de algo melhor. Cepticismo (neste caso) é CONCEDER que exista a POSSIBILIDADE de algo melhor surgir, mesmo que não o esperemos ou creiamos nisso. Princípio de cautela. Nenhuma necessidade. A POSSIBILIDADE optimista que se possa conceder no meu discurso será até em parte motivável pela percepção das consequências do discurso. Um discurso fechadamente pessimista (ou optimista) parece-me um equívoco estrutural. Pelo que aquela possibilidade pode surgir até como princípio de cautela, por exemplo, face a leituras de neófitos que tão facilmente caem, desarmados, na lenga-lenga do desespero. O desespero não é pra putos. E os que querem mimetizar niilismos acéfalos, vão vestir de negro para outra paróquia. That's the kind of optimist I am.

julinho da adelaide disse...

Desculparás as maiúsculas. Não têm por intenção soarem irritantes. (princípio de precaução a funcionar)

Eduardo disse...

Não soaram. Snif. Eu depois volto, que agora tenho o SEF à espera.

julinho disse...

Senhores, o que isso escorre... E eu sem um lencinho para te dar (juro que to dava)...
E tem cuidado, ou não te deixes expatriar (se é que é esse SEF...), ou então pede para te expatriarem, que já não sei bem o que será melhor neste país.
Até ao teu retorno.

Eduardo disse...

É esse SEF. Não corro o risco de expatriamento. Snif. Obrigado.

Eduardo disse...

Da utilidade discursiva

Snif.

Eduardo disse...

(não sei se deu para reparar, mas o mesu comentários passaram a ter título)

julinho disse...

Deu para reparar. Faz sentido. O comentário já deixou de ser prática menor. Há que assumir a sua possibilidade de incorporar novos recursos retóricos. Em nome da utilidade e da inutilidade discursiva. Se o snif produziu utilidade, tanto melhor.
Presumo portanto que não estás a escrever de um distante vilarejo no Botão (u?)(sabes como o SEF pode ser caprichoso)...

Eduardo disse...

100

U, sim.

Não, estou a escrever de Coimbra, mesmo, com tudo o que isso pode acarretar. E acarreta. E agora até já nem estou assim tão snif. Não há nada como ir passar uma horita ao Jardim Botânico para limpar um pouco da sujidade que a humanidade sempre vai deixando em cima de nós. Mas do que eu precisava era de praia, meijmo. E a minha ida ao SEF foi virtual, para descarregar as estatísticas que eles acham por bem ter em PDF, que é uma coisa que me dá tanto jeito para depois meter no Excel e no SP fucking SS. Mas pronto, já chega. Como eu disse, agora já não estou snif. Obrigado por me teres aturado a depressão momentânea. Terás a minha gratidão eterna. A sério.

E não sei se reparaste, mas este é o comentário 100. Hoje são muitos, amanhã serão milhões.

julinho disse...

101

Por favor, disponha (quanto ao snif).
Claro que reparei (quanto ao centésimo). Se pudesse beber abria um valente espumante (ugh).
Não sei se reparaste, mas este é o comentário 101: the path for the millions is open.

Eduardo disse...

Millions now living will never die

Ainda por cima isto agora decorre quase me tempo real (que é uma maneira um bocado estúpida de descrever o que realmente se passa, mas pronto, é mais uma daquelas frases feitas que resultam porque toda a gente percebe alguma coisa gira).

Isto hoje está-me tudo a correr (quase) tudo muito bem. Ainda não fiz quase nada de útil (o que me causará alguns snifs amanhã), estou bem disposto, enérgico, fartei-me de tirar fotografias todas giraças, está um rico dia, escrevi o comentário 100 na tua posta Leitmotif, avancei qualquer coisa nas minhas indecisões presidenciais... Isto até parece mentira. Aposto que logo tenho uma trombose e fico entrevado para o resto de uma longa vida ou coisa que o valha.

julinho da adelaide disse...

Ai credo. Já bati na madeira. Senhores...
Valham-te os Tortoise (essa ficou bem...uh... na fotografia...)
Isto só para dizer qualquer coisa "em tempo real". Que agora em tempo real tenho que ir trabalhar away from the monitor, leave off into the cold cloudy streets (os bons dias têm amplitudes restritas, está visto). O que é lamentável. Ou talvez não. Ínvios os caminhos que me separam de me converter em imóvel morsa.

Eduardo disse...

Tortoise... Se bem me lembro são uma grande seca... São esses, verdade?

julinho disse...

Sem confirmar o secante que sejam ou não, creio que essa qualificação os identifica como sendo efectivamente esses...
Coisas da proto-vanguarda...

Eduardo disse...

Pois, bem me parecia... Não tenho a mínima pachorra para essas coisas de ouvir de uisquinho na mão. Mas adiante. Acabo de descobrir que, segundo o SEF, o número de pessoas de nacionalidade desconhecida residentes no distrito de Beja, no ano de 2003, era exactamente -1. Menos um.

Estou certo de que terás algo a dizer acerca do assunto. Não te conetenhas.

Eduardo disse...

E em Lisboa em 1999 é de -2. Menos dois.

Ai senhores.

Eduardo disse...

Já não gostas de mim?

julinho disse...

Ó filho, claaaaro que gosto. Achas que me ia fartar ao fim de 108 comentários? Mas sabes que os papás e as mamãs nem todos trabalham o dia inteiro à frente do computador, e às vezes até têm vida social extra-digital (não é muito o caso esse caso, mas...) e como tal as suas temporalidades dialógicas às vezes não se coadunam com o tempo real. Por isso, acabado de chegar a la maison, e com um buraco negro no estômago, deixo-te com esta breve justificação antes de ir comer quelque chose, e logo que possa volto para esplanar as mil e uma ideias que me suscitaram esses fascinantes dados do SEF. Esse SEF é mesmo do camandro...

julinho disse...

Estou jantado.
Ahhh, então ele é mais Radiohead... Muy bien...
E, is it just me, ou essa mild depression ainda está em certo registo snif? Os indicadores não são claros... Aquele "regresso"...
Hmm, acho que vou passar a usar esta caixa de comentários também como caixa de comentários da Terra Habitada. Claro que assim arrisca-se a que as hordas tementes do Agrafo viessem para aqui desatar toda a sua verborreia e pânico sobre as suas manifestações e a procurar esclarecimentos doutrinais. Pois, isso não pode ser. Não se pode cair na bandalheira. Excepto a minha, claro. Mas essa é constitutiva.

(ora bolas, tinha eu tanto para dizer sobre os dados do SEF e já esgotei o meu tempo. Pois é, é assim que se perdem os grandes contributos para a humanidade...)

Eduardo disse...

A Terra Habitada não é comentável, lamento. Ou aliás, não lamento nada -- afinal de contas, não tem comentários porque eu não quero. Não admito. Vontades irreprimíveis de comentar deverão ser-me dirigidas através do email publicitado no site.

Eu depois continuo que agora estou a meio duma formação e pode parecer mal.

Eduardo disse...

Bem, enfim, que se foda. O caso com os dados do SEF é que as tabelas com os estrangeiros residentes em Portugal por distritos estão crivadas de valores negativos (-4 foi o mais baixo que encontrei). Creio que não terão um impacto sensível nos totais, que são o que verdadeiramente me interessa, mas fiquei com um problema grave de confiança naquilo que para mim, hoje, deixou de ser um conjunto de tabelas com dados estatísticos para passar à pouco simpática categoria de salada de algarismos.

E sim, é mais Radiohead, embora pudesse não ser. A transcrição de uma letra não implica "concordância" com a música. Mas ultimamente tenho andado muito limitado e muito pop. Radiohead são uma excepção.

julinho disse...

É o que bastava dar uma olhada para as pretensões "exactas" da ciência económica para perceber: a estatística cria sort of a world of its own. Ou o olhar de um ângulo tapa outra. É preciso aproveitar as potencialidades e reconhecer os limites. A segunda parte é a que pouca gente ("cientistas" incluídos, e primeiros) faz.
Radiohead. Pop? Não é que seja categoria desmerecedora em si (de todo). Mas não o diria. Pelo menos, não tão somente.
E agora vou deitar-me e tentar não expirar.

Eduardo disse...

cito-me: «Mas ultimamente tenho andado muito limitado e muito pop. Radiohead são uma excepção.»

Ou seja, não considero os Radiohead "pop". E, de qualquer forma, não considero essa adjectivação negativa. Mas não os considero "pop".

Que a estatística cria um mundo muito seu (mil perdões por estar a utilizar português) não é novidade nenhuma -- eu próprio já a utilizei para criar vários mundos. Convém é que esses mundos sejam minimamente verosimeis, o que, manifestamente, não é o caso...

Vamos a caminho do ralo, portanto... Eu já tinha reparado, mas ficou-te bem uma posta acerca do assunto.

Eduardo disse...

Pera lá... Vais-te deitar??? A estas horas??? Olha que sinceramente...

julinho disse...

Deitar, no sentido de deitar o corpo, repousar. Sacumé... Uns estão mesmo mais acabados que outros. Nem tudo é ironia.

Quanto ao mais, tens razão, ando a abusar dos anglo-saxonismos e de forma redundante. E tens razão, li mal a tua qualificação dos Cabeças de Rádio.

Quanto à estatística, o problema (ou não) é que a verosimilhança não é propriamente um critério de validação das estatísticas. O criar um mundo muito seu, ainda que por operações logicamente controladas, não implica manter uma relação de verosimilhança com o real de onde parte. Daí os equívocos que o excesso de real que lhes é outorgado lhes conferem. Just deal with it.

Quanto a irmos para o ralo, somos nós e tudo. O ralo é sempiterno. Mas pelo menos ainda há outras torneiras por onde escorrer.

Eduardo disse...

Noto nestas tuas últimas incursões, aqui e lá mais acima, um tom de desencanto.

Eduardo disse...

As pessoas começaram a reparar -- e a comentar!. Já usam outras caixas de comentários para comentar os nossos comentários. Isto também deve ser meta-meta-qualquer coisa. Eu não estou preocupado, que a minha reputação já só pode ganhar com os ataques que lhe façam, mas tu... Não sei, vê lá.

julinho disse...

O desencanto pressupõe um locus de encanto. Esse a largos espaços que já não é meu posto. Nos últims tempos, sim, ainda menos. Coisas extras meta-bloguísticas. A meta nunca sobreviveu à carne, como se sabe (pelo menos o engenheiro de Campo sabia-o). Ainda que procure não fazer o fechamento pleno na minha convicção mental que o outro lado da dualidade parece requerer, mas às vezes não dá. Coisas do Descartes.
De qualquer forma, coisas como «Não é um asteróide, meu comandante... É o Miguel Sousa Tavares disfarçado de calhau.» ainda são o que me ilumina o dia. Dás-te conta que, de certo ponto de vista, é a coisa mais ajustada que se escreveu sobre a coisa (o meu léxico está particularmente pobre hoje). Tens a minha gratidão (se bem que ela não interesse para nada).
Sem dúvida, há um fenómeno meta-meta-qualquer-coisa a ocorrer, mas eu não consigo dar conta de mais do que um meta de cada vez, por isso nem me vou preocupar. Se há coisa que nunca me molestou foi reputação.

Eduardo disse...

Ai, credo, mas que mal que isso está para essas bandas. Não gosto nada de te ver assim, Yester. Não querendo intrometer-me nos seus assuntos supra-blog (ou infra-blog, ou whatever), atrevo-me a sugerir que parte dessa tua má disposição vem do mau tempo. Uns dias de sol e passas logo a ver tudo com outros olhos. E a andares a dormir mal. Eu fico deprimidíssimo quando não durmo bem. Depois passa. Ou não.

Até o "pormenor" de me estares grato pela minha última posta é reveladora de um estado de vulnerabilidade emocional que não é bom. Está bem que é uma rica posta, mas daí à gatidão, por favor. Não me atribuas responsabilidades tão grandes. Vá, recompõe-te lá, então.

julinho disse...

Como diz o tio Truffaut que teria dito o tio Oscar, por outras palavras que não estas, com "problemas" emocionais posso eu bem. Mas não vamos entrar por aí, que já há excesso de real neste meio avesso a tais declinações carnais. Enquanto a carne suster a escrita, é da escrita que se trata.
Quanto ao pormenor do elogio à tua posta, não retires daí mai sentido do que o de que era, de facto, uma rica posta. Diria mais, era uma daquelas ricas postas a que dificilmente um leitor faz justiça. Mas isso também é esta condição. Tampis(?).
Quanto aos leitores from outter space desta "novela", pois, parece que as pequenas formas de excepção social não podem mesmo deixar de ser acossadas, mesmo tão pequenas. É pena.

Eduardo disse...

Pela tua rica saúde, eu não estava a tentar arrancar-te confissões íntimas! Longe de mim tentar chegar (já) a esse ponto! Eu sou, acima de tudo, um moço sério e respeitador da individualidade alheia. Estava simplesmente a tentar construir uma possibilidade de via de escape, que tu poderias utilizar como muito bem entendesses, para esse azedume que impregna os teus últimos escritos, aqui e lá em cima. É que uma pessoa, mau grado (agora vamos para os galicismos) a distância protésica do meio e o facto de não teres perdido a oportunidade para te caracterizares como alguém feio e malcheiroso, afeiçoa-se.

julinho disse...

Pela tua rica saúde. Não te estava a atribuir intenções escavatórias das minhas disposições manifestas nas possibilidades interpretativas dos escritos aqui e acolá. Até porque, no que acho que me vou apercebendo, nem faz o teu estilo (embora a corrente da interacção o pudesse suscitar). Estava apenas a circunscrever ontologicamente o espaço onde se pudessem ancorar as causalidades desse potencial interpretativo. E na circunscrição onde se possam ancorar, infelizmente, a linguagem das emoções não é a que se adequa ao seu ressentir. Por isso, dada a qualidade protésica do meio, e grato pelo olhar dedicado, só te estava a esclarecer que nem é por aí que o gato vai às filhós, nem são essas as filhós, e que guardando as boas intenções com o seu valor (valor) próprio, não é matéria sobre a qual haja propriamente algo a dizer, dada mais uma vez até a qualidade específica do meio.
All's well when you can't get to what maybe wrong. Gracias again (e não careces sobreinterpretar isto, não tem matéria que o justifique).

Eduardo disse...

Gato... Filhós...

Hmmmmmmmm

Eduardo disse...

Lacónico, completamente.

julinho disse...

Hmm.

Pois.

I might have that effect.
Sorry (se é que faz sentido)

Eduardo disse...

It ain't u. Don't be paranoid.

julinho disse...

Paranoid android...

Eduardo disse...

Por acaso lembrei-me dessa quando escrevi o meu comentário anterior...

O laconismo deve-se unicamente a um estado de estafa doentio. Estou demasiado cansado para escrever coisas minimamente elaboradas, situação difícil quando sinto que é o que se espera de mim.

Conclui-se, portanto, que cada qual tem as suas desgraças.

julinho disse...

Descansa. Sou do mais parco que há quanto a alimentar expectativas que constranjam outrém (porque também nunca me me agradou ser constrangido por expectativas aleias). Estás mais que descomprometido nestas eterealidades de cumprir seja o que for, senão aquilo que te seja propício na disposição contingente. Só nessa condição, para mim, em geral, faz o discurso sentido. Liberto.
Desgraças, apaziguamento, faz tudo parte. Há que ter a sageza possível de o acomodar e o que mais se careça e entenda, nos seus tempos e espaços.

Eduardo disse...

Por momentos, fechei os olhos e imaginei o meu chefe a dizer as tuas tão sensatas palavras e fui feliz. Depois, abri os olhos.

Creio quase lembrar-me de uma citação do Agualusa que era possível que caísse aqui bem. Uma coisa qualquer a relacionar a felicidade com a inconsciência.

Eduardo disse...

A minha função principal parece ter-se tornado a de parasitar. Blogs, reuniões científicas...

julinho disse...

Sensatas palavras?? Estou pior que julgava... Ah, sensatas mas inconsequentes! Phiuff...
Parasita, parasita (verbo, bem entendido)... Se for função, já aí tens a tua redenção. Embora esteja certo que consigas arranjar melhor.

Eduardo disse...

Sensatérrimas. Agora confesso que fiquei um pouco surpreendido, mas lá que foram, foram. Se fosse a ti, aprenderia a viver com isso.

julinho disse...

Viver com isso, posso viver. Sendo que a sensatez é uma terrível forma de vida. Agora tê-la por reputação é que seria insuportável. Nos bons velhos tempos uma tal décalage era o meu suplício. Infelizmente a vida encarrega-se de nos encontrar outros, não vamos nós aprender a viver com eles. Seria uma maçada.

Eduardo disse...

Lembro que há não muito tempo escreveste, e passo a citar-te , «Se há coisa que nunca me molestou foi reputação». Como interpretar esta tua nova declaração segundo a qual ter a reputação da sensatez seria insuportável. Quererás dizer que nunca te molestou porque sempre foste insensato e que, a teres essa reputação, já serias molestado? Ou quererá dizer que, afinal, eu estava profundamente errado e que tu não dizes coisa com coisa? Ou as duas? Ou outra/s qual/isquer?

julinho disse...

Estavas profundamente errado. Eu não digo coisa com coisa.
(o que é a mais doce reputação)

Eduardo disse...

Quer dizer que a profundidade não me está totalmente vedada, portanto.

julinho disse...

Não percebi (é que tal como não digo coisa com coisa, também tenho dificuldades em perceber o que os outros dizem - acho que já justificava um diagnóstico de disléxico...). A profundidade de conseguir interpretar como inane toda a arengada que para aqui escrevi?
Ah, já percebi! (voltei a olhar para o que tinha escrito no outro comentário... mas entretanto não me apetece apagar o que já tinha escrito) Essas repescagens retóricas dão-me cabo do cérebro (como se já bastasse o resto do corpo). Mas o meu "estavas profundamente errado" era a mimetização em resposta da tua questão «Ou quererá dizer que, afinal, eu estava profundamente errado e que tu não dizes coisa com coisa?». Pelo que, suponho que sim, a profundidade não te está vedada. Mas não dizendo ou percebendo coisa com coisa, confesso que não sei que implicações daí retirar. Back to square 1.

Eduardo disse...

Não, o meu comentário quanto à possibilidade de profundidade excluía-te completamente. Lamento. Bem sei que é o teu blog, que é a tua caixa de comentários, mas limitei-me a parasitar-te (lá está). Pior, servi-me da tua caixa de comentários como rampa de lançamento para uma posta no meu blog (que não tem caixas de comentários). Isto está a atingir proporções assustadoras. O que é público, o que é privado, o que é o trabalho, o que é o tempo livre, o que é o tempo preso. Devo estar a precisar de uns fármacos diferentes dos que ando a tomar.

julinho disse...

Então andei em busca de profundidades em chão raso... Pois, eu reparei nessa preocupante escalada da intertextualidade a densificar a matriz que aqui conhece nódulo imprevisto, mas claro que não lhe potenciei tanto as possibilidades interpretativas.
Se calhar é melhor dares-me os teus fármacos que eu dou-te os meus.
Se calhar, era esse o sentido da coisa all along...

Eduardo disse...

O sentido da coisa olalongue??? Yester, yester: deixa-te disso! Não há sentido olalongue. A beleza de tudo isto é não haver sentido olalongue! Peço-te: não estragues tudo agora! Onde está a tua inteligência emocional (Grande Prémio Chavão de Gestão 2004) quando precisas dela, Yester! Por amor de... de...

Ok, pronto, esquece: Pensos Nicorette 10mg, Valdispert e Arcalion quando me lembro, anti-histamínicos como substituto de comprimidos para dormir. E tu?

julinho da adelaide disse...

Meu caro, esteja descansado. A última coisa a que me atreveria seria outorgar sentido a semelhante empresa (eu sei, eu pretendi outorgar-lhe sentido no comentário anterior, mas isso foi só porque não digo coisa com coisa, pelo que a coisa que vale é sempre a mais recente). Ratifico plenamente as tuas palavras e as margens não escritas que elas não delineam. Mare liberum.
Eu? Desculparás, mas não era minha intenção encetar um processo de strip farmacológico. Se há coisa que um homem deve manter íntimo, que seja pelo menos o seu armário medicamentoso (eu no fundo sou profundamente conservador, só que sem espinha). Se o assunto te encanta posso remeter-te por mail uma lista mais ou menos actualizada (só a delícia dos anti-histamínicos para adormecer merecia-a, se fosse necessário merecê-la). Agora não publicitarei, extraindo de forma directa e demasiado real a piedade alheia, a demasiado extensa e diversa lista de substâncias artificializadas que me sustêm a life-line. Tornaria demasiado literal o que no escuro do blog são margens de interpretação e ambiguidade (que o são, porque os vínculos ao real são menos óbvios que o óbvio assegura). Esvaziaria o seu poder-ser e respectivo possível encanto ao fixar as suas palavras numa nomenclatura de sentido fechado. Uma persona tem que saber os limites de exposição da pessoa que a insufla, até ao ponto em que a confissão já não contém traço de sombra, em que a dúvida se dissipa e a elaboração se trai relato nu. A minha persona deve aí traçar os seus limites. Posso no entanto confessar-te que tu (caso a tua lista fosse exaustiva, o que me parece um absurdo dada a sua exiguidade e menoridade funcional - francamente, com esse elenco não sei porque é que andas sempre a falar de fármacos) poderias viver (caso não te desse uma overdose)com os meus fármacos (excepto o nicorette, estranhamente os meus ex-hábitos tabágicos desde tenra adolescência, quando fui moço minimamente saudável, nunca conheceram estabilidade ou rigidez). Mas eu não poderia sobreviver com os teus. As usuras do tempo vivido não perdoam, principalmente a quem lhes resista. Donde, não há troca pra ninguém.

Eduardo disse...

Ui. Que mau.

É evidente que a persona toma menos medicamentos que a pessoa (e não necessariamente os mesmos...). Estava só a tentar iniciar um jogo que, aparentemente, caiu mal. Pelo facto, as nossas (da pessoa e da persona) desculpas. Espero que não tenha provocado danos permanentes.

Eduardo disse...

Curiosamente, hoje, por razões que se prendem com factos completamente alheios a esta troca, uns, e parcialmente alheios a esta troca, outros, estou a achar esta troca francamente divertida. Todos temos os nossos dias.

julinho disse...

Mau? Je? Mais nonnnnn... Apenas a ter que explicitar as minhas limitações confessionais no que ao sentido deste espaço discursivo concerne. O jogo não caiu mal. Apenas não colheu... Limitação minha, pela qual me desculpo, dado que até cria uma situação assimétrica, pela qual me penitencio, e me desagrada. É que para além dessa preservação de sentido de persona e seu falar, sucede aquilo que alguém que te roubas as letras da caveça enquanto dormes disse, mais uma vez, com dolorosa perfeição: «I used to laugh, but that joke isn't funny anymore». Mais um excesso de real a intrometer-se. My sincere apologies. No que toca a esse assunto, já não tenho "os meus dias". Se calhar não tomo os fármacos que devia tomar... Mas a pessoa e a persona também têm esses seus limites. Temos que começar a finar-nos por algum lado.
Senhores, estou mesmo intragável... Mas mau, não.

Eduardo disse...

Certo. Eu também não fiquei tão afectado como quis fazer crer. Eu, no fundo, não mordo -- só quero é brincadeira. Agora, isso de já não teres os teus dias é que me parece mais preocupante... Tu vê lá essa saúde.

julinho da adelaide disse...

Deixa lá a minha saúde, matéria insensata, na sua anti-metafórica (desculpa lá Sontag) condição, para a persona. Quando muito o problema é que já não a posso ver. Já essa metáfora canina parece-me bastante mais preocupante...
E não pareceste ficar afectado, o que diz bastante das minhas equívocas interpretações do teu discurso.
Tentando, no entanto, prever as tuas interpretações do meu (não-)discurso, temo que arriscando quebrar a estranha rotina anti-rotineira que nos tomou, estarei amanhã ausente em viage de trabalho (e a saúde treme), pelo que se o meu mutismo transparecer por tal período nesta lendária caixa, cuido que não será novamente tomada por displicente desapego.
Até ao meu regresso...

Eduardo disse...

De forma alguma, meu caro, de forma alguma. Eu próprio também sofro por estes dias do mal da falta de tempo, especialmente para este registo em que tenho de ler para saber minimamente o que hei-de escrever. Assim, a tua ausência é bem vinda, pois escusa-me a justificar a minha.

Só um pequeno esclarecimento: "eu não mordo, só quero é brincadeira" não era, nem é, uma metáfora. A sê-lo, seria sempre felina, como é deveria ser óbvio, mas pura e simplesmente não era de uma figura de estilo que se tratava. De uma figura triste, talvez, mas isso são outros 500.

julinho disse...

Voltei, e vejo que o constrangimento da periodicidade fez sentir o seu pendor estranho à liberdade do discurso. Não te inquietes, meu caro Eduardo (e quanto ao felino, deixarei isso para lá), na minha perspectiva, nesta altura do campeonato, as pedras basilares estão assentes, e não tens que justificar coisa alguma, e não tens que cumprir expectativas que te não são exigidas. Qualquer coisa que já disse há uns tempos atrás e que, na tua generosidade (esperemos que não míope), classificaste como sensato. A tua presença só pode ser benvinda se não exigir a demissão a tua ausência. Que é como quem diz, nada se te exige deste lado, para que a tua aparição seja sempre presença renovada, reafirmada nos termos livres do seu querer sincero.

Eduardo disse...

Por favor, então depois de teres tido a atenção de me avisar da tua ausência, não me sentiria bem sem dar também uma palavrinha. Apesar das aparências, eu não sou completamente ordinário. Ok, pronto, se calhar sou, mas não interessa.

julinho disse...

Ora...

Eduardo disse...

:-)

Eduardo disse...

Ai que esta porcaria não põe emoticões automaticamente!

julinho disse...

Estou chocado! Tu, uma criatura que emprega emoticões (ainda que, vá lá, os chame apropriadamente de emoticões)! Eu realmente não consigo prever o que esperar das pessoas. Ou só conheço pessoas imprevisíveis? Bom, na verdade, não interessa...ainda tenho que esclarecer a perplexidade primeira: como é que eu ainda conheço pessoas.

Eduardo disse...

Por acaso acertaste, ou quase: eu só gosto dos emoticões na sua forma mais primitiva, precisamente aquela em que o :-) aparece aqui nesta tão rudimentar forma de comunicação. Mas já me habituei a escrever estas coisas e a vê-las, depois, automaticamente transformadas em smilies e coisas que tal.

"Ícones expressivos" é de um excesso ortopédico perfeitamente inaceitável. Parece uma coisa que tem de se requerer mediante o preenchimento de um requerimento. Urge começar a inventar palavras, caso contrário o Português sobreviverá não como língua falada mas como delírio burocrático.

Olha que bem que me saí agora. Estou gajo para reutilizar este eu último parágrafo para posta.

Eduardo disse...

Claro que deixei passar o mais importante: por que é tão exclamativo que eu use emoticões? E não aceito evasivas!

julinho da adelaide disse...

Estou gajo para achar que devias aproveitar esse parágrafos (e outros passados) para postas. Até porque me vou dando conta que só em palranço interactivo é que me surgem coisas para dizer. POr isso, ou se abre um novo blog, sei lá, intitulado "Caixa de Comentários", para onde transferir estas arengadas (uma nova espécie de arte conceptual no universo da blogosfera, que bem precisa de algo refrescante para animar), ou então acho que a reciclagem (não tirando o valor próprio e indeterminado destes comentários - e nunca a terminologia soou tão inadequada) de uns quantos parágrafos para espaço post é mais que legítima.

Já não é justo é não aceitares evasivas. O charme do meu discurso (e da minha pessoa, porque ninguém me atura em pessoa mais que uma hora por mês) é ser evasivo. Até porque não tenho substância. Como tal, o espanto dos emoticões (e o excesso ortopédico de ícones expressivos até me soou bem também - a língua portuguesa a quem suporte os excessos ortopédicos!! - eu com os meus anglicismos, claro, deixei-me, otário incauto, de fora) (até porque se a academia das ciências sabe, vai adoptar os emoticões para o seu novo dicionário, e sabes que a academia das ciências não é recomendável) é de natureza perfeitamente epidérmica. Se quiseres elaborações, pois sei lá, pode argumentar-se que implicam uma facilidade e uma trasparência discursiva que não combina com o rendilhado retórico através do qual procuras amiúde suscitar recepções complexas ao leitor. (estavas só à cata de elogios, não é?...)Mas, no fundo, no fundo, o que é é que não me soa.
Hmm, estava gajo para aproveitar aquele bocadinho para uma posta... E aquele outro também...
Não percebo, francamente. Estaremos a exaurir os posts, ou a criar matéria para eles? And does it matter?

Eduardo disse...

«Se quiseres elaborações, pois sei lá, pode argumentar-se que implicam uma facilidade e uma trasparência discursiva que não combina com o rendilhado retórico através do qual procuras amiúde suscitar recepções complexas ao leitor.»

Só dizes estas coisas para me excitar...

julinho disse...

Já muitas vezes me deixaste preocupado.
Agora estou a ficar assustado... (atributo que só ao Carpenter outorgava)

Eduardo disse...

Assustas-te com uma facilidade impressionante. Bem sei que não é fácil "conviver" com alguém dotado de poderes insondáveis como é o meu caso, mas eu julgava que a minha magnanimidade me precedia.

E não poder ser aturado em pessoa mais de uma hora por mês até nem é mau: a mim ninguém me consegue aturar mais de meia hora em cada 53 dias.

julinho disse...

Só dizes essas coisas para me excitar

Eduardo disse...

E consigo?

julinho disse...

Só perguntas essas coisas para me assustar...
(as coisas que te vêm à cabeça na face da submersão)
Mas temo não saber... vendi essa parte do sistema nervoso antes que se deteriorasse por falta de uso a um texano podre (de rico e de corpo).
Too disappointed?

Eduardo disse...

Não, nem por isso. O meu ego foi aprendendo a viver sem informação que outrora podia ser considerada essencial. É tudo parte de um fenómeno cujo o termo técnico é "PDI". Pelo meio das desvantagens, tem destas pequenas consolações.

Sim, o ralo aproxima-se a alta velocidade. Já se ouve o ruído cavo e os movimentos em espiral anuncia-se. Tens isto bem ligado? Poder-se-á dizer que we'll always have the archives ou vamos simplesmente para a fossa séptica? Ou céptica.

julinho disse...

PDI?
A alta velocidade não diria. Até podia aumentar os dias de publicação, porque até há certas imagens que me estão a fazer falta. Mas mesmo na face da irreversibilidade, pode-se dizer que, até sito pelas tuas bandas, já houve quem aprendesse a «respirar debaixo d'água». Pelo que mesmo com todos os cepticismos alerta, it wouldn't be a first...

Eduardo disse...

PDI = Puta da idade.

Estarei ausente por uns dias. Presumo que o meu regresso vá encontrar esta caixa de comentários que tanta companhia me tem feita relegada para um arquivo. Se é um arquivo vivo ou morto, isso logo se verá. Acho.

julinho disse...

Ah. Tão vivo e tão queixoso...
Até ao teu regresso, pois, no mistério do que possa afinal suceder nos arquivos borgesianos, que Borges não contou...
(Borges, pois que não blogava, mas comentava o seu bocado...)

Eduardo disse...

Tudo uma questão de ficções, no fundo.

julinho disse...

No caso do senhor em questão, são até ficções de ficções, o que em matemática linguística, suponhamos que deve dar outras realidades...

Anónimo disse...

desculpem imiscuir-me no vosso espaço de diálogo, mas será que não dá para os comentários incluírem o dia, para além da hora, ó senhor blogueiro?
é que assim afastava de vez a hipótese de acompanhar a novela da noite. isto é que foi uma descoberta.
cj